MERCADO FINANCEIRO
Volta por cima
Os mercados deram a volta por cima no final da tarde de ontem, depois de uma abertura negativa provocada por preocupações com o IPCA de outubro e notícias de que o ministro Palocci poderia deixar o governo. No fim do dia, o cenário mudou, com a melhora dos ativos no exterior e também com uma avaliação menos pessimista do IPCA. Além disso, ex-assessores de Palocci pouparam o ministro em seus depoimentos na CPI dos Bingos. A Bovespa reverteu a queda nos últimos minutos do pregão, os juros abandonaram a alta e fecharam praticamente estáveis. Já o dólar, que abriu pressionado, voltou a cair com fluxo externo e apostas na continuidade do movimento de baixa.
Bovespa
A bolsa paulista passou todo o dia em queda, mas virou o jogo nos últimos minutos. A pressão de baixa veio da política brasileira, do IPCA, da venda de ações com peso no Ibovespa e também de Wall Street. A virada aconteceu depois do depoimento de ex-assessores de Palocci que negaram a reportagem sobre o ''dinheiro de Cuba'' e da boa melhora nas bolsas em Nova York. O Ibovespa fechou em alta de 0,19%, com 30.724 pontos. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular altas de 1,76% em outubro e de 17,29% em 2005. O movimento financeiro ficou em R$ 2,262 bilhões.
Política
O dia começou negativo para a bolsa. Nos jornais, apareciam notícias dando conta de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teria reclamado ao presidente Lula das críticas feitas à política econômica pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). E que as seguidas denúncias contra ele (Palocci) poderiam levá-lo a deixar o cargo. Como estava marcado na agenda de ontem da CPI dos Bingos o depoimento de dois ex-assessores de Palocci, o mercado temeu pelo aumento da gravidade do quadro político.
IPCA
No âmbito econômico, caiu mal nas mesas de operações o IPCA de outubro (0,75%), que ficou acima das expectativas. O indicador esfriou em parte as expectativas de que o Copom poderia promover um corte acima de 0,50 ponto porcentual na Selic este mês. E acabou respingando nas operações da bolsa.
Destaques
As maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira foram Embratel Par PN (6,65%), Banco do Brasil ON (4,26%) e Net PN (4,08%). As maiores baixas foram Petrobras ON (-4,53%), Petrobras PN (-3,78%) e Vale ON (-3,53%).
Dólar
O câmbio andou na contramão dos demais mercados domésticos ontem e o dólar cravou a nona queda seguida, fechando na menor cotação desde 12 de abril de 2001. A moeda norte-americana recuou 0,45% e encerrou os negócios valendo R$ 2,169 na venda. Em nove dias, a queda é de 5,32%. Pela manhã, o dólar chegou a subir 0,50%, pressionado por boatos de que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) teria ameaçado deixar o governo, por causa das críticas da colega Dilma Roussef (Casa Civil), e pelo maior volume de compras, principalmente de importadores.
Atuação do BC
Após a atuação do Banco Central, no meio da tarde, o dólar acentuou ainda mais o ritmo de queda. No horário do anúncio do leilão de compra da autoridade monetária, a moeda era negociada com baixa de 0,36%, a R$ 2,171. De acordo com informações do mercado, a autoridade monetária aceitou pagar R$ 2,1715 por dólar e ficou com 18 propostas de 16 bancos credenciados.
Juros
No pregão da BM&F, as taxas futuras dos contratos mais curtos recuaram um pouco. Nos papéis mais longos, as projeções ficaram estáveis. No contrato DI que vence na virada do ano, a taxa caiu de 18,38% para 18,34%.
Nos EUA
O mercado norte-americano de ações fechou em alta, em dia marcado por nova baixa dos preços do petróleo e por queda forte do juro dos títulos do Tesouro. índice Dow Jones fechou em alta de 0,89%. O Nasdaq fechou em alta de 0,96%. E os contratos futuros de petróleo caíram para o menor nível em quase quatro meses, fechando abaixo de US$ 58,00 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex). Em Londres, no sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), os contratos futuros de petróleo Brent fecharam em US$ 55,68 o barril.
Europa
Os principais mercados europeus fecharam com tendências distintas ontem. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 0,30%. O dia foi marcado pela decisão do Banco da Inglaterra de manter sua taxa básica de juros inalterada em 4,5%, pela abertura fraca das Bolsas dos EUA e pela queda dos preços do petróleo. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em baixa de 0,02%. Traders disseram que haverá pouca atividade no mercado francês nesta sexta-feira, por causa de um feriado local. O índice Xetra-DAX, da Bolsa de Frankfurt, fechou em alta de 0,08%. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 0,23%, reagindo a informes de resultados de empresas. As bolsas de Madri e Lisboa também fecharam em baixa - Madri, 0,17%; e Lisboa 0,36%.
Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,25, com as blue chips sustentando os ganhos registrados na quarta-feira. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 0,56%. Na China, o índice Shangai Composto caiu 1,8%, depois de não ter conseguido ultrapassar ontem um nível importante de resistência. O Shenzen Composto perdeu 2,3%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 0,29%. A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 0,06%, o maior nível de fechamento desde 22 de maio de 2001.
Das agências Estado e Folhapress





