MERCADO FINANCEIRO
Ata benigna
Na véspera da divulgação da ata do Copom, o mercado de juros descolou-se ontem do cenário internacional e operou dentro das especulações sobre qual será o conteúdo do documento do Banco Central. Aumentou nas mesas de operações a expectativas de que a ata será benigna. Com isso, as projeções dos DIs fecharam em baixa. O comportamento da Bovespa, por sua vez, ficou atrelado à volatilidade em Wall Street. No final, a bolsa paulista encerrou o pregão em alta, mas com volume financeiro modesto. O mercado de câmbio também acusou a influência dos Treasuries - títulos de dez anos da dívida dos EUA. O dólar fechou em alta, pressionado também pela aproximação do vencimento do câmbio futuro na BM&F.
Juros
O maior movimento ontem foi no DI janeiro/07 - o mais líquido. A taxa desse contrato recuou para 17,52%, ante 17,55% de terça-feira. O giro também melhorou: foram negociados hoje 186 mil contratos. Mas os próprios operadores que relataram o movimento de ontem admitem que tudo não passou de especulação. ''O mercado precisava encontrar algum motivo que desse fôlego aos negócios'', afirma um operador. ''A ata foi um bom pretexto.''
Treasuries
Durante parte do dia, os DIs futuros operaram em alta, pressionados pelo mercado externo, especialmente pela alta dos juros dos treasuries. No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,801%, de 4,730% ontem; o juro das T-notes de 10 anos estava em 4,589%, de 4,526% ontem. Esse movimento explicou, em parte, a alta da cotação do dólar.
Dólar
O dólar subiu 0,70% ontem e fechou a R$ 2,28 na venda com o mercado atento principalmente ao cenário externo. Segundo Hélio Osaki, do Banco Rendimento, o aumento da rentabilidade dos Treasuries e a preocupação com os juros norte-americanos fizeram o dólar subir desde a abertura dos negócios.
Copom e Fomc
Além disso, Osaki destaca que o mercado aguarda a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, quando a Selic caiu de 19,5% para 19% ao ano. O documento será divulgado hoje. Já o Fomc (o comitê de política monetária do Fed) anuncia na próxima semana sua decisão sobre o juro norte-americano - atualmente em 3,75% ao ano. O temor do mercado é que o Fomc abandone a política de aumentos graduais e promova uma alta abrupta na taxa, por conta do avanço da inflação naquele país, principalmente em razão da alta dos preços de energia após os furacões.
Dólar futuro
Na BM&F, todos os contratos de dólar futuro fecharam em alta. O dólar para novembro avançou 0,57%, para R$ 2,281. Foram negociados 208.638 contratos e o volume financeiro foi de US$ 10,46 bilhões.
Bovespa sobe
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,79% ontem, impulsionada principalmente pelos papéis da Companhia Vale do Rio Doce e da Embratel. O volume financeiro somou R$ 1,452 bilhão. Ao longo do dia, o Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista - chegou a subir 1,6%, mas reduziu a alta no final dos negócios com a inversão do movimento nos EUA. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou em baixa de 0,32%, depois de subir 0,54% no dia. A Bolsa eletrônica Nasdaq encerrou o pregão com queda de 0,45%, após avançar 0,56%.
Embratel
A valorização das ações da Embratel e o forte volume de negócios com as ações da Vale, que também subiram, ajudaram a sustentar o desempenho positivo da Bovespa no final dos negócios. O papel preferencial da Embratel Participações subiu 5,35% hoje e teve a maior alta do índice. A empresa anunciou, na noite de ontem, que registrou lucro de R$ 54,3 milhões de julho a setembro de 2005, contra prejuízo de R$ 66,6 milhões em igual trimestre do ano passado. No acumulado do ano, o lucro líquido foi de R$ 191 milhões, ante resultado negativo de R$ 126 milhões nos primeiros nove meses de 2004.
Vale
Já a ação preferencial ''A'' da Vale subiu 1,67% e foi a segunda mais negociada do Ibovespa, perdendo só para a preferencial da Petrobras, que caiu 0,37%. O papel ordinário da mineradora avançou 2,19% e também ficou entre os mais negociados do índice. A Vale informou ontem que planeja reabrir e fazer nova oferta de bônus com vencimento em 2034 e cupom de 8,25%. Os recursos captados serão destinados à cobertura das necessidades gerais da Vale.
Destaques
As maiores altas do Índice Bovespa nesta quarta-feira foram Embratel Par PN (5,38%), Itaúsa PN (3,65%) e Sadia PN (3,59%). As maiores baixas foram Celesc PNB (-2,70%), Cesp PN (-2,61%) e Brasil Telecom Operadora PN (-2,48%).
Na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres, fechou em alta de 0,88%. O volume ficou em 2,68 bilhões de ações negociadas. A alta foi liderada pelas ações da mineradora Anglo American, que subiram 6,08% depois de a empresa apresentar um plano de reestruturação. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 0,36%. A bolsa de valores de Frankfurt fechou com o índice Dax em alta de 0,57%. A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em alta de 0,5%, ajudada no final do pregão pelos ganhos do setor petrolífero e pelo desempenho positivo em Wall Street.
Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,23%, depois de passar o dia alternando os campos positivo e negativo. ''Os investidores usaram a gripe aviária como desculpa para vender ações'', disse o diretor de pesquisa da DBS Vickers Research, Peter Lai. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em baixa de 0,19%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em baixa de 0,36%. A queda foi liderada por companhias de tecnologia, depois das fortes perdas em Wall Street, mas o declínio foi contido por suspeitas de que fundos de governo teriam atuado na ponta de compra. Na China, o índice Shangai Composto caiu 2,2% e o Shenzen Composto recuou 2,8%.
Tóquio
A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em alta, influenciada por ganhos entre ações das companhias do setor naval Mitsui O.S.K. e da Nippon Yusen, diante a expectativas de que apresentarão resultado melhor. O desempenho dos papéis da Tokyo Electron também favoreceu o mercado. O índice Nikkei fechou em alta de 0,9%, maior nível desde 17 de outubro.
Das agências Estado e Folhapress





