MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha a R$ 2,31
O dólar fechou ontem em queda pelo terceiro dia seguido. A moeda norte-americana caiu 0,47% e encerrou os negócios valendo R$ 2,31. Na semana, acumulou baixa de 0,90%. Pela manhã, a divisa norte-americana chegou a subir 0,56% e atingir os R$ 2,333, por conta de uma operação grande de compra no câmbio. Segundo operadores, uma empresa comprou cerca de US$ 200 milhões no mercado à vista, o que pressionou a cotação da moeda.
Tranquilidade
Segundo André Kitahara, do RaboBank, à tarde, sem rumores sobre o noticiário político do final de semana e sem grandes saídas, o movimento foi tranquilo. ''Hoje (ontem) não teve boato de revistas. Foi um dia bem calmo'', afirmou. Outro fator que tem influenciado a queda do dólar é a possibilidade de interrupção do ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos, por conta dos estragos causados pelo furacão Katrina, que deverão afetar a economia norte-americana.
Menos atraentes
Deixando de aumentar os juros, as aplicações nos EUA ficam menos atraentes e favorecem os ingressos de recursos para o Brasil, onde os rendimentos são mais altos, por conta da Selic elevada - 19,75% ao ano atualmente. Os juros norte-americanos vêm subindo desde junho do ano passado e estão em 3,5% ao ano.
Merrill Lynch
Segundo relatório do banco de investimento Merrill Lynch, divulgado no início desta semana, ''o furacão Katrina deve levar o Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) a fazer uma pausa (na alta dos juros) em setembro, o que é positivo para a liquidez global e, portanto, para os países emergentes''. Na visão do banco, o Brasil e a Turquia serão os beneficiários dessa liquidez.
Bovespa sobe 1,6%
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 1,66% ontem e fechou com 29.307 pontos, se aproximando do recorde histórico atingido em 7 de março deste ano, quando o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - fechou com 29.455 pontos. O aumento das apostas de corte dos juros básicos (Selic) na próxima semana e a entrada de investidores estrangeiros deram fôlego ao mercado acionário paulista. O volume financeiro da Bovespa ontem somou R$ 1,476 bilhão.
IGP-M
Para Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, o resultado do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) na primeira prévia de setembro reforçou as apostas de corte nos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que acontece na semana que vem. A taxa está atualmente em 19,75% ao ano.
Queda média
Os preços medidos pelo IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, apresentaram queda média de 0,56% na primeira prévia de setembro. Em igual período do mês anterior, o indicador havia apurado deflação de 0,36%. ''O movimento da Bolsa não só hoje, mas nos últimos dias, está atrelado à perspectiva de redução dos juros no segundo semestre'', disse Alcântara.
Destaques
Entre as maiores altas na Bovespa, predominaram as ações do setor elétrico, com Cemig PN (5,65%) na liderança. Em seguida vieram Copel PNB (5,16%), Light ON (4,88%), Sadia PN (4,51%), e Eletrobrás PNB (4,46%). Na lista das mais desvalorizadas, os destaques eram papéis de telefonia: Contax PN (-1,52%), Embratel PN (-1,29%), Telemar ON (-0,53%), Ambev PN (-0,24%), Telemar PN (-0,11%).
Indicadores norte-americanos
Nos EUA, o petróleo deu alívio e encerrou em baixa de 0,64%, a US$ 64,08 o barril para outubro na Nymex, o menor nível em três semanas. Também os preços da gasolina recuaram, ao menor nível em duas semana, cotado o galão ao final da sessão em US$ 1,9597 (-3,72%). Nas bolsas, o Dow Jones avançou 0,78% e o Nasdaq 0,44%, animadas pela queda do petróleo.
Londres
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em alta de 18,50 pontos, ou 0,35%, aos 5.359,30 pontos. As ações do setor petrolífero ofereceram suporte. Royal Dutch Shell subiu 0,7%, ao afirmar que sua produção está gradativamente voltando ao normal no Golfo do México após a passagem do Katrina.
Paris
A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em alta de 25,74 pontos, ou 0,58%, aos 4.491,68 pontos, ajudada pelo tom positivo de Wall Street, pelos balanços de companhias locais, e apesar da queda de 0,9% da produção industrial francesa em julho ante junho. Essilor liderou os ganhos, subindo 3%, depois de reunião com analistas. Casino ganhou 2,8%, sustentada pelo balanço semestral.
Frankfurt e Milão
A bolsa de valores de Frankfurt fechou com o índice Dax em alta de 13,18 pontos, ou 0,26%, aos 5.005,93 pontos, ajudada pelos sinais positivos de Wall Street no final do pregão. A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em alta de 67 pontos, ou 0,20%, aos 34.233 pontos. Um operador destacou que o sentimento de forma geral positivo no mercado sustentou as ações, em um dia fraco de notícias. O foco do mercado está centrado no presidente do Banco da Itália, que deve pedir demissão do cargo em meio à pressão política. Na semana, a bolsa acumulou alta de 1,68%.
Na Ásia
A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 7,24 pontos, ou 0,63%, aos 1.152,50 pontos. A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng estável, aos 15.165,77 pontos. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em baixa de 30,82 pontos, ou 0,50%, aos 6.119,06 pontos. Na China, o índice Shangai Composto caiu 0,4% e o Shenzen Composto cedeu 0,8%, com realização de lucros.
Eleição
A Bolsa de Tóquio fechou sustentada no último pregão antes das eleições para a Câmara Baixa, que ocorrem amanhã, e para as quais as pesquisas apontam vitória do partido do primeiro-ministro Junichiro Koizumi e do partido New Komeito, com o qual compõe coalizão. As previsões favoráveis feitas pela Intel e pela Texas, após o fechamento da sessão em Nova York, também ajudaram a sustentar o mercado, especialmente o segmento de tecnologia. No fim do dia, o índice Nikkei registrava ganho de 158,1 5 pontos (1,3%), em 12.692,04 pontos, maior nível desde 3 de julho de 2001.
Das agências Estado e Folhapress





