Desatualizada
A ata do Copom, divulgada ontem pela manhã, foi considerada desatualizada pelo mercado por não ter considerado os números do PIB do terceiro trimestre. Mas o PIB fraco acabou sendo relativizado em reunião de analistas com a direção do Banco Central. Conclusão: o mercado manteve a expectativa de corte da Selic entre 0,50 e 0,75 ponto, mas corrigiu os números mais otimistas registrados na quarta-feira. Já a Bovespa teve dia de recorde de número de pontos, com forte giro financeiro e fluxo de capital externo positivo. O risco Brasil, que caiu à sua menor pontuação histórica, ajudou no desempenho do mercado de ações. O dólar fechou em alta na expectativa de que o Banco Central anunciará novos leilões de swap reverso.

Bovespa
As apostas de um corte mais agressivo no juro básico da economia brasileira no próximo mês impulsionaram os negócios no mercado acionário paulista ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 2,19% a atingiu o recorde de 32.617 pontos. O último recorde era do dia 24 de novembro, quando a Bovespa fechou com 31.944 pontos.

Apostas
Com a queda de 1,2% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, aumentaram as apostas de uma redução maior na Selic em dezembro. A taxa está em 18,5% ao ano e analistas do mercado já esperam um corte de 0,75 ponto percentual no mês que vem, para 17,75% ao ano. A Selic vem recuando desde setembro deste ano. Até agora, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na taxa e dois de meio ponto.


Mais rápido
''O resultado ruim do PIB indica que a política monetária não está boa e que o juro deverá cair mais rápido'', disse Flávio Serrano, economista da corretora Ágora Senior. De acordo com ele, os investidores avaliam que o juro menor em 2006 deverá favorecer os resultados das empresas em relação a 2005, o que dará ganhos maiores aos detentores de ações.


Destaques
O volume negociado na Bolsa paulista somou R$ 2,227 bilhões.
Entre as ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Contax ON (6,11%), BRT Operadora PN (5,97%) e Net PN (5,10%). As maiores baixas foram Tim Par PN (-1,06%), Tele Centro Oeste PN (-0,90%) e Embraer ON (-0,51%).


Wall Street
Em Nova York, o comportamento das bolsas foi bastante favorável à Bovespa. Indicadores recentes da economia norte-americana estão levando os analistas a perceberem que há aquecimento sem pressões inflacionárias. Pouco depois das 18 horas, o Nasdaq subia 1,58%, o Dow Jones avançava 1,07% e o S&P 500 operava em alta de 1,29%.


Dólar
As atuações do Banco Central fizeram o dólar subir 0,63% e fechar a R$ 2,221. Dos 12,4 mil contratos ofertados ontem pela autoridade monetária, 77,4% foram vendidos, o equivalente a US$ 480 milhões. Foi o quarto leilão de ''swap cambial reverso'' realizado pela autoridade monetária na semana. Esta operação tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro e os investidores ganham com a diferença entre a variação cambial e os juros pagos pela instituição. Antes do leilão, a divisa norte-americana chegou a subir 0,90%, atingindo R$ 2,227.


À vista
No meio da tarde, o BC atuou também no câmbio à vista. Segundo analistas, a instituição aceitou 19 propostas para compra e pagou no máximo R$ 2,215 por dólar. Apesar da alta de ontem, analistas avaliam que a tendência de queda do dólar permanece, por conta do forte fluxo de recursos estrangeiros em direção ao país. Para profissionais do mercado, o dólar pode reverter a tendência de queda somente a partir de um corte mais acentuado dos juros básicos, atualmente em 18,5% ao ano.


Risco
Outro fator que contribui com a queda do dólar é o recuo do risco-país brasileiro. O indicador é uma espécie de termômetro da confiança dos estrangeiros na capacidade de o Brasil honrar suas dívidas. Quando ele cai, sinaliza que a confiança está em alta. No final da tarde, o risco Brasil apontava queda de 3,2%, para 229 pontos básicos.

Futuro
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o volume contabilizado com dólar futuro também foi expressivo para início de mês, e os seis vencimentos transacionados indicaram altas. Para janeiro/06, 0,72% a R$ 2,243; e para julho/2006, 0,59% a R$ 2,369. O giro somou US$ 7,83 bilhões, com 154.175 contratos.

Na Europa
O Banco Central Europeu (BCE) elevou ontem sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,25% ao ano, primeira modificação da taxa do banco desde junho de 2003. Os principais mercados europeus reagiram bem à medida, especialmente após declaração do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, de que a elevação da taxa básica de juros da instituição não é o início de um ciclo prolongado de apertos monetários. O índice Xetra-DAX da bolsa de valores de Frankfurt fechou em alta de 1,41%. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em 1,45%, apesar do volume de negócios ter sido reduzido. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em alta de 1,15%. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 0,38%.

Tóquio
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou acima de 15 mil pontos pela primeira vez desde dezembro de 2000, depois que os investidores abandonaram a idéia de consolidação e partiram para as compras de ações de tecnologia, empresas imobiliárias e do setor bancário. No fim do dia, o Nikkei marcava 15.130,50 pontos, alta de 258,35 pontos (1,7%). Foi a quarta maior alta em pontos desde ano. O índice Topix, das ações das maiores companhias, negociadas na primeira sessão, subiu 23,60 pontos (1,5%) e fechou em 1.559,81 pontos.

Das agências Estado e Folhapress

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