Mercado 'ignora' Buratti
O tom otimista da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central guiou os negócios ontem e o dólar fechou em queda de 1,68%, a R$ 2,398 na venda, ''ignorando'' o depoimento do advogado Rogério Buratti, embora ele tenha reafirmado as denúncias contra o ministro Antonio Palocci (Fazenda). ''O mercado temia que fossem feitas novas denúncias ou apresentadas provas, o que não aconteceu'', afirmou André Kitahara, do RaboBank. ''Sendo assim, o mercado voltou ao normal'', acrescentou.


Peso da ata
Na avaliação de Kitahara, o que mais pesou no mercado ontem foi a divulgação da ata do Copom, que na interpretação da maioria dos analistas sinalizou queda dos juros a partir de setembro. Apesar de o juro alto estimular a entrada de capital estrangeiro de curto prazo no País, depreciando o dólar e valorizando o real, o mercado entende que a redução da taxa é uma demonstração de que a política monetária surtiu o efeito esperado de convergir a inflação para a meta.

Otimismo na Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 2,58% - maior valorização em quase um mês. O volume negociado foi de R$ 1,30 bilhão. Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, apenas três fecharam em queda. Foram eles: Aracruz PNB (-0,80%), Petrobras ON (-0,42%) e Light ON (-0,29%). As maiores altas do Ibovespa foram Net PN (+8,33%), Tim Par ON (+8,24%) e Embratel Par PN (+5,68%).

Superávit primário
Além da ata do Copom, outro dado considerado positivo, mas que não influenciou diretamente os negócios, foi o superávit primário do governo central (Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central) em julho, de R$ 5,081 bilhões. O resultado é superior ao superávit do governo ce ntral de R$ 3,624 bilhões obtido em julho de 2004. No acumulado do ano, o governo central apresenta um superávit primário de R$ 44,948 bilhões, o equivalente a 4,10% do PIB. Este esforço fiscal está próximo da meta do ano fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de R$ 46,477 bilhões, para todo o a no.


Discurso
Em meio ao esvaziamento do depoimento de Buratti à tarde, alguns operadores chamaram atenção para o discurso do presidente Lula na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Lula reafirmou a necessidade de julgamento e punição de quem cometeu erros e disse que a Justiça deve começar dentro de casa, referindo-se ao PT. Segundo Lula, é preciso blindar a máquina pública para que não haja desvio ou malversação de recursos públicos.


Benefício da dúvida
O presidente explicou aos integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que estava fazendo estas afirmações porque não queria que eles deixassem o Palácio do Planalto ''carregando nas costas suspeição''. ''Porque a suspeição é pior do que a a cusação objetiva. Quando terminar esse processo vamos ver que nem tudo o que foi dito era mentira, mas nem tudo era verdade'', disse o presidente. Por enquanto, o mercado parece estar preferindo dar o benefício da dúvida ao presidente Lula e ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse um operador.

Ibovespa estimula Merval
O mercado de ações argentino subiu firme ontem, movimento um forte volume negociado, com a melhora do humor dos investidores regionais após a instabilidade dos dias anteriores. O índice Merval fechou em alta de 37,09 pontos, ou 2,41%, em 1.5 73,08 pontos, enquanto o Merval 25 subiu 2,30%, para 1.546,97 pontos. O volume somou 137,367 milhões de pesos. A recuperação dos mercados no Brasil foi um fator, disse um trader, onde a nuvem do amplo escândalo de corrupção que atinge o governo federal parece ter se dissipado um pouco após a turbulência na semana passada.


Bolsas nos EUA
O mercado norte-americano de ações fechou com os principais índices em leve alta, em dia marcado pela cautela diante de nova alta dos preços do petróleo. A commodity seguiu sua escalada, mas também teve pouco efeito sobre os negócios. Em Nova York, o petróleo para outubro subiu 0,25% para novo nível recorde de US$ 67,49 o barril. O índice Dow Jones fechou em alta de 15,76 pontos (0,15%), em 10.450,63 pontos. A mínima foi em 10.428,34 pontos e a máxima em 10.465,36 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 5,46 pontos (0,26%), em 2.134,37 pontos. O Standard & Poor's-500 subiu 2,78 pontos (0,23%), para 1.212,37 pontos.

Câmbio internacional
O dólar caiu modestamente frente ao iene e o euro em Nova York, com a moeda européia alcançando seu nível mais forte em mais de uma semana. O dólar registrou a maior parte das perdas durante a noite, apesar dos fracos indicadores divulgados na Europa, onde a pesquisa Ifo de sentimento do empresariado alemão caiu modestamente, para 94,6 em agosto, de 95 em julho e de uma expectativa de estabilidade dos analistas. No fim da tarde em Nova York, o iene era negociado a 110,07 por dólar, de 110,22 por dólar de quarta; o euro era negociado a US$ 1,2299, de US$ 1,2271 do dia anterior.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 15,25 pontos, ou 0,10%, aos 14.889,10 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 3,08 pontos, ou 0,28%, aos 1.097,29 pontos. A bolsa da China fechou com os índices Shangai Composto e Shenzen Composto em alta de 0,5% cada um, depois de um dia volátil. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 17,58 pontos, ou 0,29%, aos 6.109,66 pontos. Os preços altos do petróleo e as preocupações com os balanços de algumas companhias pressionaram o mercado.

Lucros e bancos
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa, com os investidores decretando uma pausa para recuperarem o fôlego após a sequência de ganhos registrados nas três últimas semanas, com as vendas de estrangeiros colocando pressões particulares sobre os bancos. O Nikkei-225 cedeu 97,10 pontos (0,8%), para 12.405,16 pontos, após acumular uma alta de 5,4% desde 5 de agosto. Um dia após a Moody's rebaixar os ratings dos títulos das norte-americanas GM e Ford, os papéis das montadoras japonesas subiram. A Mitsubishi Motors subiu 2,1% e a Nissan Diesel, 5,6%. O mercado reagiu com indiferença à notícia de que a Sony aprofundou sua parceria com a Samsung, para desenvolverem em conjunto monitores de cristal líquido. A Sony caiu 0,3%.


Das agências Estado e Folhapress

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