MERCADO FINANCEIRO
À espera da ata
O Banco Central tentou, mas não conseguiu. O dólar fechou ontem na mínima do dia, apesar dos leilões de swap reverso e de compra de dólares, ambos feitos pelo BC. A pressão está forte na ponta de venda de dólar, principalmente por causa da formação da ptax do último dia do ano, que baseará o vencimento do câmbio futuro. Para conter esse movimento, o BC anunciou o segundo leilão de swap reverso desta semana, marcado para hoje. Na Bovespa, o mercado realizou lucros, acompanhando Nova York. No mercado de DI, a liquidez foi bastante reduzida. As atenções estão voltadas à divulgação da ata do Copom, na quinta-feira.
Câmbio
Os ingressos de recursos no Brasil fizeram o dólar cair 1,43% e fechar a R$ 2,202 na venda, apesar do leilão de swap cambial reverso do Banco Central e da atuação da instituição no câmbio à vista. Trata-se da maior queda percentual em um dia desde 25 de agosto último, quando a moeda norte-americana teve desvalorização de 1,68%. Segundo analistas, as entradas de divisas superaram as saídas ontem. Somente uma empresa do setor de telecomunicações teria trazido US$ 300 milhões para o país.
Balança
Os analistas destacam também como positivo o superávit da balança comercial brasileira, que já ultrapassa US$ 40 bilhões no ano, resultado de exportações de US$ 106,044 bilhões e importações de US$ 66,017 bilhões. Diante das entradas de dólares, os leilões do BC não tiveram força para elevar a cotação da moeda. No ''swap cambial reverso'', operação que tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro, a autoridade conseguiu vender os 10,5 mil contratos ofertados - equivalente a US$ 525 milhões. Já na atuação no câmbio à vista, de acordo com operadores, a instituição aceitou 13 propostas para compra e pagou no máximo R$ 2,208 por dólares.
Futuro
Na BM&F, os cinco vencimentos de dólar futuro negociados ontem projetaram quedas acima de 1%, com giro 39% maior ante sexta-feira, de US$ 10 bilhões e 201.690 contratos. O dólar dezembro projeta baixa de 1,50% a R$ 2,204; e o vencimento mais longo, para abril/2006, indica recuo de 1,35% a R$ 2,299. A desvalorização externa do dólar ante as moedas da Europa e o iene japonês e o fluxo cambial positivo no mercado interno também favoreceram o recuo das cotações à vista, afirmaram os players consultados. Pela manhã, o recuo do risco Brasil até 336 pontos - abaixo da mínima história de fechamento, que é de 337 pontos - também estimulou a oferta de dólar. Às 17h43, no entanto, o risco País já subia 1,17% (4 pontos) a 345 pontos-base.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo abriu em alta mas inverteu o movimento no período da tarde influenciada pelo desempenho negativo em Wall Street e fechou com baixa de 1,76%, aos 31.357 pontos. No horário do fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caía 0,43%. A Bolsa eletrônica Nasdaq recuava 0,97%. Ao longo do dia, o Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista- chegou a subir 1,35% e atingir 32.350 pontos.
Destaques
Segundo analistas, a queda nas Bolsas dos EUA impulsionou um movimento de realização de lucros do mercado acionário brasileiro. Entre os destaques de quedas do Ibovespa ontem ficaram as ações preferenciais ''A'' da Braskem e ordinárias da Petrobras, com perdas de 4,68% e 4,33%, respectivamente. Os dois papéis mais negociados do índice - preferencial ''A'' da companhia Vale do Rio Doce e preferencial da Petrobras - também fecharam em queda, o que influenciou ainda mais o movimento negativo da Bolsa. A ação da Vale caiu 1,97% e a preferencial da Petrobras, 3,67%.
Giro
Apesar do movimento negativo na Bovespa, o volume financeiro somou R$ 1,558 bilhão, melhor do que na sexta-feira, quando ficou reduzido a R$ 1,057 bilhão, por causa do feriado nos EUA (Dia de Ação de Graças) na quinta-feira passada.
Petróleo
O preço do petróleo fechou em queda. As previsões do tempo nos EUA mais uma vez ditaram o ritmo dos movimentos das cotações da commodity. O barril do petróleo cru para entrega em janeiro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia negociado a US$ 57,36, baixa de 2,3%. Com a expectativa de clima mais ameno no nordeste do país (região que mais consumo combustível para calefação), o temor de uma disparada na demanda pelo produto diminuiu.
Na Europa
Os principais mercados europeus fecharam em baixa nesta segunda-feira, influenciadas pela abertura fraca das bolsas norte-americanas e queda no preço do petróleo. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 0,84%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 0,55%. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 0,52%.O mercado de ações da Alemanha fechou com o índice Xetra-DAX, da Bolsa de Frankfurt, em queda de 0,34%. A Bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 0,35% e em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta 0,19%.
Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,12%. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou praticamente estável, em alta de 0,04%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 1,23%. O mercado foi liderado pelas ações dos setores de turismo e eletrônica, em meio à expectativa de fortes gastos dos consumidores norte-americanos com equipamentos eletrônicos nas últimas semanas do ano. Na China, o índice Shangai Composto e o Shenzen Composto fecharam em baixa de 0,4% cada um, depois de três dias de ganhos.
Tóquio
A Bolsa de Tóquio voltou a subir com força, levando o índice Nikkei a fechar em nova máxima para quatro anos, em meio a investidores entusiasmados com o potencial efeito da sustentação do dólar frente à moeda japonesa nas ações de tecnologia e exportadoras. O dólar estabeleceu nova máxima em 28 meses ante o iene na Ásia, cotado a 119,87 ienes, nível mais alto desde 7 de agosto de 2003. O índice Nikkei saltou 1,4%. Entre as ações de tecnologia, a fabricante de equipamentos semicondutores Advantest disparou 9,2%; enquanto as ações da Sony ganharam 3,9%. Entre as exportadoras, os destaques foram os papéis das montadoras, como Toyota (+2,7%) e Mazda (+3,3%).
Das agências Estado e Folhapress





