Câmbio e petróleo
O mercado de câmbio brasileiro acompanhou de perto ontem a cotação do barril de petróleo no exterior. Entretanto, após subir 0,50%, o dólar inverteu o movimento e fechou em baixa de 0,74%, a R$ 2,385 na venda. Depois de atingir os US$ 70,80 e bater novo recorde de cotação, o petróleo diminuiu a alta. No final dos negócios, o barril para entrega em outubro era cotado a US$ 66,20 na Bolsa Mercantil de Nova York. Na sexta-feira fechou em torno de US$ 66,13.

Katrina
A alta da commodity ontem foi impulsionada pela passagem do furacão Katrina no sul dos Estados Unidos, onde se concentram as petrolíferas do país. Analistas avaliam, porém, que a passagem do furacão pela região foi menos desastrosa do que se previa.


Produção comprometida
Analistas do setor petrolífero dizem, no entanto, que com as interrupções feitas em refinarias da região, em caráter preventivo, já ficou comprometida a produção de pelo menos dois meses. Mais de 40% de toda a produção nas instalações no golfo do México já foi interrompida devido ao Katrina. Outras refinarias da região já anunciaram que tiveram suas operações afetadas.


Golfo do México
As plataformas do golfo do México produzem cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, um quarto da produção do país e cerca de 2% da produção mundial. No ano passado, a passagem do furacão Ivan também interrompeu as atividades das plataformas e refinarias da região, o que afetou o fornecimento por meses.

Gasolina
Também preocupa a situação do fornecimento de gasolina, cujo estoque está baixo. O estoque de gasolina do país caiu em 3,2 milhões de barris, para 194,9 milhões de barris na última semana -menor nível desde novembro de 2003- segundo relatório divulgado na quarta-feira passada pelo Departamento de Energia dos EUA.

Reserva
O porta-voz do Departamento de Energia norte-americano, Craig Stevens, admitiu ontem que o governo dos Estados Unidos pode utilizar o petróleo da reserva estratégica do país se as refinarias na região do golfo do México não conseguirem retomar suas atividades a plena força após a passagem do Katrina. Segundo Stevens, existe ''certamente a possibilidade'' de que o governo venha a emprestar petróleo da reserva estratégica do país às refinarias que necessitem da commodity para poderem fazer frente a uma eventual falta de combustíveis no país, após a passagem do furacão. A reserva estratégica estratégica dos EUA conta hoje com 700 milhões de barris - máximo de sua capacidade.

Bovespa sobe
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem com alta de 1,07%, ''puxada'' pelas ações da Petrobras. Os papéis preferenciais da estatal subiram 2,20% e ficaram entre a maiores altas do Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista- e as mais negociadas do mercado. As ordinárias tiveram valorização de 1,87%. Os papéis da companhia foram impulsionados pelo avanço do petróleo, no mercado internacional.

Focus
Com a agenda política fraca, o mercado acionário doméstico aproveitou para repercutir dados da economia, como o aumento das apostas de corte dos juros e a queda nas expectativas de inflação. O boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, mostra que os analistas consultados pela instituição projetam uma redução no juro básico para 19,25% ao ano em setembro. Se isso ocorrer, será a primeira queda em um ano e meio. Hoje, a taxa Selic está em 19,75% ao ano.

Inflação
Sobre a inflação, o mercado prevê que o Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será de 5,26% neste ano, contra 5,34% do levantamento anterior. O Banco Central persegue uma inflação medida pelo IPCA de 5,1% em 2005.

Bolsas nos EUA
A valorização nas Bolsas dos EUA também ajudou. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,63%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve alta de 0,80%.
Entretanto, no geral, o volume de negócios foi reduzido hoje na Bovespa e ficou em R$ 831,180 milhões.


Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta ontem pela primeira vez em seis pregões. Os negócios também foram influenciados pela alta recorde do petróleo. A Bolsa de Paris fechou em alta de 0,43%. O índice DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, fechou em alta de 0,59%. A Bolsa de Milão registrou alta de 0,41%. Já a Bolsa de Madri, fechou em alta de 0,34%. A Bolsa de Londres não abriu em razão de um feriado bancário.


Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 145,92 pontos, ou 0,97%, aos 14.836,97 pontos. ''O mercado está preocupado com os preços altos do petróleo, que excederam os US$ 70 no pregão asiático, e com os comentários de Greenspan'', disse o diretor de pesquisa da Tung Tai Securities Ltd., Kenny Tang. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 23,39 pontos, ou 2,15%, aos 1.063,16 pontos, derrubada pelo alto preço do petróleo e pelas preocupações com o impacto disso sobre a economia mundial. Pelo mesmo motivo, a bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 87,11 pontos, ou 1,42%, aos 6.049,44 pontos. Na China, o índice Shangai Composto caiu 1,5% e o Shenzen Composto recuou 1,0%.


Tóquio também cai
A alta do petróleo para acima de US$ 70,00 o barril, a novo recorde no pregão eletrônico da Nymex, provocou queda na Bolsa de Tóquio, com os papéis de montadoras e fabricantes de equipamentos eletrônicos encabeçando o movimento. As ações da Toyota fecharam em baixa de 1,9% e as da Mazda caíam 2,9%. A onda de vendas contaminou ações do setor doméstico, as quais vinham sustentadas por estimativa de recuperação da economia japonesa. O índice Nikkei terminou a sessão em queda de 129,65 pontos ( 1,04%), em 12.309,83 pontos.


Das agências Estado e Folhapress

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