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Dia favorável
Os mercados tiveram um dia bastante favorável ontem. O risco Brasil despencou em novo recorde de baixa e a Bovespa fechou em recorde de alta, com giro financeiro na casa dos R$ 2,5 bilhões. O cenário positivo também ajudou a derrubar o câmbio futuro, empurrando para baixo as cotações do dólar à vista. A exceção ficou por conta do mercado de DI, onde os juros tiveram um dia de alta. A explicação para esse comportamento ficou por conta de indicadores que apontam para retomada da atividade econômica em novembro, além do leilão de títulos prefixados.
Indicadores
Ontem, a divulgação de três indicadores refletiram positivamente no mercado: o nível de utilização da capacidade instalada dessazonalizado, medido pela CNI, que ficou em 81,1% em outubro, ante 80,7% em setembro e 83,9% em outubro de 2004; o forte desempenho da indústria automotiva, que, segundo a Anfavea, teve o melhor mês de novembro da história em termos de produção, com crescimento de 12% na margem; e as vendas do setor de papelão ondulado em novembro, que cresceram 1,31% na comparação com outubro (ficou abaixo da previsão, que era de um crescimento próximo a 5%, mas ainda assim mostrou uma recuperação na margem).
Juros
Os juros futuros descolaram-se do clima favorável verificado no restante do mercado e tiveram um dia de alta. O contrato mais líquido, com vencimento em janeiro/07, encerrou o dia com taxa de 16,64%, ante 16,56% de segunda-feira, e o DI abril/06 subiu de 17,44% para 17,46%. O DI mais curto, com vencimento em janeiro/06, que expressa a aposta para a reunião do Copom na próxima semana, fechou com taxa de 18,06%, ante 18,09%.
Aposta
Mas, embora em queda, esse DI mantém a aposta em um corte de 0,5 ponto porcentual no próximo Copom como a majoritária: segundo as contas dos profissionais, essa taxa é compatível com um corte de 0,58 ponto porcentual na próxima Copom, ou o mesmo que dizer que há 70% de chance de o corte ser de 0,5 ponto e 30% de o corte avançar para 0,75 ponto porcentual.
Baixo risco
O risco Brasil em nível histórico de 317 pontos base justifica a perspectiva de novos fluxos positivos e de queda da moeda americana. Para aproveitar essa janela de oportunidade, o banco Votorantim anunciou sua primeira emissão externa de R$ 100 milhões através de um Eurobônus em moeda nacional (Real), indexada ao IPCA e com prazo de 7 anos. A abertura do book foi feita ontem e ainda não há data prevista para o fechamento. O yield do papel prevê IPCA mais juros de 9,25%, com cupom anual. A operação é liderada pelo Banco Votorantim S/A, sendo que o emissor é o Banco Votorantim - Nassau Branch.
Bovespa
A Bovespa fechou com boa valorização, em pontuação recorde, sustentada por um vigoroso volume de negócios, que superou os R$ 2 bilhões. Atraída pelos juros altos, pela queda do risco país e pela estabilidade da economia brasileira, a farta liquidez internacional está assegurando o bom desempenho do mercado doméstico. O Índice Bovespa fechou em alta de 1,60%, com 33.223 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular altas de 4,10% em dezembro e de 26,83% em 2005. O movimento financeiro ficou em R$ 2,526 bilhões.
Estrangeiros
E o que vem alimentando a bolsa nos últimos dias é justamente o investimento estrangeiro. ''A economia brasileira reduziu em muito a sua vulnerabilidade. Com a melhora no cenário político e também na economia dos EUA, o gringo voltou a colocar dinheiro na Bovespa'', comentou um operador. No dia 1º de dezembro, de acordo com números da bolsa paulista, entraram R$ 189 milhões líquidos na Bovespa. No dia 2 deste mês teriam entrado mais cerca de R$ 220 milhões.
Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Net PN (6,86%), Light ON (6,19%) e Gerdau Metalúrgica PN (6,17%). As maiores baixas foram Caemi PN (-2,59%), Bradespar PN (-2,14%) e Telesp Celular Par PN (-2,10%).
Câmbio
O dólar comercial caiu 0,87%, para encerrar a R$ 2,177 - nível mais baixo desde 11 de novembro quando finalizou a R$ 2,163. O enfraquecimento atual do dólar reflete o forte movimento de apostas na queda futura dos preços. Por isso, os leilões de compra e de swap cambial reverso realizados pelo Banco Central não têm conseguido reverter nem sequer amenizar essa tendência. No fim da tarde, o BC anunciou outro leilão para hoje, com oferta de mais cerca de US$ 600 milhões ou 12.500 contratos com quatro vencimentos.
Na Europa
Os principais mercados europeus reagiram positivamente ao indicador norte-americano de encomendas à indústria em outubro. Segundo analistas os dados mostram que a economia dos EUA continua robusta. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,52%; Paris subiu 0,57%; o índice Xetra-DAX da Bolsa de Frankfurt subiu 0,65%. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 0,45%; a
Bolsa de Madri avançou 0,07% e Lisboa subiu 0,78%.
Petróleo
O preço do petróleo encerrou os negócios de ontem em alta. O temor de que uma onda de frio afete o estoque de combustível para calefação superou as expectativas positivas dos investidores sobre o relatório de estoques do Departamento de Energia americano, a ser divulgado hoje. O barril do petróleo cru para entrega em janeiro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou o dia negociado a US$ 59,94, em alta de 0,05%.
Das agências Estado e Folhapress





