MERCADO FINANCEIRO
Efeito Palocci
Os mercados amanheceram ontem com a expectativa de que Antonio Palocci estava na iminência de deixar o governo. Mas encerraram os negócios com a impressão de que o ministro da Fazenda está mais forte do que se acreditava. Palocci mostrou sintonia com o presidente Lula, que chegou a afirmar que o ministro ''está mais firme do que nunca''. A ata do Fed, outro evento esperado para ontem, indicou que a política de aperto monetário nos EUA pode estar chegando ao fim. Foi uma notícia muito bem recebida nas mesas de operações. Com isso, a Bovespa fechou em alta, com aumento no giro financeiro. Já o mercado de DI manteve suas apostas em um corte de 0,50 ponto na Selic hoje. O dólar, que abriu em alta por causa do leilão de swap reverso, desacelerou antes do fechamento.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo inverteu o movimento no meio da tarde e fechou em alta de 1,22%, aos 31.489 pontos, maior patamar desde o recorde histórico registrado em 3 de outubro último - 31.856 pontos. Ao longo do pregão, a Bovespa chegou a cair mais de 2%. Na avaliação dos analistas, o depoimento do ministro Antonio Palocci (Fazenda), durante audiência na Comissão de Fiscalização de Tributos da Câmara, agradou o mercado e diminuiu a tensão em torno de sua saída do governo.
Fomc
A ata da última reunião do Fomc (sigla em inglês para comitê de mercado aberto do Federal Reserve, o BC americano), quando os juros norte-americanos subiram de 3,75% para 4% ao ano, também contribuiu com a melhora do mercado acionário paulista. No documento, o Fed sinaliza que os riscos de inflação continuam a preocupar, mas indica que a política de aumentos de juros do banco pode estar chegando ao fim.
Ânimo
''Vários aspectos da linguagem dos comunicados terão de mudar em breve, principalmente os que se relacionam com a caracterização e o panorama da política'', diz o documento. Desde o ano passado o Fed vinha dizendo, em todas as atas, que os juros estão subindo a um ritmo ''moderado'' para conter a inflação. O documento animou as Bolsas dos EUA, o que refletiu no mercado doméstico. No horário do fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subia 0,40%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha valorização de 0,56%.
Destaques
Entre as ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Contax ON (6,71%), Tele Leste Celular PN (5,49%) e Eletropaulo PN (5,33%). As maiores baixas foram Belgo Mineira ON (-4,05%), Cemig PN (-3,17%) e Banco do Brasil ON (-1,87%).
Dólar
O dólar subiu 1,07% e fechou ontem a R$ 2,247 - maior cotação do mês - pressionado pelo leilão de ''swap cambial reverso'' do Banco Central. Foram ofertados no leilão 10,5 mil contratos, o equivalente a US$ 525 milhões. Segundo Miriam Tavares, da corretora AGK, há uma ''grande'' demanda por este tipo de operação no câmbio. ''O BC está oferecendo um ativo que o mercado quer, que ele estava demandando'', disse ela sobre o ''swap cambial''.
Equilíbrio
De acordo com Miriam, a operação - que tem o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro - gera um equilíbrio no câmbio, já que há um excesso de liquidez por conta dos ingressos de recursos no país. Já a atuação da instituição no mercado à vista influenciou pouco o valor do dólar. Às 15h28, horário que o BC anunciou leilão de compra no mercado interbancário, a moeda norte-americana subia 1,25%, negociada a R$ 2,251. Como a autoridade monetária aceitou pagar R$ 2,25 por dólar, abaixo da cotação no momento do leilão, a divisa reduziu a alta.
Petróleo
Os contratos futuros de petróleo subiram mais de US$ 1,00 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), impulsionados pelas previsões de temperaturas mais frias na região nordeste dos EUA. Na Nymex, os contratos de petróleo para janeiro fecharam em US$ 58,84 o barril, em alta de US$ 1,14 (+ 1,98%). Em Londres, no sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), os contratos de petróleo Brent para janeiro fecharam em US$ 56,41 o barril, em alta de US$ 1,07.
Na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em alta de 0,35%. As ações do setor de petróleo subiram, em reação à alta dos preços do produto. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em baixa de 0,12%. As ações do setor automotivo caíram, devido à realização de lucros, depois dos ganhos recentes. Em Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em leve alta de 0,08%. Traders disseram que o movimento foi contida pela abertura fraca das Bolsas dos EUA e pela forte queda das ações da DaimlerChrysler. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 0,16%. As ações da Parmalat subiram 1,03%, recuperando parte do terreno perdido nos últimos dias, em meio à incerteza quanto ao resultado dos vários processos judiciais em que a empresa está envolvida. As da Alitalia caíram 13,27%, depois de um integrante do governo Berlusconi dizer que o futuro da empresa será discutido pelos ministros nesta semana. A Bolsa de Madri fechou em baixa de 0,12%; e Lisboa recuou 0,08%
Asiáticas
A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 1,92%. As vendas de ações do setor de tecnologia por parte de estrangeiros ganharam força. Samsung Electronics caiu 5% e Hynix Semiconductor despencou 8,3%, em meio a preocupações de que a nova joint venture da Intel com a Micron Technology para fabricar chips vai elevar a concorrência e prejudicar a lucratividade daquelas empresas. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 0,72%, com as ações do setor de tecnologia também prejudicadas pelo acordo da Intel. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng estável. Na China, os índices Shangai Composto e Shenzen Composto terminaram em baixa de 1,9% cada um, com realização de lucros. O declínio foi liderado por ações do setor petrolífero.
Japão
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta pelo quinto pregão consecutivo, com papéis de companhias de petróleo, de mineradoras, entre outros, favorecidos por expectativas de continuidade à atual tendência positiva. O índice Nikkei fechou o dia em alta de 0,2%, maior nível desde dezembro de 2000. Mas o índice Topix, de todas das ações negociadas na primeira sessão, caiu, em parte, por realização de lucros no setor bancário. O índice fechou em baixa de 1,02 pontos ou 0,1%, em 1.526,54 pontos.
Das agências Estado e Folhapress





