MERCADO FINANCEIRO
Cenários positivos
Os mercados tiveram um dia bastante movimentado ontem, com cenários positivos para juros, bolsa e câmbio. O capital externo sustentou a melhora. O ritmo só foi quebrado no fim da tarde, com a entrevista do relator da CPI dos Correios dando conta que o Banco do Brasil teria repassado recursos ao PT. Essa notícia, no entanto, só chegou a atingir a bolsa que, mesmo assim, ainda fechou no positivo. No mercado de DI, as previsões são otimistas em relação à continuidade nos cortes da Selic. A mudança no calendário do Copom ainda provoca correções, para baixo, nas taxas de juros futuros. Já o dólar voltou a fechar em baixa, mesmo com o leilão de compra do BC, com a alta do dólar e dos juros dos Treasuries no mercado externo.
Juros
Os juros futuros tiveram mais um dia de queda, ainda em um movimento de correção provocado pela mudança no calendário de reuniões do Copom em 2006. Segundo operadores, essa decisão, de reduzir de 12 para 8 o número de encontros do comitê no próximo ano, foi entendida pelo mercado como um sinal de que o Banco Central não vislumbra um cenário turbulento para os próximos meses, o que levou à devolução de prêmio de risco que o mercado vinha carregando nos contratos mais longos.
Preço justo
O DI mais líquido, com vencimento em janeiro/07, teve sua taxa reduzida de 17,56%, na segunda-feira (quando o Copom anunciou a mudança no cronograma de reuniões) para 17,35%, ontem. Segundo os cálculos de operadores, com essa queda, esse contrato passa a estar mais próximo do que seria o preço justo para esse DI. ''Essa taxa expressa a aposta de que o juro seguirá sendo reduzido no ritmo de 0,5 ponto percentual por reunião'', afirma um operador.
Aplicações
A queda dos DIs tem sido alimentada, segundo os profissionais, principalmente por aplicações de investidores estrangeiros. Esses players têm tomado o contrato com vencimento em janeiro/06 - o que explica a ligeira alta desse DI, de 17,50% para 17,51% - para aplicar no janeiro/07. Nessa operação, o player faz uma ''aposta'' para a Selic média ao longo do próximo ano. O resultado dessa trava é uma projeção de que a Selic média será de 17%, ou 16,80% no final do ano. ''O que mostra que ainda há espaço para queda do janeiro/07'', diz um operador.
Bovespa
O bom humor dos investidores em Wall Street contaminou o mercado acionário doméstico e fez a Bolsa de Valores de São Paulo cravar a quarta alta seguida ontem. O Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista- subiu 0,65% e fechou com 31.099 pontos, depois de registrar alta de 1,9% ao longo do dia. O volume financeiro somou R$ 2,184 bilhões. As maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira foram Embratel Par PN (4,25%), Cesp PN (3,84%) e Copel PNB (3,53%). As maiores baixas foram Telesp Celular Par PN (-5,34%), Aracruz PNB (-4,48%) e VCP PN (-4,31%).
Wall Street
No horário de fechamento do pregão na Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subia 0,34%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tinha alta de 0,59%. A preocupação dos investidores com uma possível disparada da inflação norte-americana diminuiu um pouco após a divulgação de dados sobre produtividade nos EUA no terceiro trimestre, que apontaram um crescimento de 4,1% no período, o maior do ano. Com produtividade maior, as empresas aumentam a lucratividade com base no aumento do volume de vendas da produção, e não com reajustes de preços.
Fed
Além disso, o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Alan Greenspan, afirmou ontem que a economia americana deve sentir o impacto da passagem dos furacões que atingiram o país nos últimos meses, mas os efeitos devem ser passageiros e os fundamentos da economia permanecem robustos.
Dólar
Os ingressos de recursos e a menor preocupação com o cenário externo predominaram no câmbio. O dólar registrou ontem a quarta queda seguida ao fechar em baixa de 1,02%, vendido a R$ 2,222. A moeda norte-americana iniciou o dia recuando e acentuou o movimento de queda no período da tarde mesmo com a atuação do Banco Central no mercado à vista. No momento em que a autoridade monetária anunciou leilão de compra o dólar apresentava desvalorização de 0,31%, a R$ 2,238. Segundo analistas, a instituição ofereceu até R$ 2,237 por dólar e aceitou 14 propostas de vendas.
Fluxo cambial
Dados divulgados pelo BC hoje, de acordo com operadores, também ajudaram na queda da moeda norte-americana. O banco informou que o fluxo cambial ficou positivo em R$ 3,786 bilhões no mês passado, contra saídas de R$ 1,298 bilhão em setembro. Esse é o maior saldo positivo desde fevereiro deste ano e supera outubro de 2004 (R$ 925 milhões). De janeiro a outubro, o fluxo cambial está positivo em R$ 13,768 bilhões, contra R$ 9,831 bilhões de igual período do ao passado.
Futuros
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), os oito vencimentos de dólar negociados projetaram firmes quedas: para 1º de dezembro, -1,08% a R$ 2,242; e o vencimento mais longo, para janeiro de 2007, queda de 1,22% a R$ 2,530. O volume financeiro movimentado aumentou 17%, para US$ 6,14 bilhões, com 122.795 contratos.
Européias
As bolsas européias fecharam em alta ontem, influenciadas pela abertura positiva das bolsas norte-americanas e bom desempenho de ações que divulgaram resultados positivos e a decisão do Banco Central Europeu de manter sua taxa de juro em 2% ao ano. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 1,37%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 1,63%. A Bolsa de Frankfurt subiu 1,13%. Entre as ações de empresas que divulgaram resultados, as da Adidas-Salomon subiram 1,7%, as da Volkswagen avançaram 0,77%, as da BMW caíram 1,79%, as do Commerzbank tiveram um ganho de 2,14% e as da Karstadt Quelle avançaram 10,5%. As da Deutsche Telekom, que anunciou 19 mil demissões nos próximos três anos, subiram 0,87%. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 1,30%. E a Bolsa de Lisboa subiu 0,02%.
Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,03%.pontos. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 0,79%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em baixa de 0,21%. Na China, o índice Shangai Composto fechou em baixa de 0,9% e o Shenzen Composto em queda de 0,8%. A bolsa de Manila, nas Filipinas, fechou com o índice PSE em alta de 24,58 pontos, ou 1,22%, aos 2.031,70 pontos. As bolsas de Jacarta, Kuala Lumpur e Cingapura não abriram nesta quinta-feira. Tóquio também não operou por conta do Dia da Cultura.
Das agências Estado e Folhapress





