MERCADO FINANCEIRO
Cautela com Copom
O dólar fechou em alta de 0,25% ontem, vendido a R$ 2,328, pressionado pela cautela do mercado diante de depoimentos na CPI do Mensalão e no Conselho de Ética da Câmara. A expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a trajetória dos juros básicos (Selic) também pesou nos negócios, apesar de já haver um consenso de que a taxa deve recuar pelo menos 0,25 ponto percentual, de 19,75% para 19,5% ao ano. O Copom anuncia sua decisão hoje à noite.
Genoino
O mercado acompanhou, principalmente, o depoimento do ex-presidente do PT José Genoino à CPI do Mensalão. Ele negou categoricamente a existência de um esquema de pagamento de parlamentares montado pelo PT no Congresso. ''Nunca houve nem nunca foi discutida troca de apoio por dinheiro'', disse Genoino.
Rebelo
Já o ex-ministro da Coordenação Política, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), confirmou em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, que estava presente à reunião ocorrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), em março deste ano, quando o ex-presidente nacional do PTB levantou a questão do pagamento a parlamentares, o chamado ''mensalão''. Para hoje, está previsto o depoimento, à CPI dos Correios, do secretário do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Luiz Gushiken.
Bovespa cai 0,79%
A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 0,79% ontem e fechou com 28.873 pontos, depois de encerrar dois pregões seguidos acima dos 29 mil pontos, se aproximando de recorde registrado em março. As dez ações mais negociadas da Bolsa paulista fecharam em queda. O papel preferencial da Companhia Vale do Rio Doce, que liderou o movimento, caiu 1,06%. O segundo mais negociado, o preferencial da Petrobras, recuou 1,02%. O volume financeiro movimentado ontem na Bolsa de Valores de São Paulo somou R$ 1,368 bilhão.
Influência
A queda na Bolsa paulista foi influenciada pelo desempenho negativo do mercado acionário norte-americano. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,80%. A Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,51%. As Bolsas norte-americanas operaram em baixa durante todo o dia, por conta de preocupações dos investidores com as revisões de lucros anunciados por algumas empresas.
Queda nos ganhos
A rede de comunicações ''Knight Ridder'', por exemplo, anunciou que seus ganhos podem sofrer uma queda de 20% no terceiro trimestre devido a perdas provocadas pela passagem do furacão Katrina. Segundo analistas, as empresas começam a enviar sinais ao mercado de ações para alertar sobre o impacto que as perdas com o Katrina e com os altos preços do petróleo tiveram em seus resultados.
Européias também caem
As Bolsas européias fecharam em baixa ontem, com a queda nos papéis do setor de energia, com destaque para as ações de petrolíferas. A Bolsa de Londres perdeu 0,69% e caiu para 5.338 pontos. A Bolsa de Paris teve queda de 0,86% e fechou com 4.453 pontos. A Bolsa de Frankfurt recuou 1,77%, para 4.901 pontos. A Bolsa de Milão teve queda de 0,48%, fechando com 26.208 pontos e a Bolsa de Madri teve desvalorização de 0,62% e fechou com 10.429 pontos.
Petróleo
O petróleo se manteve ontem no patamar de US$ 63, depois das quedas dos últimos dias, com a lenta retomada da produção nas plataformas e refinarias no golfo do México, atingidas pelo Katrina. O temor de queda nos lucros das petrolíferas fez as ações das empresas do setor caírem, com destaque para as da British Petroleum, Royal Dutch/Shell e Total.
Indicadores
Os dados econômicos divulgados ontem nos EUA foram vistos como positivos pelos investidores. O índice de inflação ao produtor no país registrou desaceleração, subindo 0,6% em agosto, contra o 1% de julho. O déficit comercial no país em julho caiu 2,6%, para US$ 57,9 bilhões.
Katrina
Os números foram contrabalançados, no entanto, com a informação do Departamento do Trabalho dos EUA de que o índice de inflação ao produtor ainda não refletiu a destruição causada pelo Katrina. O índice de setembro pode ganhar fôlego, segundo analistas, e manter o Federal Reserve (Fed, o BC americano) em sua política de altas de juros - a taxa atual do banco está em 3,5% ao ano.
Hong Kong cede 0,85%
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 129,23 pontos, ou 0,85%, aos 15.070,56 pontos, pressionada por ações do setor de petróleo e imobiliário. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 0,24 ponto, ou 0,02%, aos 1.158,12 pontos, em realização de lucros depois de cinco pregões sucessivos de alta. A queda foi contida por ganhos de blue chips.
Taiwan e China
Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 4,10 pontos, ou 0,07%, aos 6.169,08 pontos. Na China, o índice Shangai Composto terminou em alta de 1,6%, no maior nível de fechamento desde 15 de abril, e o Shenzen Composto teve ganho de 2%. ''O progresso da reforma do mercado e as atitudes favoráveis do governo ajudaram a aumentar a confiança dos investidores'', disse o analista Xia Ruipeng, da Orient Securities.
Bolsa de Tóquio
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 5,52 pontos, ou 0,04%, aos 12.901,95 pontos. As ações da Nomura, maior corretora do país, ganharam 2,1%. Papéis do setor imobiliário e de outras companhias cujos resultados deverão se beneficiar da recuperação do crescimento japonês também subiram. ''Tendo em vista as condições econômicas e corporativas favoráveis, os investidores estão procurando ações de siderúrgicas, imobiliárias e de bancos'', disse o diretor de negociações com ações da Chuo Securities, Mamoru Maeda.
Correção
Há alertas, no entanto, de que o mercado deverá passar por alguma correção, depois da forte valorização recente. O estrategista de ações do UBS, Shoji Hirakawa, disse que o aumento do interesse por ações de pequena capitalização é sinal de que a corrida no mercado estaria próximo do fim. As fabricantes de automóveis terminaram com ganhos (Toyota +1,3%, Nissan +0,9%, Honda +1,0%). Mitsubishi Motors saltou 8,1%, depois de ter feito comentários otimistas sobre sua previsão de vendas na Europa.
Das agências Estado e Folhapress





