Fatores técnicos
Pelo segundo dia consecutivo, os mercados se voltaram ontem mais para fatores técnicos do que políticos. Nos juros, as taxas caíram mais um pouco, reforçando a expectativa de que o Copom cortará a Selic em 0,50 ponto. Já as cotações do dólar, como se esperava, subiram logo na abertura, diante do leilão de swap reverso anunciado pelo Banco Central. Depois do leilão, a moeda norte-americana subiu ainda mais, fechando na máxima do dia. A Bovespa operou sem definição e encerrou os negócios praticamente estável. O destaque foi o aumento no movimento financeiro, provocado pela abertura de capital da Cosan e pelo leilão de venda de ações do Itaú. Para a próxima semana, o mercado estará atento à minuta do Fed, à reunião do Copom e à votação da CPI dos Bingos, que poderá convocar Palocci a depor.

Juros
O mercado de juros manteve o bom humor verificado na quinta-feira. As taxas recuaram um pouco mais, confirmando que cresce, aos poucos, a aposta em um corte na taxa Selic mais ousado do que foi na reunião do mês passado. Mas, mesmo com a queda dos DIs ontem, a hipótese de que o juro será reduzido em 0,5 ponto porcentual continua, de longe, a mais provável: o contrato com vencimento em dezembro de 2005 precifica 80% de chance de a Selic cair para 18,5%, ante 20% de a redução ser para 18,25%. Ontem, o DI com vencimento em janeiro/06 liderou a liquidez, com 178 mil contratos (taxa de 18,25%), seguido pelo DI janeiro/07, com 162 mil contratos (taxa de 17,13%); e DI dezembro/05, com 144 mil contratos (taxa de 18,60%).


Bovespa
A menor tensão política, o retorno dos investidores estrangeiros e o desempenho positivo do mercado acionário norte-americano ajudaram a Bolsa de Valores de São Paulo a fechar positiva, embora com valorização moderada de 0,05%, após subir 0,29% no dia. A alta de ontem foi a terceira seguida. Com isso, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - acumulou ganho de 1,94% na semana.

Destaques
O volume financeiro negociado na Bovespa totalizou R$ 2,209 bilhões, inflado basicamente por um leilão de ações do Itaú que movimentou mais de R$ 500 milhões. Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Light ON (11,22%), Tele Centro Oeste PN (2,94%) e TIM Par PN (+,91%). As maiores baixas foram Comgás PNA (-4,16%), Itaubanco PN (-3,22%) e Contax PN (-3,04%).


Câmbio
A retomada do leilão de ''swap cambial reverso'' do Banco Central fez o dólar subir 1,78% ontem e fechar a R$ 2,230 - segunda maior cotação do mês. Com a alta desta sexta-feira, a moeda acumula valorização de 3,04% na semana. No mês, entretanto, ainda tem queda de 1,02%. O leilão ocorreu por volta das 12h30 e, segundo analistas, a instituição vendeu 8.400 contratos, o equivalente a cerca de US$ 400 milhões.

Swap reverso
Desde 22 de março a autoridade monetária não realizava o ''swap cambial reverso'', que tem o efeito de uma compra de dólar no mercado futuro.
Nesta operação, o BC oferece aos investidores contratos com remuneração atrelada aos juros (Selic) em troca (''swap'' em inglês) da variação do câmbio em um determinado período. Os contratos são chamados de ''reversos'' porque em condições normais é o BC quem paga a variação do câmbio e recebe uma taxa de juros.


Nos EUA
Às 18h30, em Nova York, o Dow Jones subia 0,40%, o Nasdaq avançava 0,29% e o S&P 500 operava em alta de 0,43%. O preço do petróleo fechou em queda. O barril do petróleo cru para entrega em dezembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 56,14, baixa de 0,35%. Durante o dia, o barril chegou a ser negociado a US$ 55,40.


Na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres, fechou em alta de 0,71%. A alta foi liderada pelas ações das mineradoras, que subiram em reação à alta dos preços dos metais.As ações do setor de petróleo também subiram, apesar da baixa dos preços do produto. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 0,73%). Traders disseram que o mercado foi influenciado pela alta do Nasdaq nos Estados Unidos. Em Frankfurt, o mercado de ações fechou com o índice Xetra-DAX em alta de 0,47%. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 0,42%. Traders disseram que houve pouca atividade no mercado, com o fim da temporada de divulgação dos resultados das empresas no terceiro trimestre. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em alta de 0,78%. Traders disseram que o mercado devolveu parte dos ganhos pressionado pelas preocupações relacionadas a um possível aumento das taxas de juro, geradas após os comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

BCE
O presidente do BCE disse que depois de dois anos e meio de manutenção das taxas de juro num ''nível historicamente e excepcionalmente baixo'', o conselho de diretores está pronto para tomar uma decisão de elevar moderadamente o presente nível das taxas do BCE para lidar com o ''nível de riscos para a estabilidade de preços que temos identificado''. ''Nós vamos, portanto, retirar parte da acomodação que está presente na atual posição da política monetária, embora a política vá permanecer acomodatícia'', disse Trichet.


Asiáticas
A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 1,43%. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,64%. O encontro do presidente norte-americano George W. Bush com líderes chineses neste final de semana e a listagem do Link, um fundo de investimento no setor imobiliário, serão o foco da próxima semana. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 0,23%. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em alta de 2% e o Shenzen Composto com ganho de 2,5%.

Tóquio
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, atingiu a maior cotação em quatro anos, fechando a sexta-feira em 14.623,12 pontos, depois de somar 211,33 pontos (1,5%) durante o pregão. Foi o nível mais elevado desde 14 de dezembro de 2000. O enfraquecimento do iene, a recuperação da bolsa norte-americana, a queda do petróleo e os números favoráveis sobre o desempenho da indústria de semicondutores alimentou expectativas de que os exportadores japoneses irão se beneficiar de potencial aumento na demanda por seus produtos. O mercado foi embalado ainda por um crescente entusiasmo com os resultados das companhias japonesas, atraindo especialmente investidores do varejo e institucionais.

Das agências Estado e Folhapress

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