Dólar abaixo dos 2,27
O dólar rompeu o piso dos R$ 2,27 ontem ao cair 0,48% e fechar em R$ 2,265 na venda - menor valor desde abril de 2002 (R$ 2,264). O ingresso de dólares no país e a ausência do Banco Central no câmbio sustentaram a queda da moeda, que acumulou na semana desvalorização de 1,47%.

Influências
Para Mauro Araújo, da corretora Vision, além das entradas de recursos, vários fatos positivos colaboraram com o recuo do dólar em relação ao real. Ele citou o recuo do petróleo e a persistente queda do risco-país - termômetro da confiança dos estrangeiros em relação ao Brasil.

Petróleo
O barril de petróleo para entrega em novembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia ontem cotado a US$ 64,19, baixa de 3,47%. O risco Brasil apontava queda de oito pontos no final da tarde, para 356 pontos básicos - menor patamar desde outubro de 1997.

Teste
Araújo considera, entretanto, que o mercado já começa a testar o piso dos R$ 2,26, para ver se o BC atua no câmbio. Na mínima do dia, hoje, a divisa foi cotada a R$ 2,262 (baixa de 0,61%). Na opinião dele, se o dólar voltar aos R$ 2,26 certamente a autoridade monetária deverá entrar no mercado para comprar. ''Poderá comprar até indiretamente, por meio do Banco do Brasil'', afirmou.

Atuação
A a última atuação da autoridade monetária no mercado à vista foi no dia 11 de agosto, quando a moeda norte-americana iniciou o dia abaixo dos R$ 2,30. Naquela data, a autoridade ofereceu R$ 2,298 para a compra de dólares em leilão. Além disso, desde o dia 9 de março o BC não promove o ''swap cambial reverso'', operação que tem o efeito de uma compra de divisas no mercado futuro.

Bovespa avança 2%
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, subiu 2% ontem e e bateu o quarto recorde de pontuação no mês ao fechar com inéditos 31.294 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa atingiu ontem R$ 2,095 bilhões. Na semana, a alta foi de 5%.


Estrangeiros
O desempenho positivo na Bovespa foi estimulado pela entrada de investidores estrangeiros no mercado acionário paulista, aumento das apostas de um corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros no próximo mês e pela alta expressiva das ações da Brasil Telecom.

Confiança
Os investidores estrangeiros voltaram a apostar nos papéis de empresas brasileiras e já colocaram R$ 672 milhões na Bolsa paulista em setembro até o dia 20. Em agosto, o saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa havia ficado negativo em R$ 120,7 milhões.

Apostas
Além disso, aumentaram as apostas de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic no próximo mês, para 19% ao ano, após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o que deu fôlego ao mercado acionário.
Na ata, divulgada quinta-feira, o Copom avalia que a convergência da inflação para as metas e a estabilidade da economia ajudarão no processo de redução das taxas de juros, indicando que novos cortes devem ocorrer nos próximos meses. Na sua última reunião, o comitê reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, de 19,75% para 19,5% ao ano.

Destaques
Os destaques positivos no Ibovespa ontem ficaram com os papéis da Brasil Telecom, que foram impulsionados pelo rumor de que a Telecom Italia teria comprado o controle da companhia. As ações da empresa ficaram entre as maiores altas do Ibovespa. A ação preferencial da Brasil Telecom subiu 12,29%. As ordinárias e preferenciais da Br Telecom Participações avançaram 10,48% e 7,20%, respectivamente.

Conversas
A empresa italiana confirmou que está conversando com os acionistas da Brasil Telecom mas negou que já tenha fechado um acordo. O controle da companhia vem sendo disputado pelos sócios praticamente desde sua privatização. Os principais acionistas da empresa são os fundos de pensão, Citigroup, Telecom Italia e Opportunity.


Nos EUA
No front externo, o mercado de petróleo aprofundou a realização de lucros antes da chegada do furacão Rita em terra. A categoria do fenômeno foi rebaixada de 4 para 3, mas sua passagem continua provocando incertezas. Quase toda a produção de petróleo e grande parte da produção de gás natural do Golfo do México foram suspensas em virtude das consequências do Katrina e preparativos para a chegada do Rita.


Alívio
Na Nymex, os contratos de petróleo para novembro recuaram 3,47%. Nas bolsas, o Dow Jones ficou praticamente estável (-0,02%), aliviado com o rebaixamento da categoria do furacão mas preocupado com o alerta de queda nos lucros da Alcoa e informe de resultados da Oracle. O Nasdaq subiu 0,29%.

Das agências Estado e Folhapress

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