MERCADO FINANCEIRO
Palocci agrada
A decisão do ministro Antonio Palocci de se pronunciar na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado foi bem recebida pelos mercados. E a fala do ministro reforçou essa boa expectativa. Com isso, bolsa, dólar e juros devolveram as perdas (ou parte delas) registradas na segunda-feira passada, quando rumores sobre a sua saída da Fazenda causaram apreensão. Ontem, a bolsa voltou a subir, enquanto câmbio e juros caíram. Operadores ressaltaram, no entanto, que continua indefinida a situação de Palocci. Até porque o presidente da CPI dos Bingos manifestou intenção de votar, na próxima semana, a convocação do ministro.
Bovespa sobe
O evento mais esperado na Bolsa de Valores foi a audiência pública com o ministro Antonio Palocci na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Na segunda-feira, a bolsa fechou em baixa refletindo preocupações do mercado com uma eventual saída de Palocci da Fazenda. Ontem, a bolsa operou no azul na maior parte do dia em razão da expectativa em torno do depoimento do ministro. E acentuou o movimento positivo quando Palocci começou a falar. O Ibovespa fechou em alta de 0,87%, com 30.482 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular altas de 0,96% em novembro e de 16,36% em 2005. O movimento financeiro ficou em apenas R$ 1,251 bilhão.
Bem vista
''Foi boa a estratégia do Palocci de ir ao Senado hoje (ontem)'', comentou um operador. ''O mercado estava esperando por uma iniciativa desse tipo e reagiu positivamente'', completou. Operadores disseram, no entanto, que a atitude de Palocci foi bem vista, mas não foi definitiva em relação às denúncias. Tanto que poucos minutos antes das 18 horas, o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Moraes (PFL-PB), disse que a CPI deverá votar, na próxima semana, requerimento para convocar o ministro.
Disputa
''A questão é que há uma disputa política, eleitoral, visando 2006. Aí, é difícil acreditar que a situação política vá se acalmar tão cedo. Sobre as denúncias contra o Palocci, ainda vamos ter que aguardar os desdobramentos da audiência de hoje (ontem)'', resumiu um operador. O fato é que a Bovespa acentuou o movimento de alta depois que o ministro começou a falar. O Ibovespa chegou a atingir a máxima do dia em alta de 0,98%. Quando foi aberta a sessão da CAE, o índice subia 0,65%. Operadores destacaram, no entanto, que o volume financeiro foi bastante reduzido.
Destaques
Entre as ações que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Contax PN (6,90%), Contax ON (6,78%) e Embraer ON (6,04%). As maiores baixas foram Banco do Brasil ON (-3,62%), Comgás PNA (-3,49%) e Copel PNB (-2,91%).
Juros
As declarações de Palocci do Senado trouxeram um certo alívio ao mercado financeiro, que aguardou, ansioso, pelo depoimento durante todo o dia. As negociações com juros futuros já haviam sido encerradas no pregão viva-voz. Ainda foi possível observar, no entanto, a reação no pregão eletrônico: o DI com vencimento em janeiro/07 foi à mínima do dia, de 17,19% (de 17,29% na segunda-feira). O DI mais líquido foi o com vencimento em abril/06, que teve sua taxa reduzida de 17,44% na segunda-feira para 17,69% ontem. ''O mercado continua colocando as fichas na idéia de que o corte do juro será acelerado a partir de março, independentemente do que acontecer no cenário político'', afirma um operador.
Nos Estados Unidos
Em Nova York, às 18h45, o Dow Jones caía 0,13%, o Nasdaq avançava 0,03% e S&P 500 subia 0,15%. Na Nymex, os contratos de petróleo para dezembro fecharam em US$ 57,88 o barril, em alta de US$ 0,90 (+1,58%).
Dólar
O dólar voltou a cair ontem, depois de subir 2,12% na segunda-feira e interromper um ciclo dez quedas consecutivas. A moeda norte-americana fechou em baixa de 0,27%, a R$ 2,204. A divisa reduziu um pouco a baixa após a atuação do Banco Central no câmbio. Por volta das 15h, quando a autoridade monetária anunciou o leilão de compra, o dólar recuava 0,49%, negociado a R$ 2,199. Segundo analistas, a instituição aceitou ontem 12 propostas de venda e pagou no máximo R$ 2,1990 por dólar. Pela manhã, a divisa chegou a cair 0,81%.
Européias
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em queda de 0,18%. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 0,68%. Traders disseram que, na ausência de impulso por parte das Bolsas dos EUA, o mercado francês refletiu a perspectiva fraca de investimentos na própria França. O índice Xetra-DAX da bolsa de valores de Frankfurt fechou em queda de 0,57%. Traders disseram que o mercado alemão foi influenciado pela abertura em baixa das bolsas dos Estados Unidos. Hoje, o mercado alemão estará atento ao indicador de produção industrial da zona do euro e ao índice de atividade do Fed de Filadélfia. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em baixa de 0,16%. A queda foi atribuída sobretudo ao desempenho fraco das ações do setor de energia. A Bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 0,62%. Somente a bolsa de Lisboa, fechou na contramão ontem. O índice PSI-20 fechou em alta de 0,20%.
Asiáticas
Depois de dois dias seguidos de declínios, a bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em alta de 0,8% e o Shenzen Composto com ganho de 0,7%. As ações do setor siderúrgico comandaram as valorizações. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 1,06%, puxado pelos ganhos das ações de tecnologia e do setor financeiro. A expectativa é que as empresas desses setores vão registrar bons lucros no próximo ano. Um analista prevê que a ampla liquidez deve continuar favorecendo o mercado coreano. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,16%. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 0,26%. As compras de ações de empresas eletrônicas e de displays de tela plana ofuscaram as preocupações com a disseminação da gripe aviária.
Tóquio
As ações fecharam em alta em Tóquio, influenciadas pela apreciação do dólar contra o iene, a qual atraiu investidores para papéis como Nissan, Matsushita Electric Industrial, TDK, entre outros dos segmentos de exportação e tecnologia. No final da sessão, o índice Nikkei registrava alta de 0,6%. Os papéis da Nissan, segunda maior montadora do Japão, fecharam em alta de 3,5%. enquanto os da Toyota somaram 2,8%, para fechar no maior nível do ano. As ações da Mitsubishi Motors registraram o maior ganho no setor, terminando o dia com valorização de 9,8%. A alta reduziu um pouco as perdas acumuladas nas seis sessões anteriores, quando suas ações caíram 31%.
SOBE
Bovespa
Petróleo
DESCE
Dólar
Juros
Das agências Estado e Folhapress





