Bovespa sobe 2,5%
Os investidores deram uma trégua ontem com o nervosismo sobre a economia americana e voltaram às compras na Bolsa brasileira. O Ibovespa, termômetro desse mercado, disparou 2,55%, quase recuperando o patamar dos 30 mil pontos (exatamente, 29.972 pontos). No ano, a Bolsa acumula ganho de 14,42%, enquanto na semana, registra perda de 5,09%.

Correção
''Os investidores estrangeiros pararam de vender e os demais saíram comprando'', afirma Tommy Taterca, corretor da corretora Concórdia. Para o operador, o mercado corrigiu os exageros da semana, principalmente por conta dos grandes investidores internacionais, quando muitos saíram de ativos financeiros de maior risco e provocaram uma queda generalizada nos mercados das economias emergentes.

Oportunidades
Ontem, sem as vendas dos estrangeiros, os demais agentes foram atrás de oportunidades, principalmente nos setores de petróleo e mineração, os mais ''castigados'' ao longo da semana. Entre as maiores altas do Ibovespa (que reúne os papéis mais negociados), destaca-se CRT Celular PNA (+7,29%); Embratel Part. PN (+7,15%) e Caemi PN (+5,76%). As ações preferenciais da Siderúrgica Tubarão tiveram avanço de 5,28%, enquanto Usiminas PNA teve ganho de 4,68%. Dentro as 54 ações que compõem o Ibovespa, somente seis sofreram perdas, com destaque para Acesita PN (-4,86%) e Cemig ON (-0,89%). O volume financeiro foi de R$ 1,72 bilhão.

Risco e dívida
O risco Brasil voltou a cair e no final da tarde recuava 10 pontos, para 374 pontos-base. Os títulos da dívida externa brasileira também tiveram um dia positivo e fecharam em alta.

Dólar devolve ganhos
O dólar comercial recuou 1,91% ontem e fechou cotado a R$ 2,248 para venda e encerra a semana pouco acima da cotação de sexta-feira anterior (R$ 2,230), antes das quatro intervenções do Banco Central. Na análise de alguns corretores de câmbio, o BC errou em retomar os leilões de compra e até enxergam um atitude mais política que técnica. Para eles, o governo quis dar um ''cala boca'' nos críticos que pedem alguma ação oficial para corrigir uma taxa de câmbio perigosamente baixa para o setor exportador.

Nos EUA
O Departamento de Estado dos EUA divulgou pela manhã que houve uma queda de 35 mil postos de trabalho em setembro. A previsão dos economistas era de uma queda de 175 mil postos. Ou seja, o número veio bem aquém das expectativas e mostrou que a atividade da economia norte-americana está ''menos pior'' do que se esperava. O número trouxe um alívio aos mercados. Em Nova York, o Dow Jones fechou em ligeira alta de 0,05%. O Nasdaq avançou 0,30%.

Juros
O alívio em Wall Street foi a deixa para o mercado de juros devolver parte do nervosismo verificado na quinta-feira. Os DIs futuros recuaram, embora ainda mantenham-se bem acima do fechamento da quarta-feira. O DI com vencimento em janeiro/07, o mais negociado, encerrou o pregão com taxa de 17,74% - ante 17,79% (quinta) e 17,61% quarta-feira. A liquidez também melhorou: o DI janeiro/07 somou 170 mil contratos, o que representa uma recuperação em relação ao movimento do início da semana.


Ouro
Ouro na BM&F a R$ 34,400 o grama, queda de 1,14%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 476,00 a onça-troy, alta de 0,49%.


Na Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa, com a divulgação da queda no número de empregos nos EUA, acompanhada de uma alta no índice de desemprego no país em setembro. A Bolsa de Londres caiu 0,19%, para 5.362 pontos; a Bolsa de Paris teve perda de 0,18% e ficou com 4.528 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve desvalorização de 0,19% e caiu para 5.007 pontos; a Bolsa de Milão recuou para 0,72% e fechou com 25.966 pontos; e a Bolsa de Madri perdeu 0,17% e caiu para 10.732 pontos.

Petróleo
O preço do barril de petróleo interrompeu a sequência de quedas dos últimos dias e fechou em ligeira alta ontem, com a expectativa que começa a surgir sobre dificuldades de fornecer combustível para calefação durante o inverno no hemisfério Norte. O barril para entrega em novembro encerrou as negociações cotado a US$ 61,84 na Bolsa Mercantil de Nova York - em alta de 0,78%.

Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 8,49 pontos, ou 0,06%. depois de cinco pregões consecutivos de declínio. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou em baixa de 1,48 ponto, ou 0,12%. Em Taiwan, o índice Weighted caiu 13,97 pontos, ou 0,23%. Os analistas dizem que mais aumentos das taxas de juros nos EUA poderão desacelerar a economia e reduzir a demanda por produtos eletrônicos de Taiwan, o que pode pressionar os lucros das companhias locais.


Japão
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em baixa de 131,77 pontos, ou 0,99%, menor nível em duas semanas. A queda em Wall Street contribuiu para as vendas de ações de exportadoras de alta tecnologia, como Kyocera (-3,3%), Tokyo Electron (-2,8%) e Fanuc (-2,7%). ''Não dá para ignorar Nova York'', dadas as crescentes preocupações com a queda das ações norte-americanas, em meio ao medo de inflação e de desaceleração econômica naquele país, disse o estrategista sênior da Mizuho Investors Securities, Masatoshi Sato.

Das agências Estado e Folhapress

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