Influência
O número da oferta de empregos nos EUA definiu ontem boa parte do comportamento dos mercados domésticos. Bovespa, dólar e câmbio se posicionaram preventivamente à espera da divulgação desse dado. Mas, como ele veio abaixo do esperado, os mercados reverteram suas posições. Os juros caíram com a participação do investidor estrangeiro e o dólar recuou com fluxo externo, mesmo depois do leilão de compra do Banco Central. A Bovespa chegou a subir, mas acabou se rendendo à realização de lucros depois de ter acumulado alta de 6% em quatro pregões consecutivos.

Juros
A expectativa de empregos nos EUA chegou a pressionar os juros futuros durante a manhã. Mas, constatado um número mais fraco do que o esperado, as taxas voltaram a cair. Os DIs de prazo mais curto encerraram o dia nas mínimas. O mais líquido, com vencimento em janeiro/07, voltou ao nível do ajuste de quinta-feira, com taxa de 17,34%. Segundo operadores, essa melhora, mais uma vez, foi embalada pelo fluxo estrangeiro - que tem sustentado todo o mercado doméstico.

Câmbio
O dólar comercial fechou a semana em queda, pelo quinto dia útil consecutivo, a R$ 2,213 (-0,36%) - menor cotação desde 4 de maio de 2001 (R$ 2,2120). Desde sexta-feira passada, a moeda encerra em baixa e acumula perda de 3,41% no período. Neste mês, a desvalorização contabilizada pelo dólar ante o real é de -1,73% e, no ano, -16,62%.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo interrompeu ontem uma sequência de quatro altas ao fechar com baixa de 0,68%. Apesar disso, acumulou ganhos de 5,34% na semana. Na avaliação de Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, a queda foi impulsionada por um movimento de realização de lucros, após várias altas seguidas. Entre sexta-feira da semana passada e quinta-feira, o Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista- subiu 6,75%.

Nos EUA
Colaborou com o recuo na Bovespa ontem a instabilidade das Bolsas dos EUA, após dados do mercado de trabalho norte-americano, que apontaram a geração de menos postos do que o esperado. Foram criados 56 mil empregos nos EUA em outubro. O número mostra uma recuperação em relação a setembro -quando foram fechadas 8 mil vagas no mercado de trabalho americano-, mas ainda assim ficou abaixo dos 100 mil esperados. No horário de fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, recuava 0,11%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq tinha leve valorização de 0,06%.

Estrangeiros
Os estrangeiros tiraram da Bovespa em outubro R$ 59,070 milhões, resultado de vendas de ações no valor de R$ 12,223 bilhões e de compras de R$ 12,164 bilhões. Entretanto, no acumulado do ano, o saldo de investimento estrangeiro está positivo em R$ 4,026 bilhões. As negociações por meio do Home Broker -operações na internet- apresentaram no mês passado novos recordes em volume financeiro. Foram movimentados R$ 4,36 bilhões, superando a máxima histórica registrada em setembro.

Destaques
As maiores altas do Ibovespa ontem foram TIM Par ON (4,03%), Sadia PN (3,94%) e Tele Leste Celular PN (3,67%). As maiores baixas foram Telesp Celular Par PN (-5,13%), Petrobras ON (-4,20%) e Siderúrgica Nacional ON (-4,03%).


Futuros
A volatilidade do dólar à vista ontem favoreceu ainda um aumento do número de operações casadas entre o dólar à vista e o futuro. Essas arbitragens contribuíram para manter o giro financeiro à vista firme. O volume total movimentado à vista permaneceu em cerca de US$ 2,443 bilhões. Na BM&F, apenas quatro vencimentos de dólar futuro foram negociados, mas o giro financeiro também manteve-se elevado em US$ 6,61 bilhões, com 130.951 contratos. Os quatro vencimentos futuros projetaram quedas: para 1º de dezembro, -0,48% a R$ 2,231; e o prazo mais longo, março/2006, -0,49% a R$ 2,300.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo caíram mais de US$ 1,00 o barril, mas fecharam acima de US$ 60,00 o barril. Na Nymex, em Nova York, os contratos de petróleo para dezembro fecharam em US$ 60,58 o barril, queda de US$ 1,20 (-1,94%).


Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 0,11%. Algumas blue chips, como HSBC e China Mobile, deram suporte ao mercado. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 0,33%, quinto dia consecutivo de valorização. Os ganhos foram liderados por ações de tecnologia, como Samsung Electronics e L.G. Philips LCD. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 0,92%. As ações de fabricantes de displays de cristal líquido foram o principal destaque, embaladas pela previsão otimista de remessas e pela diminuição das preocupações com o excesso de oferta no próximo ano. Na China, o índice Shangai Composto fechou em alta de 0,4% e o Shenzen Composto subiu 0,6%.


Tóquio
O índice Nikkei fechou acima de 14 mil pontos pela primeira vez em quatro anos e meio, com expectativas favoráveis para a economia japonesa alimentando compras de papéis de tecnologia, de corretores e outras ações que podem se beneficiar do ciclo positivo no país. O setor de tecnologia foi impulsionado ainda pela alta do dólar, que atingiu máxima em 26 meses ante o iene, e pelo segundo dia consecutivo de ganhos do índice norte-americano Nasdaq. O Nikkei encerrou a sessão em alta de 1,3%.

Das agências Estado e Folhapress

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