Bovespa cai
O cenário externo voltou a piorar ontem à tarde impedindo que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) repercutisse o corte de 0,5 ponto percentual no juro básico da economia brasileira, que passou de 19,5% para 19% ao ano. Com isso, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - fechou com queda de 3,25%.


Fed alerta
Pela manhã, o índice chegou a subir mais de 2%, mas inverteu o movimento pressionado pelo desempenho negativo no mercado acionário dos EUA e pela preocupação com a trajetória dos juros norte-americanos após declarações do presidente do Fed (Federal Reserve) de Atlanta, Jack Guynn. O executivo afirmou que o Fed deve ficar alerta a surpresas em relação ao crescimento do país e aos índices de preços, principalmente por causa dos ajustes que devem ocorrer no custo de energia após os problemas nas refinarias de petróleo com os furacões que atingiram os EUA. Segundo ele, os riscos de inflação estão ''claramente'' elevados.

Destaques
Das 57 ações do Ibovespa, apenas quatro subiram, com destaque para o papel preferencial da Telesp (+3,01%). A queda mais expressiva foi da preferencial da Embratel Participações, de 8,84%. As preferenciais da Petrobras e a Telemar, as ações de maior peso do índice, caíram 4,96% e 1,77%, respectivamente. O volume financeiro da Bovespa somou hoje R$ 2,144 bilhões.


Wall Street
Em Wall Street, o Dow Jones fechou em baixa de 1,28%. O Nasdaq caiu 1,11%. No mercado da dívida, os títulos brasileiros recuaram. E o risco Brasil voltou a subir, se aproximando dos 380 pontos-base.

Dólar tem leve alta
O dólar fechou com leve alta de 0,04%, a R$ 2,251 na venda. O principal fator de pressão sobre a divisa ontem foi o leilão de compra do Banco Central, anunciado no meio da tarde. No momento da atuação da instituição, o dólar chegou a acentuar um pouco a queda, mas foi reduzindo o movimento aos poucos até inverter e fechar com ligeira alta. De acordo com profissionais do mercado, o BC ofereceu R$ 2,246 para a aquisição de dólares e aceitou propostas de 16 bancos. Foi o 12º leilão de compra da autoridade monetária neste mês.

Ajuda
De acordo com Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, a entrada de exportadores no câmbio ajudou a manter o fluxo de recursos positivos, principalmente no período da manhã. Ela avalia, entretanto, que o mercado doméstico continua atento ao cenário externo. Ou seja, qualquer movimento de realocação de recursos em títulos da dívida dos EUA - treasuries - pode refletir imediatamente no câmbio.

Copom
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, segundo ela, de cortar os juros de 19,5% para 19% ao ano também repercutiu bem no câmbio, embora, em tese, o juro menor no Brasil favoreça a alta e não a queda do dólar.

Sinais
Os analistas consideram, porém, que o corte mais forte da Selic -no mês passado a redução foi de só 0,25 ponto percentual- sinaliza que a política monetária está no rumo certo e que a inflação está convergindo para as metas, o que reforça os fundamentos econômicos do Brasil. Além disso, analistas ressaltam que, mesmo com a queda, a taxa de juros brasileira ainda é muito alta e atrativa para os investidores estrangeiros.

Petróleo
O preço do petróleo fechou em baixa, depois de cair abaixo dos US$ 60 pela primeira vez desde julho durante as negociações, com a diminuição dos temores de que o furacão Wilma passe pelas instalações petrolíferas na região do golfo do México. O barril do petróleo cru para entrega em novembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia negociado a US$ 61,03, baixa de 2,21%.

Em queda
Durante o dia, o barril chegou a cair para US$ 59,85, primeira vez que o preço do barril cai abaixo dos US$ 60 desde 28 de julho deste ano. O preço da commodity já caiu cerca de 14% desde que atingiu o valor recorde de US$ 70,90 em agosto, após a passagem do furacão Katrina pelas plataformas e refinarias na região do golfo, forçando a interrupção da produção de petróleo e destilados.


Na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em baixa de 0,07%. O mercado londrino operou boa parte do pregão em alta, buscando uma recuperação depois da queda de quarta-feira. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 0,36%. Traders disseram que os investidores compraram ações que haviam caído muito recentemente, mas que a abertura fraca da Bolsa de Nova York levou o mercado francês a recuar. As ações da Lafarge caíram 2,03%, em reação a um alerta de queda nos lucros da empresa; as da Peugeot-Citroen recuaram 1,31%, em meio à preocupação com vendas fracas de veículos. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 0,19%. O índice DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, encerrou em alta de 0,38%. Em Milão, o índice S&P/Mib devolveu parte dos ganhos iniciais e fechou em alta de 0,11%, pressionado pela fraca abertura de Wall Street e queda dos queda nos preços do petróleo.


Na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,25%, recuperando-se da queda dos pregões anteriores. Na Coréia do Sul, o índice Kospi subiu 0,79%. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 0,95%, também em movimento de recuperação. As ações de tecnologia lideraram as valorizações. Na China, a procura por ações com preços baixos ajudou o índice Shangai Composto a fechar em alta de 0,1%. O Shenzen Composto, no entanto, recuou 0,1%.


Tóquio
As ações fecharam em alta em Tóquio, encerrando seis pregões consecutivos de baixa, durante os quais o índice Nikkei caiu pelo período mais longo desde 17 de maio. Os investidores adquiriram papéis relacionados à economia doméstica e papéis cíclicos, os quais foram excessivamente vendidos. Mas os papéis de companhias exportadoras permaneceram na retaguarda. No fim do pregão, o índice Nikkei registrava alta de 0,5%.

Das agências Estado e Folhapress

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