MERCADO FINANCEIRO
Dólar tem alta de 1%
O suposto desaparecimento do advogado Rogério Buratti aumentou o estresse do mercado financeiro ontem e fez o dólar subir mais de 1,3% no meio da tarde. No final dos negócios, porém, a divisa norte-americana reduziu a valorização para 1% e fechou a R$ 2,409 na venda. A Bolsa de Valores de São Paulo registrava baixa de 1,78% no horário de fechamento do câmbio. No final da tarde, o advogado de Buratti, Roberto Lopes Telhada, informou que ele não tinha desaparecido e pediu o adiamento do depoimento de seu cliente à CPI dos Bingos, que está marcado para hoje.
Cenário político
O cenário político concentrou a atenção do mercado desde o início dos negócios, por conta do depoimento do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, à CPI do ''Mensalão'', e em razão da expectativa com o depoimento de Buratti. A principal preocupação do mercado é que Buratti aponte novas denúncias contra pessoas ligadas ao governo federal.
Especulações
Já o sumiço de Buratti durante a tarde de ontem, segundo João Medeiros, da corretora Pionner, gerou especulações. ''O mercado interpretou que poderia ter acontecido algo mais grave'', afirmou. Buratti foi preso na última quarta-feira acusado de crime de lavagem de dinheiro e tentativa de destruição de documentos, mas, na sexta-feira, negociou o benefício da delação premiada, prestou depoimento e foi liberado.
Palocci
Durante depoimento ao Ministério Público paulista, na última sexta-feira, ele afirmou que Palocci recebeu, entre os anos de 2001 e 2002, R$ 50 mil por mês para favorecer a empresa de coletora de lixo Leão Leão em licitações da prefeitura da cidade. Em entrevista coletiva no domingo, entretanto, o ministro negou as denúncias e disse que o contrato com a Leão Leão foi feito um ou dois anos antes de seu governo.
Estrangeiros
José Roberto Carreira, da corretora Novação, avalia que a crise política já começa a afetar o humor dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil.
O risco-país -que mede a confiança dos estrangeiros no Brasil- subia 1,2% no final da tarde, para 413 pontos. Na segunda-feira, recuou 2,62%. Quando o indicador sobe, aponta que a confiança está em baixa e, quando cai, o oposto.
Financial Times
O jornal britânico ''Financial Times'' publicou ontem que os fundos internacionais ''estão certos em se preocupar'' com a atual crise política no Brasil e devem ficar atentos com os possíveis impactos na ''governabilidade do país no longo prazo''. ''A reforma econômica parou. As investigações sobre o escândalo estão ocupando completamente as duas casas do Congresso e tornando difícil para o governo passar até mesmo as reformas mais modestas, como tornar o sistema fiscal do país menos complicado para as empresas'', publicou o jornal.
Bovespa
O Ibovespa fechou em queda de 1,80%, em 26.769 pontos, entre a máxima de 0,01% e a mínima de -2,25%, com volume de R$ 1,58 bilhão. Contrato de Ibovespa futuro para outubro, queda de 2,13%, em 27.170 pontos, entre a máxima de -0,58% (27.600 pontos) e mínima de -2,85% (26.970 pontos). C-Bond a 101,00 centavos de dólar, em queda de 0,12%.
Bolsas nos EUA
O mercado norte-americano de ações fechou em queda. O índice Dow Jones fechou em queda de 50,31 pontos (0,48%), em 10.519,58 pontos. A mínima foi em 10.496,73 pontos e a máxima em 10.577,46 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 4,16 pontos (0,19%), em 2.137,25 pontos, com mínima em 2.131,02 pontos e máxima em 2.145,71 pontos. O Standard & Poor's-500 caiu 4,14 pontos (0,34%), para 1.217,59 pontos.
Petróleo
O preço do petróleo fechou em ligeira alta ontem. Os investidores esperam que, com o fim do verão no hemisfério Norte, o consumo de gasolina nos EUA diminua, o que pressiona a cotação da commodity, mas ainda permanece a expectativa quanto ao relatório sobre estoques do Departamento de Energia dos EUA. Ontem, o barril da commodity fechou em alta de 0,09%, cotado a US$ 65,71 na Bolsa Mercantil de Nova York.
Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa, com o desempenho do setor financeiro prejudicado pelos resultados divulgados ontem pelo banco sueco Handelsbanken e com as quedas no setor petrolífero. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,34%, com 5.300 pontos. A Bolsa de Paris teve desvalorização de 1,1% e ficou com 4.436 pontos. A Bolsa de Frankfurt perdeu 0,48% e fechou com 4.917 pontos. A Bolsa de Milão recuou 0,68%, para 25.649 pontos, e a Bolsa de Madri teve queda de 0,69%, fechando com 10.104 pontos. O Handelsbanken anunciou uma queda de 12% em seus lucros operacionais, com a preocupação sobre uma redução em suas operações de empréstimo. Já no setor petrolífero, o preço da commodity operou ontem no patamar de US$ 65, com a queda dos preços de derivados, como gasolina e combustível para aquecedores. O recuo afetou os papéis das petrolíferas européias. As ações da italiana ENI caíram 2,1%; as da francesa Total perderam 1,2%; e as da British Petroleum, 1%.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em queda de 244,74 pontos, ou 1,61%, aos 14.973,89 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em queda de 0,84 ponto, ou 0,08%, para 1.115,84 pontos. A alta acentuada de segunda-feira estimulou a realização de lucros e as perdas das ações da LG Electronics e LG Corp. pressionaram o mercado, disseram players. As preocupações com o impacto dos preços altos do petróleo sobre a economia global e a falta de um novo fator de impulso também impediram que o mercado desse continuidade à recuperação. Na China, a o índice Shangai Composto fechou em queda de 0,8% e o Shenzen Composto cedeu 1,3%.
Em Tóquio
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, voltou a fechar no maior nível em quatro anos, com papéis considerados baratos liderando o movimento - 12.472,93 pontos. O Nikkei chegou a superar o importante nível psicológico de 12.500 pontos. Mas a onda de compras foi contida por realização de lucros na última parte do pregão. As ações da fabricante de equipamentos para vídeo game Taito saltaram 12,4%, em reação a informações de que deverá receber oferta de aquisição da Square Enix. Os papéis de tecnologia avançaram, com NEC entre os destaques, em alta de 2,5%. As ações da Toshiba fecharam com valorização de 1,9% e as da Fujitsu ganharam 2%.
Das agências Estado e Folhapress





