MERCADO FINANCEIRO
Dólar tem leve alta
A cautela guiou o mercado de câmbio ontem. Depois de subir 0,51% e atingir os R$ 2,40, o dólar fechou com leve alta de 0,04%, vendido a R$ 2,329, na cotação mínima do dia. Na avaliação de Flávio Ogoshi, do RaboBank, o cenário político e a expectativa com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre os juros concentraram as atenções ontem.
Expectativas
A principal expectativa do mercado girou em torno do discurso prometido pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no plenário da Câmara. Jefferson disse que irá fazer um discurso ''bombástico'' antes da votação da cassação do seu mandato de deputado. Pela manhã, o destaque ficou com o empresário Sebastião Buani, que apresentou a cópia do cheque de R$ 7,5 mil que teria entregue ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), como propina para garantir o funcionamento do seu restaurante na Câmara. O cheque tem a assinatura da secretária de Severino, Gabriela Martins.
Denúncias
O chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos do governo, Luiz Gushiken, afirmou ontem, à CPI dos Correios, que sua antiga pasta (a Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica) recebeu muitas ''denúncias infundadas''. Além de tudo isso, novas denúncias de corrupção envolvem o nome do irmão do ministro Antonio Palocci (Fazenda), Ademar Palocci, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de Goiânia e atual diretor de engenharia e planejamento da Eletronorte.
Selic
Já a decisão do Copom sobre a taxa básica (Selic) saiu após o fechamento do mercado. A maior parte das apostas era por um corte de pelo menos 0,25 ponto percentual na taxa. O juro menor no Brasil, em tese, torna os investimentos no país menos atrativos, o que pode reduzir o ingresso de recursos e influenciar a alta do dólar. Entretanto, mesmo com um corte na Selic, a taxa continuará alta em relação a outros países. Nos EUA, por exemplo, o juro básico está em 3,5% ao ano.
Bovespa avança
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com alta de 0,66%, aos 29.049 pontos, com volume financeiro de R$ 1,526 bilhões. A alta na Bolsa paulista foi impulsionada pela previsão de redução da Selic. O cenário político também voltou a concentrar a atenção do mercado, depois de uma agenda fraca na semana passada, por conta do feriado do Dia da Independência. Com isso, o Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista - manteve-se em alta moderada ao longo de todo o dia.
Petrobras
A ação preferencial da Petrobras subiu 1,57% no dia e foi a mais negociada da Bovespa. O papel da empresa foi influenciado mais uma vez pela alta do preço do petróleo no mercado internacional. A queda no estoque de petróleo dos EUA na última semana fez o preço do barril do produto subir 3,06% nesta quarta-feira, encerrando o dia cotado a US$ 65,04.
Nasdaq e Dow Jones
As Bolsas americanas fecharam em queda com uma quarta-feira de dados econômicos fracos e de alta do preço do petróleo. A Bolsa de Valores de Nova York registrou perdas de 0,50% no índice Dow Jones 30 Industrials, com 10.544 pontos, e de 0,33% no S&P 500, com 1.227 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq, no entanto, registrou recuo de 1,03%, com 2.149 pontos.
Varejo e indústria
As vendas no varejo norte-americano em agosto caíram 2,1%, menor resultado desde novembro de 2001, quando a queda foi de 2,9%. E a produção industrial também foi fraca no mês passado - apenas 0,1%, devido aos efeitos da destruição causada pelo furacão Katrina.
Na Europa
As Bolsas européias reverteram as quedas do início das negociações e fecharam em alta ontem, com ganhos no setor de bancos de investimentos, devido à divulgação de lucro recorde do Lehman Brothers. A alta de quase 2% no preço do petróleo, no entanto, freou maiores ganhos. A Bolsa de Londres subiu 0,18%, para fechar com 5.347 pontos. A Bolsa de Paris teve ganho de 0,38% e fechou com 4.470 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve ganho de 0,19%, ficando com 4.911 pontos. A Bolsa de Milão subiu 0,72%, para 26.397 pontos e a Bolsa de Madri teve valorização de 0,28% e fechou com 10.459 pontos.
Destaques
O crescimento de 74% no lucro trimestral do banco de investimento Lehman Brothers favoreceu todo o setor. Os destaques entre os ganhos foram os dos papéis do Credit Suisse e do UBS. As ações da operadora britânica de telefonia móvel Vodafone subiram 1,7% com a previsão do banco Morgan Stanley de que a empresa deverá registrar maior crescimento e a expansão de sua participação de mercado.
Ascensão
Outros papéis que subiram ontem nas Bolsas européias foram os da francesa Thales (1,1%), com a notícia de que a empresa européia do setor aeroespacial EADS vem acompanhando a fabricante de equipamentos eletrônicos para o setor de defesa, o que, segundo analistas, pode resultar em uma proposta de compra. Também subiram os papéis da fabricante italiana de automóveis Fiat (1,5%), depois que o executivo-chefe da empresa, Sergio Marchionne, disse que espera concluir até outubro as negociações com a americana Ford para desenvolverem em conjunto dois novos carros para o mercado europeu.
Asiáticas
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 16,06 pontos, ou 0,11%, aos 15.086,62 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 12,65 pontos, ou 1,09%, aos 1.170,77 pontos. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em baixa de 20,38 pontos, ou 0,33%, aos 6.148,70, com algumas ações de tecnologia liderando os declínios. Na China, o índice Shangai Composto fechou ema alta de 0,8% e o Shenzen Composto avançou 0,9%, sustentados pelo otimismo com o programa e reforma do mercado de ações.
Tóquio
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 5,52 pontos, ou 0,04%, aos 12.901,95 pontos. As ações da corretora Nikko Cordial fecharam em alta de 4,5%, depois de o grupo ter informado que prevê um crescimento de 48% do lucro no seu primeiro trimestre fiscal, que termina no próximo dia 30. As ações da Nomura, maior corretora do país, ganharam 2,1%. Papéis do setor imobiliário e de outras companhias cujos resultados deverão se beneficiar da recuperação do crescimento japonês também subiram.
Das agências Estado e Folhapress





