Bovespa fecha mês com alta
A Bolsa de Valores de São Paulo mudou de tendência no final do dia e fechou com valorização de 0,84% ontem, aos 31.916 pontos, acumulando ganhos de 5,7% no mês. Ao longo do pregão, a Bovespa chegou a cair 1,12%, influenciada pela queda de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores. Entretanto, no final da tarde, a Bolsa paulista apresentou uma melhora, por conta do aumento de apostas em um corte maior nos juros básicos, em razão da retração da economia. Diante do resultado negativo do PIB, parte do mercado já começa a cogitar uma redução de pelo menos 0,75 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A taxa está atualmente em 18,5% ao ano.


Cenário externo
Os analistas ficaram atentos também ao cenário externo. A economia norte-americana cresceu 4,3% (dado anualizado) no terceiro trimestre, maior resultado em mais de um ano, segundo dados divulgados hoje pelo Departamento do Comércio. Embora a atividade econômica dos EUA tenha melhorado em todo o país, houve um arrefecimento do mercado de habitação.

Apostas
Na bolsa, acredita-se que a economia vai se recuperar no quarto trimestre e deverá se manter em crescimento em 2006. Os juros tendem a cair e os indicadores macroeconômicos manterão a atratividade do País para o investimento estrangeiro, que mantém um ambiente de alta liquidez. Como disse um operador, ''há um limite para venda na bolsa, abaixo desse limite o mercado teme ficar com um mico na mão porque a expectativa é positiva''. Outro operador observou que o risco Brasil despencou ontem, chegando aos 339 pontos-base base no final da tarde, num nível próximo à mínima histórica de 337 pontos.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Sadia PN (4,64%), Cemig ON (4,44%) e Eletrobras PNB (3,31%). As maiores baixas foram BRT Par ON (-3,24%), BB ON (-2,71%) e Klabin PN (-2,27%).

Dólar
O dólar subiu 0,82% ontem e fechou a R$ 2,207, após três dias consecutivos de queda. No mês, entretanto, acumulou desvalorização de 2,04%, apesar das atuações diárias do Banco Central no câmbio à vista e da retomada do ''swap cambial reverso'', operação que tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro.

Efeito PIB
A moeda já começou o dia em alta, influenciada pela retração de 1,2% na economia brasileira no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mais fraco na economia já era previsto desde o primeiro semestre, por conta dos juros altos, do dólar desfavorável aos exportadores e da concentração dos efeitos da crise política do governo Lula. Entretanto, o resultado foi pior do que o esperado.

Leilão
No leilão de ''swap cambial reverso'', o BC não conseguiu vender a quantidade máxima de contratos ofertados. Dos 12,4 mil contratos que a instituição ofertou, 11,9 mil foram vendidos - equivalentes a US$ 595 milhões. Na avaliação de Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, o mercado deve ter pedido taxas de remuneração maiores, o que levou o BC a vender menos contratos com vencimento em março de 2006.

Wall Street
O mercado norte-americano de ações fechou com os índices Dow Jones e S&P-500 em queda e o Nasdaq no mesmo nível de ontem. Traders disseram que o mercado reagiu à alta dos preços do petróleo e ao avanço dos juros dos títulos do Tesouro. O índice Dow Jones fechou em queda de 0,76%. O Nasdaq fechou em alta de 0,005%. E o Standard & Poor's-500 caiu 0,64%.

Petróleo
O preço do petróleo subiu ontem influenciado pela divulgação de um relatório governamental que mostrou um recuo nos estoques de petróleo na semana passada. O barril de petróleo cru para entrega em janeiro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 57,32, com alta de 1,45%.


Européias
Os principais mercados europeus fecharam em baixa, em dia de volume reduzido de negócios e de expectativa que o Banco Central Europeu anuncie hoje a primeira elevação de sua taxa de juro básico em três anos. O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em queda de 1,23%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 0,46%. Em Frankfurt, o índice Xetra-DAX em queda de 0,12%. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 0,63%. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 0,59%. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em queda de 0,76%.


Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 0,61%. Os investidores ficaram de lado, à espera de indicadores macroeconômicos norte-americanos que serão divulgados esta semana. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 1,41%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 1,04%. O primeiro-ministro de Taiwan anunciou uma série de medidas, como redução de impostos e o destino de recursos para o desenvolvimento urbano, para estimular a economia. Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,2% e o Shenzen Composto recuou 0,2%.

Das agências Estado e Folhapress

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