MERCADO FINANCEIRO
Dólar abaixo dos R$ 2,30
O dólar interrompeu uma seqüência de três altas ontem e fechou abaixo dos R$ 2,30, o que não acontecia desde 10 de agosto deste ano. A divisa norte-americana caiu 1,41% e encerrou o dia a R$ 2,296. Segundo Francisco Carvalho, da corretora Liquidez, a entrada de recursos no país e previsões de novos ingressos sustentaram a queda da moeda norte-americana que, na mínima do dia, foi a R$ 2,292 (baixa de 1,58%).
Captações
Captações do governo federal e de empresas privadas colaboram com a entrada de dólares no País. A Gerdau informou que concluiu ontem uma captação de US$ 600 milhões no exterior por meio da emissão de bônus perpétuos, títulos de dívida sem vencimento que poderão ser resgatados pela empresa a partir do quinto ano ou a partir desta data a cada pagamento de juros. Além disso, o Tesouro Nacional informou que pretende fazer uma emissão em reais no exterior em breve. Estas captações mostram que existe demanda por papéis de empresas brasileiras no exterior, afirmou Carvalho. Segundo a Gerdau, a demanda pelos seus títulos chegou US$ 3,5 bilhões, quase 12 vezes maior que a oferta inicial da empresa, que era de US$ 300 milhões.
Efeito Copom
Para Carvalho, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir o juro básico (Selic) em apenas 0,25 ponto percentual, para 19,5% ano ano, também foi bem recebida pelo mercado. De acordo com ele, havia uma certa expectativa de que o comitê pudesse ser mais agressivo e cortar a Selic em 0,5 ponto percentual.
Interesse
Em tese, o juro menor reduz o interesse dos investidores estrangeiros por aplicações no Brasil e, conseqüentemente, diminui os ingressos de dólares para o país, afetando o câmbio. Já para a Bovespa o juro mais baixo é interessante, pois pode provocar a migração de aplicações em renda fixa - cujos rendimentos estão atrelados à Selic - para ações.
Bovespa sobe
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 1,09% e fechou com 29.366 pontos, se aproximando novamente do recorde histórico de pontuação atingido em março deste ano (29.455). As maiores altas do Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - foram as ações preferenciais da Bradespar (+7,45), preferenciais B da Celesc (+6,15%) e preferenciais A da Usiminas (+5,19%). O giro na Bolsa de Valores de São Paulo somou R$ 1,8 bilhão.
Influências
O cenário externo colaborou com o desempenho positivo na Bovespa ontem. No fim do dia, o Global 40 - títulos da dívida externa do país- subia 0,08%, para 120,3% do seu valor de face. O risco-país brasileiro -termômetro da confiança dos estrangeiros no país- caía quase 4% no final do dia, para 369 pontos, menor patamar desde outubro de 1997. Para Alex Agostini, economista-chefe da Global Invest, a queda do risco Brasil reflete a melhora da economia brasileira e dos títulos de dívida do país no exterior.
Nos EUA
O índice de preços ao consumidor referente a agosto nos EUA, divulgado ontem, foi recebido com otimismo pelos investidores, o que favoreceu os negócios nas Bolsas americanas. O índice Dow Jones 30 Industrials, da Nyse (sigla em inglês para Bolsa de Valores de Nova York), fechou em alta de 0,13%, com 10.558 pontos, enquanto o S&P 500 teve ligeira variação positiva de 0,05%, fechando com 1.227 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq, no entanto, registrou baixa de 0,15%, fechando com 2.146 pontos.





