Leve baixa na Bovespa
Escândalos financeiros envolvendo uma das maiores corretoras dos EUA, a Refco, geraram tensão nos mercados ontem, principalmente no período da manhã. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa de 0,37%, aos 29.770 pontos, depois de cair 2,64% ao longo do dia.

Influências
A melhora no mercado acionário paulista à tarde foi influenciada pelo desempenho positivo nas Bolsas dos EUA e recuo do risco Brasil - após subir mais de 3% pela manhã. Nos EUA, depois de caírem um pouco durante o dia, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou em alta de 0,69%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq avançou 0,86%.

Risco País
O risco-país brasileiro tinha baixa de 1,79% no final do dia, para 384 pontos, após ultrapassar os 400 pontos no período da manhã. O avanço do risco pela manhã foi influenciado por um movimento de realização de lucros em títulos de países emergentes, inclusive do Brasil, após notícias de que uma grande corretora dos EUA, a Refco, estaria encerrando suas operações.

Irregularidades
A notícia de irregularidades na gestão da corretora levou os fundos de hedge a sacarem recursos aplicados em mercados emergentes, como o Brasil. A SEC (Securities and Exchange Commission, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) impediu resgates de recursos da Refco Securities e da Refco Clearing LLC por 20 dias.

El-Erian
Outro fator que gerou apreensão nos mercados, segundo analistas, foi o anúncio da saída de Mohamed El-Erian, um dos maiores investidores em mercados emergentes de títulos, da corretora Pimco. Ele vai administrar o fundo da Universidade Harvard (Estados Unidos). El-Erian é conhecido por investir em emergentes em momentos em que alguns investidores pouco acostumados com a extrema volatilidade desses mercados diminuem suas posições.

Destaques
Entre os papéis do Ibovespa, as maiores altas ontem foram Contax PN (9,94%), Sadia PN (4,91%) e Light ON (3,11%). As maiores baixas foram Transmissão Paulista PN (-6,54%), Cemig ON (-5,12%) e Telesp Celular Par PN (-3,80%).


Dólar também cai
O Banco Central voltou a comprar dólares no mercado à vista ontem. Mesmo assim a divisa norte-americana fechou em queda de 0,53%, vendida a R$ 2,245, influenciada por um movimento de venda principalmente por parte de exportadores. De acordo com analistas, o BC ofereceu R$ 2,254 para compra da divisa e aceitou 15 propostas de 13 bancos diferentes.


Venda
O dólar, entretanto, manteve o movimento de queda após o leilão de compra da autoridade monetária. Pela manhã, o dólar chegou a subir 0,66% e atingir os R$ 2,272. Flávio Ogoshi, do RaboBank, avalia que com a subida da divisa na quinta-feira e na manhã de ontem, os exportadores aproveitaram para vender.


Petróleo
O preço do petróleo fechou em baixa ontem. Os sinais de que a demanda por gasolina nos EUA está menor e de que as refinarias do país aos poucos vão retomando suas atividades de produção têm acalmado os ânimos dos investidores nas últimas sessões. O barril da commodity negociado na Bolsa Mercantil de Nova York encerrou o dia cotado a US$ 62,63, ligeira baixa de 0,71%. As refinarias americanas estão operando com cerca de 75% de sua capacidade de produção, cerca de 5% a mais que o registrado na semana passada, segundo a EIA.


Na Europa
As Bolsas européias fecharam em ligeira alta, com o alívio dos investidores após a divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) nos EUA. O índice subiu 1,2% no mês passado, acima da previsão dos economistas (alta de 0,9%), mas o núcleo da inflação, que exclui os preços de alimentos e energia -os principais responsáveis pela alta- teve alta de apenas 0,1%. Os preços da energia, afetados pelos preços do petróleo, tiveram alta de 12%. A Bolsa de Londres teve alta de 0,19%, fechando com 5.275 pontos. A Bolsa de Paris registrou ganho de 0,27% e ficou com 4.482 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve valorização de 0,51% e encerrou o pregão com 4.975 pontos e a Bolsa de Milão subiu 0,35%, para 25.524 pontos.


Gripe do frango
No mercado de ações, os papéis do laboratório britânico GlaxoSmithKline tiveram alta de 1,1%, enquanto os do Roche encerraram o dia estáveis. O Roche produz o Tamiflu, único antiviral considerado efetivo para pessoas que tenham contraído a gripe do frango. O laboratório está sob pressão para aumentar a produção do Tamiflu, devido ao temor de que haja escassez da vacina caso haja uma epidemia de gripe do frango.

Hilton
As ações do grupo britânico Hilton encerraram o dia com alta de 13,4%. O grupo está em negociações com o americano Hilton Hotels, para vender sua divisão de hotéis. Entre os investidores, circula o rumor de que o negócio estaria avaliado em US$ 6,3 bilhões em dinheiro.


Tóquio
As ações caíram em Tóquio com realização de lucros nos segmentos de siderurgia e de bancos. O apetite dos estrangeiros diminuiu, frente a cautela com as perspectivas para o mercado acionário norte-americano e com a temporada de balanços nos EUA. ''O volume de compras de estrangeiros finalmente começou a cair'', disse um estrategista. O índice Nikkei fechou a sessão em queda modesta, de 0,2%. Entre os papéis que mais cederam estiveram JFE (-4,8%), Resona (-3,7%) e Sumitomo Mitsui Financial Group (-3,7%). A apreciação do dólar ajudou a sustentar o mercado, favorecendo blue chip exportadoras. As ações da Sony subiram 1,3%, as da Fuji Photo fecharam em alta de 2,1% e as da Tokyo Electron somaram 2,2%.


Das agências Estado e Folhapress

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