MERCADO FINANCEIRO
Economia dos EUA preocupa
A possibilidade de uma alta mais acentuada nos juros dos Estados Unidos vem provocando uma realocação de recursos nos mercados domésticos e internacionais. Com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo cravou ontem sua terceira queda seguida ao fechar com perda de 3,10% e retornar aos 29.227 pontos. Na semana, a queda já chega a 7,46%.
Migração
A taxa básica norte-americana vem subindo gradualmente e está em 3,75% ao ano. Entretanto, se o Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) perceber que a inflação daquele está perto do limite considerado ''aceitável'', poderá promover uma alta mais abrupta nos juros. Juros mais altos nos EUA podem provocar a migração de recursos alocados em países emergentes, como o Brasil, para o mercado norte-americano.
Destaques
Apesar da queda, a Bovespa movimentou R$ 2,526 bilhões. As perdas mais expressivas do Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - ficaram com as ações preferenciais da Klabin e da Caemi, de 6,69% e 6,58%, respectivamente. Das 57 ações que fazem parte do índice, apenas quatro subiram, com destaque para a preferencial da Acesita (+1,26%).
Risco-País
O risco-país brasileiro, que vinha caindo consistentemente até o início da semana, inverteu a direção. No final dos negócios, subia mais de 6%, para 387 pontos básicos.
Câmbio
O dólar fechou em alta de 1,05%, a R$ 2,292 na venda, mesmo sem a atuação do Banco Central no mercado. Na máxima do dia, a divisa atingiu R$ 2,305, avanço de 1,63% em relação ao encerramento dos negócios de quarta-feira. Com o avanço da moeda ontem, o BC - que atuou no câmbio nos primeiros três dias da semana- ficou fora do mercado.
Meirelles
Além do cenário externo e da piora do risco Brasil, também influenciaram a cotação do dólar ontem declarações feitas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Meirelles disse que não há limites para as compras de dólares no mercado e que tanto o Banco Central como o Tesouro Nacional continuarão atuando no câmbio para recompor as reservas internacionais. Ele afirmou ainda que cada país tem um limite diferente para as suas reservas internacionais e que, no caso do Brasil, esse limite ainda não foi alcançado.
Petróleo
O preço do petróleo fechou em baixa, com os sinais de queda na demanda pelo produto. O barril para entrega em novembro, negociado em Nova York, caiu 2,28% e fechou o dia cotado a US$ 61,36.
Nasdaq e Dow Jones
Nos EUA, as Bolsas também fecharam em baixa. O índice Dow Jones caiu 0,29% e o Nasdaq, 0,90%.
Na Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa ontem. O temor entre os investidores europeus de que a inflação nos EUA esteja saindo do controle vem aumentando a pressão sobre os negócios nos últimos dias. A Bolsa de Londres caiu 1,02%, para 5.372 pontos; a Bolsa de Paris teve perda de 1,25% e ficou com 4.536 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve desvalorização de 1,03% e caiu para 5.017 pontos; a Bolsa de Milão recuou para 0,93% e fechou com 26.155 pontos; e a Bolsa de Madri perdeu 0,67% e caiu para 10.750 pontos.
Juros
O Banco da Inglaterra (banco central britânico) manteve hoje sua taxa de juros em 4,5% e o BCE (Banco Central Europeu) também manteve seus juros estáveis, em 2% ao ano. O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse que a atitude do banco em relação à inflação tem sido ''forte'', mas os preços subiram 2,5% no mês passado -acima do teto de 2% estabelecido pelo banco. Trichet disse que os altos preços do petróleo provocaram a alta da inflação.
Parmalat
No mercado de ações, os papéis da italiana Parmalat voltaram a ser negociados na Bolsa de Milão. Os papéis da empresa, que foram lançadas com valor nominal de 1 euro encerraram o dia cotadas a 3,01 euros.
Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 321,73 pontos, ou 2,12%, aos 14.839,30 pontos. As preocupações com elevações de juros nos EUA e com a inflação derrubaram o mercado. Na Coréia do Sul, o índice Kospi terminou em baixa de 2,03%, também prejudicada pelo desempenho ruim de Wall Street e do mercado japonês. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em baixa de 0,64%, sofrendo o efeito da queda generalizada das bolsas em todo o mundo e das declarações do presidente do Fed de Kansas, Thomas Hoenig, apontando para pressões inflacionárias. A Bolsa de Tóquio também despencou e o índice Nikkei fechou em baixa de 2,4% - a segunda maior queda neste ano.
Das agências Estado e Folhapress





