MERCADO FINANCEIRO
Conjuntura
O relatório de inflação do Banco Central divulgado ontem permitiu que o mercado voltasse a cogitar a possibilidade de redução de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom. O relatório, divulgado pela manhã, mostrou cenário positivo para a inflação, o que provocou queda nas taxas de juros futuras na BM&F. Entretanto, a consolidação desta melhora de perspectiva dependerá dos dados da produção industrial de agosto, que o IBGE divulga na semana que vem.
Queda livre
O dólar fechou em queda de 0,94%, a R$ 2,214, novo recorde de baixa em mais de quatro anos, com o acirramento da disputa entre comprados e vendidos no mercado futuro e operações com derivativos financeiros. Apesar da queda da moeda, o volume de negócios no câmbio foi reduzido. De acordo com Mário Battistel, da corretora Novação, foram movimentados cerca de US$ 700 milhões no mercado interbancário, contra aproximadamente US$ 1,8 bilhão ontem.
Sem surpresa
O relatório de inflação não trouxe surpresas, confirmou o cenário positivo traçado pela ata do Copom e garantiu, assim, espaço para queda nas taxas de juros futuros. O DI mais negociado, com vencimento em janeiro/07 teve sua taxa reduzida de 17,65% ontem para 17,59%. E o DI com vencimento em novembro caiu de 19,33% para 19,31%, o que significa que, agora, o mercado projeta um corte de 0,38 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. Ou seja, pela primeira vez desde a reunião de setembro, esse contrato passa a embutir alguma possibilidade de corte de 0,5 ponto porcentual em outubro.
Referência
Segundo o relatório de inflação, o Banco Central prevê, em cenário de referência que considera Selic em 19,5% e câmbio em R$ 2,35, que a inflação medida pelo IPCA vai fechar o ano em 5%, ante a previsão de 5,8% no relatório anterior. Para 2006, a previsão saiu de 3,7% para 3,5% - muito abaixo, portanto, da meta para o próximo ano, que é de 4,5%.
Risco País
Os papéis da dívida brasileira exibiram firmes altas ontem, abrindo espaço para o escorregão do risco País. Entre os títulos brasileiros, o Global 40 - mais negociado - subiu 0,53% ao fechar a 122,25 centavos de dólar, informou a corretora López Léon.
Bovespa recua 0,35%
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com baixa de 0,35%, aos 31.208 pontos, depois de bater quarta-feira o quinto recorde de pontuação do mês. Na avaliação de Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, o dia foi de boas notícias no setor econômico, com o Banco Central reduzindo de 5,8% para 5% a expectativa de inflação neste ano e a deflação de 0,53% registrada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado) em setembro - a quinta seguida.
Segundo ele, a baixa na Bovespa foi puxada por alguns setores, como o siderúrgico e petroquímico.
Copel
O ranking das maiores altas do Ibovespa foi encabeçado por Copel PNB, que avançou 5,77%. O papel teria reagido ao resultado de pesquisa eleitoral realizada pelo Ibope no Paraná, que mostrou bom desempenho de Álvaro Dias na corrida pelo governo do Estado, em oposição ao atual governador Roberto Requião, que determinou a concessão de descontos nas tarifas da empresa.
Brasil Telecom
Hoje, o mercado terá atenção especial com Brasil Telecom. Às 10h, será realizada a assembléia geral de acionistas que afastará os membros do Opportunity do comando da empresa. BRT Participações ON recuou ontem 2,37%, enquanto BRT Participações PN teve alta de 2,50%.
Destaques
Atrás da Copel, apareciam entre as maiores altas Telesp Celular PN (3,17%), Net PN (3,16%) e Celesc PNB (2,86%). Seguindo-se à Braskem PNA, apareciam entre as maiores quedas CRT Celular PNA (-3,50%), Tele Centro Oeste Celular PN (-3,41%) e Embraer PN (-3,28%).
Juros
CDB prefixado de 32 dias, 19,26% ao ano. Capital de giro, 23,80% ao ano. Hot money, 2,39% ao mês. CDI, 19,46% ao ano. Over a 19,54%.
Ouro
Ouro na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) estável, a R$ 33,900 o grama. Ouro na Comex de Nova York a US$ 475,80 a onça-troy, em alta de 0,57%.
Petróleo
O preço do petróleo fechou em alta, com a preocupação dos investidores com a capacidade das refinarias no golfo do México, que se recuperam em ritmo lento dos estragos causados pelos furacões Katrina e Rita. O barril para entrega em novembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 66,79, alta de 0,66%. A produção das plataformas do golfo do México, que estava completamente paralisada, até quarta-feira, começou a ser retomada ontem, mas em ritmo lento. Mais de 39 milhões de barris de petróleo (cerca de 7,2% da produção anual) já deixaram de ser produzidos desde a passagem do Katrina, no fim de agosto.
Bolsas americanas
O mercado norte-americano de ações fechou em alta, com o índice Nasdaq registrando seu melhor ganho, tanto em pontos como em termos porcentuais, desde 19 de julho. Das 30 componentes do Dow Jones, 25 subiram. O índice Dow Jones fechou em alta de 79,69 pontos (0,76%), em 10.552,78 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 25,82 pontos (1,22%), em 2.141,22 pontos. O Standard & Poor's-500 subiu 10,79 pontos (0,89%), para 1.227,68 pontos.
Das agências Estado e Folhapress





