Otimismo moderado
Embora a ata do Copom tenha apresentado um cenário positivo para o rumo da inflação, o mercado não encontrou no documento autorização para muito otimismo em relação à política monetária. Sem qualquer sinal objetivo do BC a respeito do ritmo de queda da taxa Selic, a reação do mercado foi de aumentar os prêmios nos contratos de juros. O DI mais curto, com vencimento em novembro, estima um corte inferior a 0,25 ponto porcentual. Na Bolsa, o dia foi de realização de lucros. O Ibovespa fechou o dia em queda de 0,51%. O dólar comercial registrou ligeira alta de 0,04%, para R$ 2,276.


Inflação
Na ata, pela primeira vez, a projeção de inflação do BC para 2005 no cenário de referência (com Selic a 19,75%, mais alta; câmbio a R$ 2,35, mais alto; e reajuste de combustíveis) ficou abaixo do objetivo de 5,1% (na ata anterior, mantinha-se acima). A ata falou da surpresa com a inflação de agosto (como a ata anterior já tinha manifestado surpresa com a inflação de julho).


Dólar
Ontem, na máxima do dia, a moeda norte-americana foi cotada a R$ 2,295 (alta de 0,87%). Na avaliação dos analistas, entretanto, sem a atuação do BC e diante das perspectivas de ingressos de recursos no país permanece a tendência de queda.


Bovespa recua 0,52%
A Bolsa de Valores de São Paulo abriu levemente positiva ontem mas acabou invertendo a tendência ainda pela manhã e fechou com baixa de 0,52%, aos 30.678 pontos. A alta de 2,59% registrada na quarta-feira e de 9,95% no acumulado do mês atraíram uma realização de lucros na Bovespa, o que, segundo analistas, é natural.

Âncora
A baixa na Bovespa foi ''puxada'' pelas ações da Petrobras. Os papéis ordinários da companhia caíram 2,87% e os preferenciais, 2,62%, influenciados pelo recuo do petróleo no mercado internacional. Na lista das maiores baixas, estiveram Aracruz ON (-3,55%), Petrobras (-2,87%), TIM Participações (-2,77%) e Celesc PNB (-2,76%).


Contrapeso
A queda na Bolsa só não foi maior porque os papéis da Telemar - segundo maior peso do Ibovespa- subiram. O preferencial fechou em alta de 2,04% e ordinário, de 1,70%. O movimento financeiro na Bolsa paulista somou ontem R$ 1,814 bilhão. Entre as maiores altas, figuraram Banco do Brasil ON (2,98%), Light ON (2,70%), Embratel PN (2,40%) e Telemar PNA (2,30%).

Nos Estados Unidos
A queda do preço do petróleo em razão da perda de intensidade do furacão Rita fez com que as bolsas americanas fechassem em alta ontem. A Bolsa de Valores de Nova York registrou ganhos de 0,42% no índice Dow Jones 30 Industrials, com 10.422 pontos, e de 0,37% no S&P 500, com 1.214 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq fechou em alta de 0,20%, com 2.110 pontos.

Petróleo
O petróleo se manteve em alta durante a maior parte do dia, mas, perto do fechamento, a intensidade do furacão Rita diminuiu para a categoria quatro e o preço do petróleo recuou. O barril para entrega em novembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 66,60, baixa de 0,3%.

Na Europa
As Bolsas européias fecharam em queda, com as preocupações das seguradoras sobre a possível devastação que o furacão Rita deve causar no sul dos EUA. A Bolsa de Paris perdeu 0,45%, fechando com 4.448 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve baixa de 0,54% e ficou com 4.849 pontos. A Bolsa de Milão recuou 0,61% e fechou com 26.359 pontos.

Exceções
As exceções do dia foram as Bolsas de Londres, que teve ganho de 0,3% e fechou com 5.385 pontos, e de Madri, que subiu 0,35% e ficou com 10.536 pontos. As ações da fabricante de aparelhos eletrônicos Philips caíram 2,4%, com as notícias de um excesso de oferta de monitores de tela plana e de TVs com tela de cristal líquido, e do plano de reestruturação da Sony, que evidenciou o problema de queda no mercado de aparelhos eletrônicos. A empresa anunciou que irá demitir 10 mil funcionárias e fechar 11 fábricas em todo o mundo. Em Londres, as ações ligadas ao setor petrolífero encerraram o dia em alta.

Na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 43,67 pontos, ou 0,29%, aos 15.179,95 pontos, com os investidores ainda realizando lucros. Na Coréia do Sul, o índice Kospi subiu 3,30 pontos, ou 0,28%, para 1.199,97 pontos. A bolsa de Taiwan cedeu 95,28 pontos, ou 1,57%, para 5.972,06 pontos, seguindo Wall Street. As ações de tecnologia lideraram as perdas. Na China, o índice Shangai Composto cedeu 2,4%, enquanto o Shenzen Composto recuou 3,1%.


Realizando lucros
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa, após uma sessão ativa, na qual os investidores realizaram lucros nos papéis dos grandes bancos, de construtoras e em ativos de outros setores que amealharam valorizações robustas. O fim de semana prolongado também ajudou na capitulação marginal do mercado. Os mercados japoneses não abrem hoje, em razão do Dia do Equinócio Outonal. O Nikkei-225 caiu 37,21 pontos (0,3%), para 13.159,36 pontos, após ter subido 4,7% nas dez sessões até quarta-feira, quando atingiu um novo recorde em quatro anos. O volume negociado na primeira sessão da Bolsa de Tóquio foi estimado em 2,817 bilhões de ações, mantendo-se firme, embora não tenha subido para um novo recorde, como ocorreu nas duas sessões anteriores.

Sony
As ações da Sony caíram 2,2%, na Bolsa de Tóquio, antes de a companhia divulgar seu plano de reestruturação. O plano tem como ponto central a eliminação de 10 mil empregos de seu quadro mundial de funcionários, o que representa cerca de 7% do total atual. A empresa pretende ainda reduzir sua base de produção em 17%, vendendo ativos que não são considerados prioritários, além de enxugar em 20% o número de modelos produzidos.


Das agências Estado e Folhapress

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