Clima de incerteza
Depois de cinco meses de crise política, com impacto reduzido nos mercados, as mesas de operações agora mostram preocupação com as seguidas denúncias que envolvem o ministro Antonio Palocci, da Fazenda. E principalmente com os rumores que se seguem a essas denúncias, de que ele poderia deixar o governo. Foi nesse clima de incerteza que os mercados negociaram ontem, entre o fim de semana e o feriado nacional de hoje. Ao contrário do que normalmente acontece nessas ocasiões, o volume negócios cresceu nos mercados futuros. O dólar fechou em forte alta, também apoiado em decisão do BC sobre os leilões de swap cambial. Os juros acompanharam o dólar e também refletiram a alta. A liquidez só foi reduzida na Bovespa, que caiu com Palocci e à espera de indicadores da economia dos EUA.

Bovespa cai
A tensão política interna e a instabilidade no mercado acionário norte-americano guiaram a Bolsa de Valores de São Paulo ontem, que fechou com queda de 0,96%, aos 30.218 pontos. Ao longo do dia, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista- chegou a cair 1,84%.

Especulações
Segundo analistas, com o feriado de hoje no Brasil (Proclamação da República) e diante das especulações sobre a possibilidade de o ministro Antonio Palocci (Fazenda) deixar o governo, o mercado preferiu manter cautela. O quadro externo também não ajudou muito. No horário do fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, operava perto da estabilidade (+0,04%), enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq recuava 0,12%.

Banco do Brasil
Um dos destaques de queda do Ibovespa ontem foi a ação ordinária do Banco do Brasil, que teve perdas de 3,75% no dia, apesar do lucro registrado pelo banco no terceiro trimestre, superando os resultados do Bradesco e do Itaú no período. O BB informou que lucrou R$ 1,438 bilhão de julho a setembro, uma expansão de 72,7% em relação a igual período de 2004. O banco informou, entretanto, que esse desempenho foi influenciado ''por um ganho extraordinário de R$ 565 milhões'', referente à devolução de uma cobrança tributária indevida. Ou seja, excluindo esse ganho extraordinário, o lucro do banco no trimestre foi de R$ 873 milhões, menor do que as estimativas de analistas do mercado, que apontavam para um resultado acima de R$ 900 milhões.

Volume reduzido
Por ser véspera de feriado, o volume financeiro na Bovespa ficou reduzido a R$ 870,121 milhões ontem, bem abaixo da média diária de novembro, de R$ 1,778 bilhão até a última sexta-feira. Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Bradesco PN (2,36%), Contax ON (1,72%) e Petrobras ON (1,57%). As maiores baixas foram Tele Leste Celular PN (-4,94%), Banco do Brasil ON (-3,76%) e Eletrobras ON (-3,48%).


Dólar
O aumento da tensão política e a expectativa com as operações de ''swap cambial reverso'' do Banco Central pressionaram o dólar ontem. A divisa subiu 2,12% no dia, interrompendo uma sequência de dez quedas, e fechou a R$ 2,21.
Também colaborou com a alta da moeda norte-americana o leilão de compra do BC no mercado à vista. No momento do anúncio do leilão da autoridade monetária, o dólar era negociado com alta de 1,89%, a R$ 2,205. Segundo analistas, a instituição aceitou apenas quatro propostas para compra e pagou no máximo R$ 2,204 por dólar.


Swap reverso
Na noite da última sexta-feira, o BC informou que poderá realizar leilões de ''swaps cambiais reversos'' em qualquer dia da semana, e não mais semanalmente. Nesse tipo de operação, o BC oferece aos investidores contratos com remuneração atrelada aos juros (Selic) em troca (''swap'' em inglês) da variação do câmbio em um determinado período. O contrato é chamado de ''reverso'' porque o normal é o contrato oferecer a variação do dólar em troca da oscilação dos juros. Na prática, o BC, ao emitir esses papéis, aquece a demanda pela moeda norte-americana, o que pode barrar novas quedas ou até mesmo elevar a cotação do dólar. Desde o dia 9 de março o BC não realiza 'swap cambial'. Na nota divulgada na última sexta-feira, o BC informa ainda que as características de cada leilão serão anunciadas no dia anterior à sua realização.


Juros
A disparada do dólar também contribuiu para o clima negativo nos DIs. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) houve aumento da cautela nos contratos a longo prazo. A taxa do contrato DI de abril de 2006 terminou em 17,76%, contra 17,71% no fechamento anterior. A do DI de janeiro de 2007 projetava 17,29%, contra 17,12% na sexta-feira. A curto prazo, no entanto, valeu a percepção de que o Copom cortará a Selic em novembro, possivelmente em 0,5 ponto, e o DI de janeiro de 2006 chegou ao final da sessão praticamente estável, em 18,35%, de 18,34% na sexta-feira.


Dívida
O quadro político também pressiona o mercado da dívida e o BR40, por volta de 18h30, estava em queda de 0,82%, cotado a 120,400 centavos por dólar. O risco Brasil subia 3 pontos-base, para 352 pontos.

Na Europa
O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 4,9 pontos (0,09%). Traders disseram que o mercado operou ''de lado'', em dia de alta modesta dos preços do petróleo e de notícias sobre fusões e aquisições. As ações da BPs subiram 1,54% e as da Shell avançaram 0.87%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 11,96 pontos (0,26%). Os volumes foram reduzidos, em dia fraco em termos de notícias. O mercado de ações da Alemanha fechou com o índice Xetra-DAX em alta de 1,68 ponto (0,03%). Traders disseram que o mercado fez uma pausa para tomar fôlego, depois do forte desempenho recente. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 50 pontos (0,15%).

Asiáticas
A bolsa de Jacarta completou cinco sessões em baixa, com os investidores desmontando posições em ações de companhias mais sensíveis às mudanças na política monetária. O índice JSX Composto encerrou o dia em queda de 1,04%. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 0,75%. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 0,12%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 0,14%. A Bolsa de Tóquio fechou em baixa, após uma sequência de três dias em alta, refletindo as perdas das ações dos bancos e a forte queda da Mitsubishi Motors, em reação à notícia de que a Goldman Sachs vendeu a participação na montadora. O Nikkei-225 caiu 0,3%.


Das agências Estado e Folhapress

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