MERCADO FINANCEIRO
Atuação do BC
Nem mesmo a atuação do Banco Central no câmbio foi suficiente para fazer o dólar fechar em alta ontem. A moeda norte-americana encerrou o dia com leve baixa de 0,04%, vendida a R$ 2,229, após avançar 0,89% e atingir os R$ 2,25 por conta do anúncio do leilão de compra de dólares feito pela autoridade monetária. Desde o dia 11 de agosto o BC não atuava no mercado de câmbio à vista. Naquela data, o dólar iniciou o dia abaixo dos R$ 2,30 e a autoridade monetária ofereceu R$ 2,298 para a compra da divisa em leilão, mas acabou não aceitando as propostas dos bancos.
Sem supresas
''A ação da instituição já era esperada pela maioria dos operadores e analistas do mercado, já que na última quinta-feira o diretor de Política Econômica, Afonso Bevilaqua, declarou que o BC, através do Tesouro Nacional, poderia retornar ao mercado cambial comprando divisas para dar continuidade ao seu processo de recomposição de reservas'', afirmou Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Global Invest.
Valor baixo
Segundo analistas, o BC ofereceu aos bancos R$ 2,231 no leilão de compra de dólares ontem. Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, afirma que a autoridade monetária comprou três lotes, de três instituições financeiras diferentes: Bradesco, BNP e HSBC. André Kitahara, do RaboBank, avalia ainda que a autoridade monetária comprou um valor muito baixo no câmbio, o que influenciou pouco a variação do dólar. ''Se o BC continuar comprando pouco e esporadicamente, o dólar continuará caindo'', disse.
Conter queda
Segundo José Roberto Carreira, da corretora Novação, é difícil saber quanto o BC comprou, mas ele ressalta que ''com certeza'' foi um valor baixo, caso contrário o dólar teria subido mais no momento do leilão. Para o economista da Global Invest, a intenção do BC não era fazer o dólar subir, mas conter a queda da divisa. ''O BC está testando o mercado para ver como ele reage.''
Sustentação
Segundo o economista, os juros baixos em outras economias - como nos EUA e na zona do euro -, a taxa básica alta no Brasil, os superávits comerciais da balança brasileira, as captações externas e o recuo do risco-país devem continuar dando sustentação à queda do dólar em relação ao real. A taxa básica brasileira (Selic) está em 19,5% ao ano. Nos EUA, o juro de referência da economia está em 3,75% ao ano e na zona do euro, em 2%.
Risco país
O risco Brasil registrava queda de 0,87% no final da tarde em relação ao fechamento de sexta-feira, para 341 pontos. Ao longo do dia, entretanto, chegou a marcar 338 pontos, encostando na mínima histórica, que é de 337 pontos -registrada em 22 de outubro de 1997.
Bovespa sobe 0,86%
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 0,86% ontem e fechou com um novo recorde ao marcar 31.856 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,816 bilhão. Para Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, as perspectivas positivas para a economia brasileira no próximo ano e a queda do risco Brasil são alguns dos fatores que influenciaram positivamente o desempenho do mercado acionário paulista ontem.
Focus
Ele destacou a melhora nas previsões dos analistas, apontadas no boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central. De acordo com o boletim, os analistas reduziram a estimativa da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE) para 2006, de 4,8% para 4,64%. ''Isso mostra que a inflação continua convergindo para a meta'', disse Alcântara. A meta fixada pelo governo para o próximo ano é de 4,5%.
Detaques
Ontem foi o dia do papel preferencial da Embratel Participações, que subiu 9,23%. A empresa anunciou que pretende incorporar 100% da Telmex do Brasil e 37,1% do capital da empresa de TV a cabo Net. Também subiram TIM Par PN (4,10%) e Acesita PN (3,80%). As maiores baixas foram Net PN (-4,02%), Brasil Telecom Par ON (-3,03%) e Sabesp ON (-2,79%).
Nos EUA
As Bolsas norte-americanas fecharam sem tendência definida, sob influência da baixa do petróleo e pelos bons dados sobre a atividade industrial e construção civil que, no entanto, geraram temores sobre pressões inflacionárias. A Bolsa de Valores de Nova York fechou com perda de 0,31% no índice Dow Jones 30 Industrials, com 10.535 pontos, e baixa de 0,12% no S&P 500, com 1.226 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq registrou alta de 0,17%, com 2.155 pontos.
Petróleo
O preço do petróleo fechou em baixa, com o comentário do secretário de Energia dos EUA, Samuel Bodman, de que o governo pode liberar petróleo das reservas estratégicas americanas para evitar escassez no país. O barril do petróleo cru para entrega em novembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, registrou queda de 1,16% e fechou cotado a US$ 65,47.
Temor de inflação
Por outro lado, investidores temeram que o incremento na atividade manufatureira e os gastos com construção pressionem a inflação. A atividade no setor manufatureiro americano cresceu em setembro após a passagem do furacão Katrina. O instituto privado de pesquisa ISM (sigla em inglês para Instituto de Gestão de Oferta) informou que o índice foi de 59,4 pontos em setembro, bem acima das expectativas de analistas de 52,0 pontos e também superior ao índice apurado em agosto que foi de 53,6. Os gastos com construção nos EUA por sua vez subiram 0,4% em agosto, maior aumento em três meses, atingindo também o maior resultado anualizado já registrado, US$ 1,11 trilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio dos EUA.
Na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta ontem, com as notícias de aquisições e fusões de empresas. A Bolsa de Londres subiu 0,43%, para 5.501 pontos. A Bolsa de Paris teve alta de 0,49% e ficou com 4.622 pontos. A Bolsa de Frankfurt fechou com valorização de 0,75% e 5.082 pontos. A Bolsa de Milão teve ganho de 0,25%, fechando com 26.912 pontos e a Bolsa de Madri foi para 10.880 pontos, fechando com alta de 0,62%.
Fusões
As ações da operadora holandesa de telefonia KPN subiram 7% com os rumores de que a gigante espanhola do setor, a Telefónica, teria feito uma oferta de aquisição de mais de 20 bilhões de euros. As empresas não confirmaram os rumores. No setor farmacêutico britânico, a Boots e a Alliance UniChem anunciaram que pretendem realizar a fusão das duas empresas, criando uma rede de 2.600 lojas. Os papéis da Boots subiram 4% e as da Alliance Unichem, 1%.
Laboratórios
Entre os laboratórios, os papéis do Novartis subiram 1,8%, impulsionados pela elevação da classificação dos papéis da empresa de ''manter em carteira'' para ''compra''. Outros laboratórios registraram ganhos em seus papéis, com destaque para os da GlaxoSmithkline (1,2%), Roche (2,1%) e AstraZeneca (0,8%).
Das agências Estado e Folhapress





