Bolsa cai 5% em dois dias
Pressões inflacionárias nos EUA garantiram ontem o segundo dia de realização de lucros na Bolsa de Valores de São Paulo. Em dois dias de realização, o Ibovespa acumula baixa de 5,31%. O movimento financeiro voltou a superar os R$ 2 bilhões. No mercado de câmbio, o Banco Central manteve-se na ponta de compra, mas tirou um pouco o pé do acelerador. Com isso, o dólar desacelerou a alta e acabou contribuindo para melhorar a liquidez do mercado de juros. As taxas dos DIs recuaram e já se fala em redução de 0,5 ponto porcentual na Selic este mês, tendo em vista a expectativa de que a produção industrial do IBGE, que sai hoje, deverá mostrar redução da atividade econômica.


Lucros
O Ibovespa despencou, dando continuidade ao movimento de realização de lucros iniciado na terça-feira. A queda foi generalizada. Apenas cinco ações do índice fecharam em alta e o movimento financeiro voltou a superar os R$ 2 bilhões. O Ibovespa fechou em baixa de 3,58%. Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixa de 4,49% em outubro e alta de 15,15% em 2005. O movimento financeiro ficou em R$ 2,136 bilhões.


Destaques
Entre as ações que compõem o Índice Bovespa, apenas cinco ações fecharam com sinal positivo. As maiores altas foram Contax PN (2,82%), Net PN (2,25%) e Contax ON (0,99%). As maiores baixas foram Bradespar PN (-6,40%), CSN ON (-5,88%) e Vale PNA (-5,76%).


Câmbio
Mais uma vez o Banco Central veio a mercado para compra de dólares e a cotação à vista fechou ontem a R$ 2,268, com valorização de 0,31%. Esta terceira atuação consecutiva vai consolidando a avaliação de que as atuações serão comuns daqui em diante, o que servirá para reposicionar a trajetória da moeda americana.


Dívida
No mercado da dívida, os títulos brasileiros voltaram a encerrar em baixa. Ainda predominou a realização de lucros, mas não se pode descartar a possibilidade de os indicadores americanos estarem despertando nos investidores algum nível de aversão ao risco de emergentes. O risco Brasil avançava 12 pontos-base no final da tarde, para 365 pontos.


Juros
CDB prefixado de 30 dias, 19,20% ao ano. Capital de giro, 24,36% ao ano. Hot money, 2,37% ao mês. CDI, 19,44% ao ano. Over a 19,47%.

Ouro
Ouro na BM&F a R$ 33,850 o grama, alta de 0,45%. Ouro na Comex de Nova York a US$ 465,35 a onça-troy, alta de 0,14%.

Nos EUA
Em Wall Street, as bolsas registraram vigorosas baixas. O Dow Jones fechou em baixa de 1,19% e o Nasdaq caiu 1,70%. O mercado norte-americano reflete a preocupação com a inflação naquele país. Na terça-feira, o mercado refletiu declarações do presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, segundo o qual a inflação estaria perto do topo tolerável pelo Federal Reserve. Ontem, foi a vez do presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, que observou que a inflação núcleo está ''num nível modesto'', enquanto a inflação geral tem subido mais. ''Para nós, isso cria um pequeno dilema'' porque a energia tem gerado a raiz do aumento da pressão de preços que prejudica o poder de consumo, ao mesmo tempo em que acelera a inflação, disse Hoenig.


Petróleo
Em Nova York, os contratos de petróleo para novembro fecharam em US$ 62,79 o barril, em queda de US$ 1,11 (-1,74%); a mínima foi de US$ 62,60 e a máxima de US$ 64,80. Em Londres, no sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), os contratos de petróleo Brent para novembro fecharam em US$ 60,12 o barril, queda de US$ 1,10.

Hong Kong
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 221,18 pontos, ou 1,44%. O economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan, disse ontem que o Fed deverá seguir elevando o juro para combater a inflação. Suas declarações pesaram sobre a bolsa. Taxas de juros mais altas nos EUA podem abalar a confiança do consumidor local e prejudicar as companhias de Hong Kong. O dólar de Hong Kong é atrelado ao norte-americano, o que significa que os credores locais geralmente seguem a trajetória do juro dos EUA.

Tóquio
As ações caíram em Tóquio, com realização liderada pelo setor financeiro, que acumula elevados ganhos no rally recente do mercado japonês. O índice Nikkei encerrou a sessão em queda de 48,95 pontos (0,4%), em 13.689,89 pontos. As ações do Mitsui Trust caíram 3,4% e as do Sumitomo Mitsui Financial Group cederam 3,6%. Os papéis do Shinsei Bank recuaram 2,1%. Os papéis do Mizuho Financial Group caíram 4,2%.


Das agências Estado e Folhapress

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