MERCADO FINANCEIRO
À espera do Copom
O dólar subiu 0,51% ontem e fechou a R$ 2,322 na venda, interrompendo uma sequência de três quedas. Segundo Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, o mercado de câmbio já está se ajustando à possibilidade de corte do juro básico (Selic) nesta semana.
Aposta
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne hoje e amanhã, quando divulga sua decisão sobre a Selic - atualmente em 19,75% ao ano. A maior parte do mercado aposta na redução de 0,25 ponto percentual na taxa, mas há também quem espere um corte de 0,5 ponto.
Juro alto
''O investidor está aqui (no Brasil) porque o juro está alto. Com a possibilidade de redução da taxa, o mercado começa a se ajustar'', afirmou. Vogeler ressaltou, entretanto, que o dia foi de poucos negócios no câmbio. Na mínima do dia, pela manhã, o dólar foi negociado a R$ 2,312 (valorização de 0,08%), com o movimento de alta minimizado pelo resultado da balança comercial.
Balança
O saldo da balança já soma US$ 29,729 bilhões no ano até a segunda semana de setembro, um crescimento de 28,7% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado (US$ 23,098 bilhões). Somente na segunda semana deste mês, o saldo ficou positivo em US$ 854 milhões, acima do registrado na semana anterior (US$ 527 milhões).
Acima do recorde
Para este ano, os analistas do mercado financeiro prevêem um superávit comercial de US$ 40,5 bilhões, resultado que seria bastante superior ao recorde histórico de US$ 33,696 bilhões registrado no ano passado. O Ministério do Desenvolvimento não trabalha com uma meta de superávit.
Bovespa recua 0,76%
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem em baixa de 0,76%, com o investidor realizando lucros, ou seja, embolsando parte dos ganhos da semana passada, quando acumulou alta de 3,5%. Mesmo com a queda, o Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista - conseguiu fechar acima dos 29 mil pontos pelo segundo dia, marcando 29.086 pontos. Na última sexta-feira, o Ibovespa subiu 1,66% e chegou aos 29.307 pontos, se aproximando do recorde histórico de pontuação, atingido em 7 de março deste ano - 29.455 pontos.
Reflexos
Ontem, a Bovespa ficou praticamente todo o dia negativa, apesar das apostas de redução dos juros básicos (Selic) nesta semana. Na avaliação de analistas, parte do mercado acionário já embutiu nos preços das ações a possibilidade de redução dos juros. Das ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores quedas ficaram hoje com os papéis preferenciais da TIM Participações e NET, de 5,53% e 5,31%, respectivamente.
Petrobras
Por outro lado, a ação preferencial da Petrobras subiu 0,44% e foi a mais negociada no dia, impulsionada pelo reajuste dos combustíveis. A Petrobras anunciou na última sexta-feira um reajuste de 10% na gasolina e de 12% no diesel nas refinarias. Os percentuais não incluem Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS). O volume financeiro negociado na Bovespa somou R$ 1,219 bilhão ontem.
Nos Estados Unidos
As Bolsas americanas foram favorecidas ontem com a notícia de que o site de leilões eBay irá adquirir a empresa de telefonia VoIP (voz sobre IP) Skype Technologies. A queda do petróleo também deu fôlego aos negócios. O índice Dow Jones 30 Industrials, da Nyse (sigla em inglês para Bolsa de Valores de Nova York), subiu 0,04%, fechando com 10.682 pontos, enquanto o S&P 500, também da Nyse, recuou 0,07%, no entanto, para 1.240 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve ganho de 0,34%, indo para 2.182 pontos.
Petróleo
O petróleo foi outro fator positivo do dia. O barril para outubro fechou cotado a US$ 63,33 em Nova York. A lenta retomada da atividade nas refinarias e plataformas do golfo do México e a ajuda que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) irá dar aos EUA, com o envio de cerca de 60 milhões de barris de petróleo e destilados para evitar escassez no país.
Na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 34,02 pontos, ou 0,22%, aos 15.199,79 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 5,86 pontos, ou 0,51%, aos 1.158,36 pontos. Bancos e corretoras foram destaque, em meio aos sinais de recuperação do consumo local e à perspectiva positiva para o mercado. A alta das bolsas de Tóquio e norte-americanas e a queda do petróleo também contribuíram para essa valorização.
Reflexos
Em Taiwan, o índice Weighted fechou em alta de 45,92 pontos, ou 0,75%, aos 6.164,98 pontos, beneficiado pelos ganhos de Wall Street na sexta-feira. Na China, o índice Shangai Composto cedeu 0,1% e o Shenzen Composto subiu 0,3%.
Euforia em Tóquio
A bolsa de Tóquio fechou com o índice Nikkei em alta de 204,39 pontos, ou 1,61%, aos 12.896,43 pontos. Foi o maior ganho desde maio, e o nível de fechamento foi o mais elevado desde 29 de junho de 2001. O mercado japonês foi impulsionado pela euforia que se seguiu à vitória do primeiro-ministro Junichiro Koizumi nas eleições de domingo.
Koizumi
O Partido Democrata Liberal, de Koizumi, e o partido aliado New Komeito obtiveram juntos 327 assentos do total de 480 na Câmara Baixa. Esse resultado surpreendentemente favorável ao primeiro-ministro abre caminho para que Koizumi dê prosseguimento ao processo de privatização dos correios e ampliou as expectativas de que o governo irá pressionar para que outras reformas estimulem a economia.
Cereja do bolo
A revisão em alta do PIB japonês, de uma estimativa inicial de expansão de 0,3% para 0,8% no período de três meses terminado em junho, foi a cereja do bolo para muitos investidores. Houve muitas ordens de compra por parte de estrangeiros. As ações de bancos, corretoras, imóveis e varejistas foram destaque de alta.
Das agências Estado e Folhapress





