MERCADO FINANCEIRO
Dólar interrompe queda
O dólar comercial interrompeu ontem a trajetória de queda dos últimos dias, pressionado pelo mercado internacional, fluxo negativo de recursos e pela dúvida sobre a decisão do Banco Central em relação à realização ou não do leilão de swap reverso esta semana. No final da tarde, quando o mercado já havia encerrado os negócios, o Banco Central confirmou que, pela 29 semana consecutiva, não ofertará os contratos de swap reverso ao mercado.
Pressão
Mas o dólar fechou o dia em alta de 0,36%, cotado a R$ 2,259. Pressionados pelo câmbio, pelo leilão de prefixados e pela polêmica em torno das declarações de Henrique Meirelles sobre a meta de inflação de 2005, feitas anteontem, em Washington, os juros futuros também subiram. O DI janeiro/07 encerrou o dia com taxa de 17,69%, ante 17,64% de ontem.
Fitch Rating
O risco-país brasileiro voltou a subir, depois que a agência de classificação de risco Fitch Ratings anunciou ontem que a crise política doméstica impede uma melhora da nota do Brasil. ''Os números da economia estão muito bons, mas o que está maculando é a incerteza política (...). É o único fator de questionamento que nós vemos no momento. O problema da crise política é que ninguém sabe qual a consequência nem quanto tempo dura'', afirmou o diretor-executivo da Fitch Ratings, Rafael Guedes.
Cautela
Depois desse relatório (da Fitch), a crise política, que vinha sendo solenemente ignorada, voltou a ser citada por alguns operadores como fator de alguma cautela. A disputa pela presidência da Câmara está acirrada e mostrando que uma vitória do governo está longe de ser garantida, avaliam os analistas.
Bovespa cai 0,86%
Os investidores deram continuidade ao movimento de realização de lucros ontem e a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda pelo segundo dia seguido. O Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - caiu 0,86% no dia e fechou com 30.874 pontos. O volume financeiro, entretanto, continuou acima da média diária do mês, e totalizou R$ 1,8 bilhão.
Destaques
Eletrobrás ON (4,12%) liderou o ranking das maiores altas, ajudada pela expectativa com relação ao leilão de energia velha no mês que vem. Eletrobrás PNB também esteve entre as mais valorizadas, com alta de 3,42%, atrás de Cesp PN, com ganho de 3,78%. Compuseram ainda a lista Petrobras PN (2,22%) e ON (1,63%). Vale PNA terminou com recuo de 0,35% e Vale ON, de 0,36%. Os sinais de que o acordo entre a Telecom Itália, o Citigroup e os fundos de pensão está emperrado afetaram os papéis da BRT. BRT Operadora ON derreteu 7,32% e BRT Operadora PN caiu 2,47%.
Nasdaq e Dow Jones
A Bolsa de Valores de Nova York registrou ganho de 0,12% no índice Dow Jones 30 Industrials, com 10.456 pontos, e estabilidade no S&P 500, com 1.215 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq apresentou queda de 0,24%, com 2.116 pontos.
Greenspan
Os negócios foram influenciados pelas novas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Alan Greenspan, que afirmou que a economia está ''razoavelmente bem'' e tem mostrado uma ''incrível'' resistência em face dos últimos choques, como o da bolha do mercado de ações em 2000 e o impacto dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra as torres do World Trade Center, em Nova York.
Neutralizante
A declaração de Greenspan conseguiu praticamente neutralizar a divulgação de dados fracos sobre a economia. A confiança do consumidor registrou queda em setembro, recuando para 86,6 pontos, contra os 105,5 pontos registrados em agosto, segundo o instituto privado de pesquisa The Conference Board. A queda, de 18,9 pontos, foi a maior desde outubro de 1990. A expectativa dos analistas era de que a queda de setembro fosse menor, para 98.
Imóveis
Outro indicador que afetou os negócios foi o índice de vendas de casas novas no país registrado em agosto, que caiu 9,9%, para uma taxa anualizada de 1,24 milhão de unidades.
Na Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa, seguindo as quedas nas Bolsas americanas, ocasionadas pela divulgação de dados econômicos fracos. A Bolsa de Londres perdeu 0,11% e fechou com 5.447 pontos. A Bolsa de Paris teve queda de 0,44% e ficou com 4.546 pontos. A Bolsa de Frankfurt recuou 0,65% e encerrou o dia com 4.965 pontos. A Bolsa de Milão teve desvalorização de 0,1% e fechou com 26.684 pontos e a Bolsa de Madri caiu 0,43%, para 10.678 pontos.
Petróleo
O preço do petróleo foi um dos fatores que freou maiores quedas nos mercados de ações. O barril se equilibra no patamar de US$ 65 enquanto as empresas que tiveram suas refinarias e instalações petrolíferas na região sul dos EUA atingida pelo furacão Rita, no sábado, avaliam os prejuízos. Na Nymex, os contratos de petróleo para novembro fecharam em US$ 65,07 o barril, em queda de US$ 0,75 (-1,14%). Em Londres, no sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (Nymex), os contratos de petróleo Brent para novembro fecharam em US$ 62,97 o barril, em queda de US$ 0,96.
Relatório
Os investidores aguardam a divulgação, hoje, do relatório semanal do Departamento de Energia dos EUA sobre os estoques de petróleo e derivados, principalmente gasolina, no país. Com a capacidade de refino nos EUA comprometida pela destruição causada por dois furacões em menos de um mês, o nível do estoque americano de gasolina deve ser o principal fator de influência nos preços da commodity nas próximas semanas.
Das agências Estado e Folhapress





