MERCADO FINANCEIRO
Dólar, menor valor desde 2001
O Banco Central (BC) sinalizou mais uma vez ontem que não está interessado em influenciar a cotação do dólar. Aliada ao forte fluxo de entrada da divisa no país - atestado por novo saldo positivo da balança comercial na quarta semana do mês -, a declaração do BC fez a moeda americana seguir em baixa e fechar em seu menor valor diante do real desde maio de 2001, vendido a R$ 2,251.
Tendência
A queda do dólar ontem foi de 0,62%. No ano, a desvalorização acumulada diante do real chega aos 15,18%. ''O fluxo está muito forte. E o mercado internacional segue tomador de papéis brasileiros'', diz Caio Santos, estrategista do BankBoston. Ou seja, a tendência de entrada de dólares deve prosseguir. Para Santos, um ponto importante é o resultado da balança comercial, que segue forte. ''Isso mostra que, por enquanto, a apreciação do real não foi sentida de forma expressiva pela balança.''
Longe demais
Um dos argumentos dos que afirmam que a valorização do real já foi longe demais, e que justificaria uma intervenção do BC para contê-la, é o de que a depreciação do dólar prejudica a balança comercial. Isso porquê estimularia as importações e desestimularia as exportações. O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse ontem que a autoridade monetária não pretende direcionar nem influenciar o câmbio.
Oferta
A oferta de dólares no mercado doméstico tem superado a procura há algum tempo. Com as recentes captações de recursos fechadas pelo setor privado no exterior e a continuidade dos saldos positivos da balança, a tendência é a de a entrada de dólares seguir significativa. ''Com o volume grande de entrada atual, ficaria até difícil para o BC, se assim quisesse, tentar segurar o dólar'', diz Santos, do BankBoston.
Sem interesse
João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pionner, diz que a taxa de ontem do dólar servirá de base para a liquidação dos US$ 1,5 bilhão em títulos atrelados ao real que o Tesouro Nacional emitiu no exterior na semana passada. ''Por isso, mais do que nunca, o BC não tinha interesse em aparecer no mercado hoje. Era mais interessante que o real se apreciasse mesmo.''
Risco-país
O risco-país brasileiro também recuou para níveis ainda mais baixos. O indicador fechou ontem em queda de 1,67%, a 353 pontos, menor patamar desde outubro de 1997.
Pesquisa Focus
A pesquisa semanal feita pelo BC junto a instituições financeiras também deu sua colaboração para o dia tranquilo do mercado. A previsão dos bancos para a inflação acumulada nos próximos 12 meses recuou de 4,77% na pesquisa anterior para 4,74%, abaixo da meta do BC, de 5,1%.
Para baixo
No caso do câmbio, as instituições reviram novamente para baixo suas expectativas para o fim do ano. A previsão mediana mostra o dólar a R$ 2,40 no fim do ano - cotação 6,62% acima do fechamento de ontem. Há um mês, a previsão era de que o dólar estaria a R$ 2,48 no fim de 2005.
Embolsando ganhos
Somente a Bovespa não teve um dia bom, fechando em baixa e quebrando a série de recordes de pontuação batidos na semana passada. No pregão de ontem, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, encerrou com uma queda de 0,49%.
Na semana passada, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou significativa valorização, de 4,96%. Dessa forma, analistas acham normal que haja venda de ações para que os investidores embolsem os lucros recentemente acumulados. A ação preferencial da Companhia Siderúrgica Tubarão, por exemplo, que teve valorização de 10,73% na semana passada, encerrou o pregão de ontem com perdas de 3,93%.
Nos EUA
O avanço do petróleo acabou limitando o ganho das bolsas americanas. O barril para entrega em novembro encerrou o dia cotado a US$ 65,82, alta de 2,54%, na bolsa de Nova York. Em Londres, o barril fechou em US$ 63,93, com alta de 2,39%. O Nasdaq teve valorização de 0,22% e o Dow Jones encerrou em 0,23%, com destaque para as ações da Boeing (2,33%), que subiram graças ao acordo da empresa com o sindicato dos mecânicos para encerrar uma greve.
Na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta, com o alívio entre os investidores trazido pelo nível considerado estável do preço do petróleo. Os estragos causados às instalações de produção de petróleo e de derivados nos EUA pelo furacão Rita foram considerados menores que o esperado. No Texas, um dos Estados norte-americanos atingidos pelo Rita, 16 refinarias sofreram danos, mas menores que o esperado. Apenas a refinaria da Valero Energy, que produz cerca de 255 mil barris de destilados por dia, teve estragos consideráveis.
Em alta
A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,73%, com 5.453 pontos. A Bolsa de Paris teve ganho de 2% e ficou com 4.566 pontos. A Bolsa de Frankfurt registrou alta de 2,37% e foi para 4.998 pontos. A Bolsa de Milão teve valorização de 1,07% e encerrou o dia com 26.712 pontos e a Bolsa de Madri subiu 0,88%, para 10.724 pontos.
Volks e Porsche
As ações da Volkswagen fecharam em baixa (-0,6%), no entanto, freando maiores ganhos. A fabricante alemã de automóveis de luxo Porsche anunciou que vai aumentar sua participação de controle na Volkswagen, que hoje não ultrapassa 5% das ações, para cerca de 20%. O mercado acredita que o negócio deva ser suficiente para bloquear qualquer tentativa de oferta hostil que possa levar o comando da Volks a mãos estrangeiras. No entanto, os investidores não enxergam um ganho representativo para a Porsche, e os papéis da empresa caíram 10,4%.
Das agências Estado e Folhapress





