Petrobras pressiona Bovespa
As ações da Petrobras empurraram o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para baixo ontem. O Ibovespa fechou em baixa de 0,69%, aos 30.510 pontos, acumulando na semana desvalorização de 1,22%. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras caíram 2,95% e 2,50%, respectivamente. Além disso, ficaram entre os mais negociados do índice. Só a ação preferencial da estatal respondeu por 18,8% do volume negociado no mercado, que somou R$ 1,383 bilhão.

Menor que o previsto
A estatal divulgou ontem que registrou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões nos primeiros nove meses do ano e de R$ 5,6 bilhões no terceiro trimestre, o que mostra expansão de 23% e 27%, respectivamente, sobre os mesmos períodos de 2004. O lucro da estatal, apesar de robusto, ficou abaixo do previsto para o terceiro trimestre. Luiz Caetano, da Brascan Corretora, projetava um lucro em torno de R$ 6,243 bilhões para a Petrobras entre julho e setembro. Caetano destaca os aumentos dos custos da companhia. Segundo ele, comparado com o segundo trimestre de 2004, o custo de extração (com participações governamentais) subiu 16% e o de refino cresceu 19%.


Queda na produção
Além disso, ele ressalta que no terceiro trimestre deste ano a produção média (interna e externa) caiu 1% em relação ao período anterior. ''O resultado da empresa foi melhor do que no trimestre anterior, principalmente com o aumento de vendas e preços, mas as margens de retorno foram piores'', avalia. ''Apesar deste resultado pior que o esperado, continuamos indicando a compra destas ações, em razão da expectativa de crescimento da produção e vendas nos próximos anos, que devem proporcionar uma forte elevação dos lucros da Petrobras'', acrescentou.

Destaques
Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Contax PN (2,00%), Siderúrgica Nacional ON (1,80%) e Bradesco PN (1,48%). As maiores baixas foram Net PN (-5,88%), Embraer ON (-4,10%) e Embratel Par PN (-3,61%).


Dólar
O dólar fechou em queda ontem pelo décimo dia seguido e já se aproxima dos R$ 2,16. A baixa ontem foi de 0,23%, para R$ 2,164 na venda -menor valor desde abril de 2001. Em dez dias, a divisa acumula desvalorização de 5,54%. Na semana, recuou 1,8%. Com o forte fluxo de recursos em direção ao Brasil, as atuações do Banco Central não têm impedido a queda do dólar. A instituição vem realizando leilão para a aquisição da divisa diariamente. Ontem, segundo operadores, a autoridade monetária aceitou 20 propostas de compra e a pagou no máximo R$ 2,162 por dólar.

Juros e risco
Além das captações e das exportações, colaboram com a entrada de capitais no país os juros altos e a queda do risco-país. A taxa básica (Selic) brasileira está em 19% ao ano, bem superior, por exemplo, do que a dos EUA, de 4% ao ano. O risco-país brasileiro -termômetro da confiança dos estrangeiros na capacidade de o Brasil honrar suas dívidas- estava no final da tarde em 349 pontos, o que significa uma queda de 3,6% no mês, até quinta-feira. Ontem, por conta do feriado nos EUA (Dia do Veterano), não teve cotação do indicador.


Nos EUA
O mercado norte-americano de ações fechou com os principais índices em alta. Todos eles tiveram uma semana positiva: esta foi a terceira semana consecutiva de altas para o Dow Jones e o Standard & Poor's-500 e a quarta consecutiva de ganhos no caso do Nasdaq. O Dow Jones fechou em alta de 0,43%. O Nasdaq fechou em alta de 0,26% e o Standard & Poor's-500 subiu 0,31%.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo caíram para nova mínima em quatro meses na New York Mercantile Exchange (Nymex). Os contratos de petróleo para dezembro fecharam em US$ 57,53 o barril, em queda de US$ 0,27 (-0,47%). Em Londres, no sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), os contratos de petróleo Brent para dezembro fecharam em US$ 54,99 o barril, em queda de US$ 0,69.

Na Europa
Os principais mercados europeus tiveram desempenhos positivos ontem. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em alta 0,77%. As ações do setor financeiro estavam entre as que mais subiram. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 1,27%. Os volumes foram reduzidos, por causa de um feriado local. Traders atribuíram a alta à influência da baixa dos preços do petróleo e do avanço do dólar frente ao euro. O mercado de ações da Alemanha fechou com o índice Xetra-DAX em alta de 1,50%. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 1,16%. A Bolsa de Madri subiu 0,69%; e a de Lisboa 0,72%.


Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,73%. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 1,76%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 1,45%. Na China, os índice Shangai Composto subiu 0,2% e o Shenzen Composto ganhou 0,4%, com o mercado consolidando-se depois de romper uma resistência importante. A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 0,53%, novo recorde em quatro anos. A expansão de 0,4% do PIB do país no terceiro trimestre deste ano na comparação com o segundo ficou acima do crescimento previsto de 0,3% e ajudou o mercado. Em termos anualizados, o PIB cresceu 1,7%, sustentado pelo sólido consumo privado e pelos gastos com capital. O otimismo com a economia estimulou ganhos em ações dos setores imobiliário, de construção, bancário e de outros setores que deverão se beneficiar do crescimento.

Das agências Estado e Folhapress

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