MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha estável
O dólar fechou ontem a R$ 2,385, mesmo valor do dia anterior, depois de oscilar entre R$ 2,398 (alta de 0,54%) e R$ 2,375 (baixa de 0,41%). O mercado de câmbio mais uma vez acompanhou de perto a trajetória do preço do petróleo. No meio da tarde, o barril da commodity chegou perto dos US$ 71, com informações sobre os prejuízos causados pelo furacão Katrina nas companhias petrolíferas. O furacão provocou a interrupção de aproximadamente um quarto da produção de petróleo no golfo do México e o fechamento de refinarias na região. O barril fechou cotado a US$ 69,81 -recorde para um fechamento- e durante o dia atingiu os US$ 70,90 - maior valor já registrado pelo petróleo em Nova York.
Influências
Outros dois fatores que influenciaram o movimento do câmbio ontem foram a expectativa com a divulgação da ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) e o início da disputa entre comprados e vendidos para a formação da ptax - média diária do dólar. A ptax é a taxa de referência para liquidação dos contratos de dólar negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) no primeiro dia de cada mês. A formação dessa taxa, como regra geral, provoca a ação de investidores no mercado à vista, que procuram influenciar o preço da moeda americana conforme sua posição nesses contratos.
Preocupação
Já os membros do Fomc (sigla em inglês para o Comitê de Política Monetária do Federal Reserve, o BC americano) mostraram preocupação com o rumo que a inflação pode tomar nos EUA em agosto, devido aos aumentos registrados nos últimos índices, e o ciclo de altas de juros iniciado em junho de 2004 deve ser mantido, segundo a ata da última reunião do Fed, quando o juro norte-americano subiu de 3,25% para 3,5% ao ano.
Bovespa descola de NY
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,80% ontem, apesar da queda do mercado acionário norte-americano e do avanço do preço do petróleo. Segundo Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, o desempenho da Bovespa foi estimulado pelo aumento das apostas de corte na taxa básica de juros (Selic) em setembro - atualmente em 19,75% ao ano.
Expectativa
''A deflação de 0,65% registrada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado) em agosto reforçou a expectativa de redução dos juros'', disse ele. Também colaborou com o movimento positivo na Bolsa paulista a ausência de notícias no cenário político. O depoimento do chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Juscelino Dourado, à CPI dos Bingos, atrasou e até o fechamento dos negócios não havia começado.
Destaques
Entre os destaque na Bovespa ficaram novamente com as ações da Petrobras, que acompanharam o petróleo. A ação preferencial da estatal subiu 1,96% e a ordinária, 2,77%. Os papéis preferenciais e ordinários da Companhia de energia de Minas Gerais (Cemig) subiram, respectivamente, 3,36% e 2,94%, com o anúncio na redução da programação de investimentos.
Negócios
O volume financeiro de negócios somou R$ 1,240 bilhão, maior do que ontem (R$ 831,3 milhões). O saldo de investimentos estrangeiros, que estava positivo em R$ 558,9 milhões na Bovespa até o dia 20, entretanto, inverteu e está negativo em R$ 36,6 milhões no acumulado do mês até o dia 25. Segundo analistas, essa inversão no balanço de investimentos estrangeiros na Bolsa se deveu, basicamente, à venda feita pelo grupo espanhol La Caixa de sua participação no Itaú.
Nasdaq e Dow Jones
As Bolsas americanas fecharam em queda com investidores conhecendo as consequências da passagem do furacão Katrina pelo país e o petróleo batendo novos recordes. Houve redução da capacidade de refinarias, prejuízos para hotéis e cassinos. Seguradoras registraram danos superiores a US$ 26 bilhões (R$ 62 bilhões). O índice Dow Jones 30 Industrials, da Nyse (sigla em inglês para Bolsa de Valores de Nova York), registrou perda de 0,48%, com 10.412 pontos, enquanto o S&P 500, caiu 0,32%, para 1.208 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq registrou baixa de 0,37%, com 2.129 pontos.
Bolsas na Europa
As Bolsas européias também refletiram ontem as preocupações dos investidores sobre a nova trajetória de alta do preço do petróleo. A Bolsa de Paris fechou em baixa de 0,11%, com 4.356 pontos. A Bolsa de Frankfurt recuou 0,43%, indo para 4.791 pontos. A Bolsa de Milão teve queda de 0,15% e ficou com 25.438 pontos e a Bolsa de Madri teve desvalorização de de 0,16%, encerrando o dia com 9.922 pontos. A exceção do dia foi a Bolsa de Londres, que fechou o pregão com valorização de 0,53% e 5.255 pontos.
Bolsas na Ásia
A bolsa de valores da Indonésia fechou em forte alta, após o governo dar um choque de juros em uma tentativa de defender a rupia, a moeda local. O Jacarta Composto subiu 45,05 pontos (4,5%), para 1.039,82 pontos, um dia após ter caído 5,16% na sessão anterior. O Banco Central da Indonésia elevou a sua principal taxa de juros em 0,75 ponto percentual, para 9,50%, com a medida entrando imediatamente em vigor. A crise na Indonésia foi citada como um fator que pressionou a Bolsa de Cingapura, mas o índice Straits Times fechou em baixa marginal de 0,2%. A Bolsa de Tóquio recuperou-se das perdas de segunda-feira. As ações de empresas relacionadas à economia doméstica, das siderúrgicas e das montadoras lideraram o movimento. O índice Nikkei fechou em 12.453,14 pontos, depois de somar 143,31 pontos ou 1,2% de alta.
Das agências Estado e Folhapress





