MERCADO FINANCEIRO
Dólar reduz alta
O dia foi de muita cautela e especulações no mercado financeiro brasileiro ontem. Entretanto, no final dos negócios o dólar reduziu a alta e fechou com valorização de 0,20%, a R$ 2,403 na venda, depois de subir 1,41% ao longo do dia. Na semana, porém, o dólar acumulou queda de 1,9%, contra alta de 3,2% na anterior, quando surgiram as denúncias de corrução contra Palocci.
Rumores
Segundo Hélio Osaki, o mercado ficou ''ao sabor'' dos rumores, principalmente em torno do nome do ministro Antonio Palocci (Fazenda). A diretora da corretora AGK, Miriam Tavares, avalia, porém, que a maioria dos boatos não tinha fundamento. Circulou no mercado, inclusive, que o ministro da Fazenda estaria demissionário. ''É muita especulação de gente interessada em ganhar dinheiro com a volatilidade do câmbio'', afirmou ela.
Cautela
Diante de tanta especulação e do temor de que surjam novas denúncias contra o ministro no noticiário de final de semana, o investidor preferiu manter cautela. ''O mercado está extremamente desconfiado e, evidentemente, fica na expectativa dos desdobramentos da crise política. A temperatura política continua alta e longe de um tom tranquilizador'', disse Osaki.
Bovespa fecha em queda
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,12%, devolvendo parte dos ganhos de quinta-feira (+2,58%). O risco-país - termômetro da confiança dos estrangeiros no Brasil - tinha alta de 1,45%, para 417 pontos no final do dia, indicando o aumento da desconfiança dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil. A Bovespa subiu 1,69% na semana, depois de cair 1,13 na passada.
Destaques
As maiores altas do Índice Bovespa foram Bradespar PN (+3,02%), Telemig Par PN (+1,63%) e Klabin PN (+1,20%). As maiores baixas foram Tele Centro Oeste PN (-4,05%), Tim Par ON (-3,26%) e Eletropaulo PN (-2,85%). Operadores chamaram a atenção para a divulgação do PIB brasileiro referente ao segundo trimestre deste ano. O indicador sairá na quarta-feira e será um parâmetro importante para a atividade econômica e, em consequência, para o desempenho das empresas lis tadas em bolsa.
Efeito Greenspan
As Bolsas americanas fecharam ontem em baixa com a divulgação da queda no índice de confiança do consumidor e após as declarações do presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano), Alan Greenspan, sobre riscos de a liquidez internacional desaparecer. A Bolsa de Nova York fechou com perdas de 0,51% no índice Dow Jones 30 Industrials, que estava com 10.397 pontos, e de 0,60% no S&P 500, que tinha 1.205 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq registrou baixa de 0,64%, para 2.120 pontos.
Confiança
A confiança dos consumidores no país caiu para 89,1 pontos em agosto, por conta principalmente dos recordes de altas no preço do petróleo. Trata-se da primeira queda em três meses. A queda superou estimativas preliminares, que apontavam uma redução do nível de confiança dos americanos para 92,7 pontos. Em julho, o índice foi de 96,5.
Expectativas
O indicador de expectativas do consumidor com o futuro, incluído no índice, recuou de 85,5 pontos para 76,9 entre julho e agosto. Já o indicador que mostra a avaliação das condições atuais da economia caiu para 108,02 pontos, contra os 113,5 de julho. Os dados sobre consumo são acompanhados com atenção nos EUA, uma vez que o consumo movimenta cerca de dois terços de toda a atividade econômica do país.
Influência
Os investidores também foram influenciados pela declaração do presidente do Fed. Greenspan fez ontem um alerta de que as recentes valorizações nos mercados acionários mundiais podem ''prontamente desaparecer'' com a redução da abundância de capitais dispostos a investir em papéis mais arriscados.
''O que eles (os investidores) percebem como uma abundante liquidez pode prontamente desaparecer'', afirmou, em uma conferência anual com presidentes de bancos centrais. Segundo o presidente do Fed, ''qualquer aumento na cautela dos investidores'' pode causar quedas nos preços das ações e forçar investidores a vender ativos para pagar dívidas. Entre investidores, os comentários foram classificados entre os mais firmes já feitos por Alan Greenspan.
Bolsas na Europa
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em queda de 27,60 pontos, ou 0,53%, aos 5.228,10 pontos, devolvendo os ganhos depois da abertura em baixa de Wall Street. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em queda de 35,81 pontos, ou 0,82%, aos 4.342,70 pontos, também prejudicada por Nova York. A bolsa de valores de Frankfurt fechou com o índice Dax em queda de 72,21 pontos, ou 1,49%, para 4.783,80 pontos. Segundo um analista, uma série de fatores contribuiu para essa queda: o desempenho ruim de Wall Street e da Europa de forma geral, o índice de Michigan abaixo do esperado e as preocupações com os preços elevados do petróleo. A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em queda de 323 pontos, ou 0,97%, aos 33.073 pontos, com as perdas se acentuando após a fraca abertura em Wall Street.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 93,79 pontos, ou 0,63%, aos 14.982,89 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 10,74 pontos, ou 0,98%, aos 1.086,55 pontos, pressionada por preocupações com os preços altos do petróleo. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em alta de 26,89 pontos, ou 0,44%, aos 6.136,55 pontos, em recuperação técnica. Na China, o índice Shangai Composto cai u 0,1%, mas o Shenzen Composto subiu 0,3%. A Bolsa de Tóquio fechou em alta marginal, com os os ganhos de Wall Street e as esperanças de que os gerentes de fundos globais continuarão colocando dinheiro no mercado acionário servindo de estímulo para compras de papéis como os da Sony, Advantest e Fanuc. Mas o Nikkei-225 subiu meros 34,32 pontos (0,3%), fechando em 12.439,48 pontos, com as realizações de lucros nos papéis dos bancos limitando uma valorização mais firme. O Topix, índice de abrangência maior, somou 4,40 pontos (0,4%), para 1.272,46 pontos.
Das agências Folhapress e Estado





