Cenário positivo
O cenário externo positivo, com queda dos preços do petróleo, redução dos juros dos EUA e alta das bolsas em Wall Street, criou ontem um ambiente favorável para o mercado doméstico neste início de semana. O fluxo de ingresso de dólares derrubou a moeda norte-americana, ante o real, para o nível mais baixo desde 30 de abril de 2001. No mercado de DI, as projeções de juros caíram mais um pouco. E a Bovespa, num pregão com forte volatilidade, encerrou os negócios no azul.


Dólar tem 6 queda
As atuações do Banco Central têm interferido pouco na cotação do dólar. A divisa norte-americana registrou ontem a sexta queda seguida ao recuar 0,36% e fechar a R$ 2,2040, menor valor desde 27 de abril de 2001, quando encerrou o dia a R$ 2,201. José Roberto Carreira, da corretora Novação, avalia que ''há uma sobra de dólares no mercado'' doméstico. ''Os juros altos continuam atraindo capital estrangeiro para o país'', disse Carreira. Segundo ele, como a autoridade monetária tem comprado pouco no câmbio à vista, não provoca tanta pressão sobre a moeda norte-americana. De acordo com operadores, o BC aceitou ontem 14 propostas de nove bancos para comprar dólares.

Balança
Os bons resultados da balança comercial brasileira também colaboram com a entrada de recursos no Brasil. A balança registrou superávit de US$ 889 milhões na primeira semana de novembro (dias 1 a 6), que contou com apenas três dias úteis. O resultado é a diferença entre as exportações de US$ 2,042 bilhões e as importações de US$ 1,153 bilhão no período. Apesar de poucos dias, a média diária - total negociado por dia útil - está alta. A das exportações está em US$ 680 milhões, acima da registrada no mês de outubro, que foi de US$ 495,2 milhões. Já a média das importações está em US$ 384,3 milhões, contra os US$ US$ 310,9 milhões do mês passado. O superávit de outubro foi de US$ 3,686 bilhões.

Futuro
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, os cinco vencimentos de dólar futuro voltaram a projetar quedas. O contrato mais curto, para 1º de dezembro, indicou baixa de 0,46% a R$ 2221; e para 1º de janeiro de 2007, maior prazo, -0,54% a R$ 2,507. Embora tenha caído 13%, o volume movimentado continuou firme, em US$ 5,73 bilhões, com 114.502 contratos.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem em alta de 0,21%, com as atenções voltadas para os resultados de empresas e o cenário externo. Pela manhã, o Ibovespa -índice da Bolsa paulista- chegou a subir 1,5%. Entretanto, reduziu a alta por conta da instabilidade no mercado acionário norte-americano, que chegou a recuar perto do início dos negócios mas inverteu o movimento depois. No horário do fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subia 0,33%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha valorização de 0,22%.


Unibanco
Os resultados de empresas impulsionam os ganhos na Bolsa paulista. As units do Unibanco subiram 3,65% ontem e tiveram a segunda maior alta do índice, por conta das expectativas com o balanço do banco referente ao terceiro trimestre, que será divulgado na próxima quinta-feira.


Bradesco
O Bradesco (leia matéria ao lado) anunciou que lucrou R$ 4,051 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, o que mostra um aumento de 102,3% em relação aos primeiros nove meses de 2004, que somou R$ 2,002 bilhões. O resultado supera o do Itaú, que no período lucrou R$ 3,827 bilhões. As ações preferenciais do Bradesco, depois de recuarem ao longo do dia, acabaram fechando com alta de 1,15% e ficaram entre as mais negociadas da Bolsa.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo caíram de forma acentuada e fecharam abaixo de US$ 60,00 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), com as temperaturas amenas nos EUA se estendendo pela segunda semana consecutiva, segundo analistas. O tempo mais quente que o normal para esta época do ano na região nordeste dos EUA - maior consumidora de óleo para aquecimento - e nos estados do meio-oeste - principal mercado de gás natural - reduziu a demanda pelos combustíveis, o que colocou pressão sobre os futuros de gás natural, óleo para aquecimento e outros derivados de petróleo. Na Nymex, os contratos de petróleo para dezembro fecharam em US$ 59,47 o barril.


Européias
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em alta de 0,69%. O avanço foi atribuída ao noticiário sobre fusões e aquisições, à alta do dólar nos mercados de câmbio e ao recuo dos preços do petróleo. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 0,11%. O índice Xetra-DAX da bolsa de valores de Frankfurt fechou em alta de 0,58%. A alta foi liderada por ações como DaimlerChrysler, que subiram 1,71%, depois da divulgação das vendas da Mercedes em outubro, e da RWE, que avançaram 1,65% em reação à notícia de que a empresa planeja vender suas unidades de água. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 0,35%. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em alta de 0,08%. Segundo traders, o mercado teve um dia de transações sem definição, com os investidores à espera da última rodada de balanços corporativos. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 0,48%, ajudado pelos ganhos das principais blue chips num dia no geral positivo na Europa.


Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 1,51%. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em baixa de 0,29%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em baixa de 0,87%. Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,1% e o Shenzen Composto, 0,4%, depois de passarem a maior parte do dia em território negativo. Ações de tecnologia e telecomunicações subiram forte minutos antes do fechamento, sustentadas por compras por parte de fundos. A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em queda de 0,10%, depois de cinco dias em alta. Na semana passada, o índice havia acumulado valorização de 5,5%. Houve realização de lucros nos setores de refino de petróleo, tecnologia e maquinário.

Das agências Estado e Folhapress

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