Reflexo PPI
O mercado aguardava dois eventos para esta semana. O primeiro deles veio ontem. Foi o PPI (índice de preços no atacado norte-americano), que subiu 1,9%, marcando a maior elevação em 15 anos. O índice derrubou as bolsas em Nova York e São Paulo, e ainda pressionou as cotações do dólar ante o real. O Ibovespa fechou na mínima do dia e teve apenas três ações em alta.

Selic
O segundo evento da semana é a reunião do Copom, que começou ontem e termina hoje. A maioria dos economistas aposta em um corte de 0,50 ponto porcentual. Mas a curva de juros embutida nas operações com DI futuro aponta para um corte de 0,25. O mercado deverá operar em cima dessas duas expectativas hoje.

Queda na Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem com a segunda maior queda percentual do ano, influenciada pela saída de estrangeiros do mercado acionário paulista e indicadores econômicos dos Estados Unidos. A Bovespa caiu 3,88% no dia. O volume financeiro de R$ 1,672 bilhão.

Destaques
As maiores (e únicas) altas do Ibovespa foram Contax ON (4,17%), BB ON (0,98%) e Telemar Norte Leste PNA (0,16%). As maiores baixas foram: Light ON (-7,82%), Eletrobrás ON (-6,41%) e Usiminas PNA (-6,41%).

Estrangeiros
Em outubro, até o dia 12, os estrangeiros já tiraram R$ 371,6 milhões da Bolsa paulista. Até o dia 10 do mês, o saldo de investimentos estrangeiros estava positivo em R$ 12 milhões. No mês anterior, os investidores externos colocaram R$ 1,19 bilhão na Bovespa.

Inflação nos EUA
Álvaro Bandeira, da corretora Ágora Senior, destaca ainda a preocupação com o avanço da inflação no atacado nos EUA, medida pelo PPI. O indicador registrou alta de 1,9% em setembro, maior aumento desde janeiro de 1990, quando registrou expansão semelhante, informou ontem o Departamento do Trabalho dos EUA. Em agosto, havia apontado variação positiva de 0,6%.

Impulsão
Segundo o departamento, os preços no atacado foram impulsionados pela gasolina, gás natural e o combustível para calefação doméstica, devido ao fechamento das refinarias e plataformas petrolíferas na região do Golfo do México e do Texas (sul dos EUA) em razão dos furacões.

Preocupação
O avanço da inflação nos EUA gera preocupação em torno dos juros norte-americanos - atualmente em 3,75% ao ano-, que podem ter uma elevação mais acentuada por parte do Federal Reserve (o Fed, BC dos EUA) para conter os índices de preços.

Dólar sobe só 0,13%
O dólar fechou com leve alta de 0,13%, a R$ 2,241 na venda, apesar da décima atuação do Banco Central no câmbio. A ação da autoridade monetária no mercado à vista teve pouca interferência na cotação da divisa. Antes do leilão do BC, o dólar já tinha subido 0,53%, atingindo R$ 2,250 na venda. Na mínima do dia, foi cotado a R$ 2,230 (baixa de 0,35%).

Nasdaq e Dow Jones
O índice Dow Jones fechou em queda de 0,61%. O Nasdaq fechou em queda de 0,69%. O Standard & Poor's-500 caiu 1,00%.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo caíram mais de US$ 1,00 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), com os participantes do mercado devolvendo parte dos ganhos de ontem diante das novas previsões apontando uma menor probabilidade do furacão Wilma atingir as áreas de produção no Golfo do México, disseram analistas. Os contratos de petróleo para novembro fecharam em US$ 63,20 o barril, em queda de -1,80%.


Na Europa
As bolsas européias reagiram negativamente ao índice de inflação dos preços do atacado norte-americano. A bolsa de Frankfurt fechou com o índice Dax em baixa de 0,64%. O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em queda de 0,43%. A Dow Jones não divulgou o volume de negócios. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 0,63%. A queda foi atribuída à preocupação com a inflação nos Estados Unidos.

Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 0,39%. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 0,84%. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 0,08%. Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,9% e o Shenzen Composto ganhou 1,1%, em recuperação depois de três dias consecutivos de queda. Em Tóquio, o índice Nikkei registrava queda de 0,4%. As ações da siderúrgica Nippon Steel estiveram entre os destaques de alta no setor de commodities, fechando em alta de 7,1%. Os papéis da também siderúrgica JFE Holdings somaram 4%. A alta do petróleo beneficiou ações no segmento. Os papéis da Showa Shell fecharam em alta de 0,5%. O setor bancário foi favorecido por compras de papéis que encontravam-se baratos, como os da Resona (+2,5%) e Mizuho Holdings (+2,7%).

Das agências Estado e Folhapress

mockup