MERCADO FINANCEIRO
Boato bom
O rumor de que o Brasil pode receber um novo upgrade em sua classificação de risco - talvez pela agência Moody's, conforme os comentários no mercado - garantiu ontem fôlego extra para os negócios. O Ibovespa bateu novo recorde com fechamento em 30.837 pontos, uma alta de 2,59%. O dólar comercial acentuou a baixa e fechou cotado a R$ 2,275, queda de 1,09%. O risco país também reagiu e, às 18h00, recuava 3 pontos, para 363 pontos-base. No mercado de juros, o clima positivo nos demais mercados acabou reforçando a aposta de que a ata do Copom, que sai hoje, não trará nenhuma surpresa. Assim, o DI mais negociado, com vencimento em janeiro/07, fechou o dia na mínima, com taxa de 17,60%, ante 17,65% de terça-feira.
Dólar em baixa
Os ingressos de recursos no país e perspectivas de novas entradas no curto prazo fizeram o dólar romper a barreira dos R$ 2,28. A divisa norte-americana iniciou o dia em baixa e acentuou a queda principalmente no período da tarde, fechando com desvalorização de 1,08%, a R$ 2,275 na venda -menor cotação desde 10 de abril de 2002 (R$ 2,264).
Gerdau
Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, avalia que o dólar está ''sem limite de queda''. ''A liquidez está forte e há rumores de que a Gerdau já estaria ingressando parte dos recursos captados no exterior'', afirmou. A Gerdau captou US$ 600 milhões no exterior na semana passada. Além disso, o Brasil fez uma captação de R$ 3,4 bilhões também na última semana, por meio de uma emissão externa de títulos em reais.
Bovespa sobe 2,59%
A Bolsa de Valores subiu 2,59% impulsionada por rumores de que o Brasil poderá ter um ''upgrade'', ou seja, uma melhora na sua classificação de risco pelas agências internacionais. O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, deveria viajar ainda ontem para Washington (EUA), onde se reunirá com representantes de agências de classificação de risco.
Especulações
Segundo Álvaro Borges, agente de investimento autônomo, a viagem de Levy gerou especulações no mercado de uma possível melhora na nota do Brasil. Em tese, uma melhora do chamado ''rating soberano'' (nota que mede o risco de o governo brasileiro não honrar o pagamento de um título emitido) favorece a tomada de empréstimos no exterior, pois sinaliza uma chance menor de moratória na dívida.
Mineradoras
A alta na Bovespa foi impulsionada também pelos ganhos expressivos das mineradoras Vale do Rio Doce e Caemi -do mesmo grupo-, que subiram após o aumento da recomendação de compra feita pela corretora Merrill Lynch. As ações preferenciais da Caemi fecharam em alta de 8,05%. As preferenciais ''A'' da Vale subiram 4,74% e as ordinárias, 5,37%. Os três papéis ficaram entre os dez mais negociados da Bovespa, que movimentou hoje R$ 2,587 bilhões.
Outro destaque
Outro destaque de volume foram as ações da Petrobras (R$ 208 milhões), que seguiram beneficiadas pela alta nos preços do petróleo e pelo anúncio da descoberta de gás em poço no Golfo do México. Petrobras PN avançou 3,76% e Petrobras ON, 3,21%. Entre as maiores altas, estiveram Caemi PN (8,05%), Tractebel ON (7,09%), TIM Participações ON (6,53%) e Banco do Brasil ON (5,93%). Nas maiores baixas, estiveram Contax ON (-3,09%), seguida por Celesc PNB (-2,68%), Embraer PN (-1,92%) e Contax PN (-1,46%).
Nos EUA
O mercado americano sentiu o impacto da aproximação do furacão Rita em três frentes ontem, com a queda das Bolsas e do dólar e a alta do preço do petróleo. A preocupação com o aumento dos preços de combustíveis como gasolina, diesel e óleo para calefação levou à queda das Bolsas. A alta dos gastos com energia pode levar os consumidores a terem menos renda disponível e reduzir os lucros das empresas.
Dow Jones e Nasdaq
O índice Dow Jones, o principal da Bolsa de Nova York, fechou em queda de 0,99%, a 10.378,03 pontos. Já a Nasdaq caiu 1,16% e fechou a 2.106,64 pontos. O petróleo atingiu US$ 68,27 durante o dia devido à preocupação com o furacão, antes de fechar a US$ 67,40, em alta de 0,9%. O barril do Brent, negociado em Londres, teve alta de 0,8% e fechou cotado a US$ 64,73.
Queda na Europa
As Bolsas européias também fecharam em queda ontem, com a alta do petróleo devido à aproximação do furacão Rita do golfo do México, ameaçando as plataformas e refinarias da região. A Bolsa de Londres fechou em queda de 0,86%, com 5.369 pontos. A Bolsa de Paris fechou com baixa de 1,41% e ficou com 4.468 pontos. A Bolsa de Frankfurt caiu 1,77% e ficou com 4.875 pontos. A Bolsa de Milão perdeu 0,31% e fechou com 26.522 pontos e a Bolsa de Madri fechou em baixa de 0,79%, com 10.500 pontos
Estimativas do FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou suas previsões de crescimento econômico para este ano e apresentou uma estimativa de crescimento de apenas 1,2% para os 12 países da zona do euro (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal).
Corte de juros
Segundo o FMI, o BCE (Banco Central Europeu) precisa considerar um corte em sua taxa de juros (de 2% ao ano) se a economia da zona do euro não conseguir reagir e se as pressões inflacionárias permanecerem contidas. O economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan, disse que o BCE não deveria ''tirar da mesa'' a possibilidade de um corte de juros.
Das agências Estado e Folhapress





