Bom humor
Depois de alguns dias com muita agitação, o bom humor voltou aos mercados ontem. O estopim da mudança de comportamento foi o depoimento do ministro Palocci, encerrado na madrugada de quinta-feira. Os juros fecharam em baixa, embutindo expectativa majoritária de redução de 0,50 ponto na Selic, além de algumas poucas apostas de um corte maior. A Bovespa subiu, ajudada ainda pelas altas em Wall Street e com a recuperação de perdas de algumas ações com peso no índice. O dólar caiu ainda mais, mas deve abrir em alta hoje por causa do anúncio feito pelo BC no início da noite de um leilão de swap reverso.

Juros
As taxas de juro futuras recuaram mais um pouco, refletindo ajustes nas apostas para a reunião do Copom da próxima semana. Segundo operadores, começa a aumentar, ainda que lentamente, a corrente dos que esperam a aceleração do corte de juros. E, na opinião de profissionais, é provável que essa possibilidade ganhe terreno nos contratos até quarta-feira, dia em que o Copom define o rumo da Selic.

Selic
A aposta de que a Selic será reduzida em 0,5 ponto porcentual continua sendo majoritária - nas contas de operadores, o contrato mais curto, com vencimento em dezembro/05, indica que há 85% de chance de a Selic cair para 18,5%, contra 15% de chance de a taxa cair para 18%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) As projeções de taxas para dezembro -o vencimento mais próximo- passaram de 18,67% para 18,65%. No contrato mais negociado, o de abril de 2006, as estimativas de juros caíram de 17,70% para 17,67%.

Dólar
O dólar manteve o ritmo de queda retomado quarta-feira e encerrou o dia com baixa de 0,58%, vendido a R$ 2,191. Na avaliação de analistas, o fato de o ministro Antonio Palocci (Fazenda) ter antecipado sua ida à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado repercutiu bem no mercado e reduziu as especulações sobre a possibilidade de ele deixar o governo no curto prazo. Inicialmente, o depoimento do ministro na CAE estava marcado para o próximo dia 22.

Sem pressão
Com a menor tensão política, a atuação do Banco Central (BC) no câmbio realizada ontem à tarde não chegou a pressionar a moeda norte-americana. De acordo com operadores, a autoridade monetária aceitou 22 propostas para compra hoje e pagou no máximo R$ 2,186 por dólar. O cenário externo positivo também contribuiu com a tranquilidade do mercado de câmbio no dia. No final da tarde, o risco-país caía 1,4%, para 349 pontos. O indicador em baixa é sinal de confiança em alta.

Bovespa
O movimento no mercado acionário paulista ontem foi o mais tranquilo dos últimos dez dias úteis. A Bolsa de Valores de São Paulo abriu estável, começou a subir logo em seguida e fechou com alta de 1,98% -maior valorização percentual desde o dia 1 deste mês, quando subiu 2,34%. O volume financeiro somou R$ 1,667 bilhão no dia.

Ritmo
''Os agentes do mercado agem no sentido de atenuar as pressões decorrentes das denúncias que vêm sendo imputadas ao ministro da Fazenda, a partir da sua decisão de antecipar a sua fala para os senadores'', afirmou Sidnei Moura Nehme, da NGO Corretora. O desempenho positivo das Bolsas norte-americanas também ajudou a Bovespa a manter o ritmo de alta. No encerramento do pregão da Bolsa paulista, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subia 0,33%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha alta de 1,1%.

Destaques
Entre as ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Usiminas PNA (7,03%), Contax ON (6,03%) e Contax PN (5,99%). Apenas seis ações do índice fecharam em queda. As maiores baixas foram Embraer ON (-2,91%), Embraer PN (-2,16%) e Sabesp ON (-0,90%).

Petróleo
Em Nova York, os contratos de petróleo para dezembro fecharam em US$ 56,34 o barril, em queda de US$ 1,54 (-2,66%). Em Londres, no sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), os contratos de petróleo Brent para janeiro fecharam em US$ 54,85 o barril, em queda de US$ 1,15.

Europa
O mercado de ações da Alemanha fechou com o índice Xetra-DAX em alta de 0,36%. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 0,61%. Traders disseram que o mercado foi influenciado pela abertura positiva das bolsas dos Estados Unidos. A alta foi liderada pelas ações do setor de energia, depois da alta dos preços do petróleo na quarta-feira. A Bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em alta de 0,51%, em meio a uma sessão mais quieta com o fim da temporada de balanços, disseram traders. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 0,13%, com as principais blue chips registrando desempenhos desiguais, disseram traders.

Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,94%. O mercado foi liderado por uma recuperação do setor imobiliário. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 0,17%. Os investidores compraram ações de bancos e corretoras, em meio ao crescente otimismo com a recuperação da economia doméstica. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em baixa de 0,42%. Na China, o índice Shangai Composto caiu 0,05% e o Shenzen Composto subiu 0,03%. A Bolsa de Tóquio registrou mais um pregão de alta forte, levando o índice Topix à máxima em cinco anos, puxado pela demanda dos investidores por papéis do setor imobiliário e financeiro. O índice Topix da primeira sessão, onde são negociados os papéis de grandes companhias, subiu 23,99 pontos ou 1,6% e fechou o dia em 1.510,33 pontos, maior nível desde 4 de outubro de 2000. O índice Nikkei 225 terminou a sessão em alta de 240,92 pontos (1,7%), em 14.411,79 pontos, maior cotação em quatro anos.

SOBE
Bovespa

DESCE
Dólar
Risco País

Das agências Estado e Folhapress

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