Semana começa calma
As explicações do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acalmaram o mercado financeiro ontem. Com isso, o dólar devolveu quase toda a alta registrada na última sexta-feira e fechou com a maior queda percentual em um dia desde janeiro de 2003. A divisa recuou 2,65% e encerrou a segunda-feira valendo R$ 2,385. Na última sexta-feira, o dólar subiu 2,94% - maior valorização desde 31 de maio de 2004- e fechou a R$ 2,45.

Bovespa positiva
A Bolsa de Valores de São Paulo operou durante todo o dia positiva e fechou com ganhos de 2,31%. Das 55 ações que fazem parte do Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista- apenas duas tiveram baixas ontem, mas moderadas: a ordinária do Banco do Brasil (-0,95%) e preferencial ''B'' da Aracruz (-0,68%). Entre as altas, destacaram-se os papéis preferenciais da Ipiranga Petróleo e da Tele Leste Celular, que subiram 7,71% e 7,66%, respectivamente.

'Resposta equilibrada'
''O ministro Palocci falou com muita clareza, com muita firmeza e isso tranquilizou o mercado'', afirmou Mário Paiva, da corretora Liquidez. Miriam Tavares, da corretora AGK, avalia que a resposta do ministro da Fazenda à denúncia de corrupção foi ''equilibrada, sensata e convincente''. Segundo Miriam, os esclarecimentos do ministro e as declarações firmes sobre a solidez da economia brasileira acalmaram o mercado. ''Mas a cautela continua. As atenções continuarão centralizadas nos desdobramentos da crise política interna nesta semana'', ressalta.

Explicações
No domingo, em entrevista de mais de duas horas, em Brasília, Palocci negou que tenha recebido mesada de empresas de lixo quando ocupava o cargo de prefeito de Ribeirão Preto (SP) e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu mantê-lo no cargo, descartando mudanças na política econômica.


Na verdade, o que interessa ao mercado de ações é a continuidade da política econômica atual, com a estabilidade nos negócios. É essa política que está assegurando ganhos para as empresas de capital aberto, o aperto fiscal, os seguidos recordes do superávit da balança comercial, o risco Brasil na casa dos 400 pontos base (ou menos, se não fosse a crise política), a inflação sob controle e o crescimento do PIB. ''Só os juros altos é que estragam esse quadro benéfico'', disse um operador.

Juros futuros
Ontem, o DI com vencimento em janeiro/07, o mais líquido, fechou o dia com taxa de 18,19%, ante 18,50% na sexta-feira. Ainda não foi devolvido todo o prêmio relativo ao efeito Buratti: na quinta-feira, esse DI tinha taxa de 17,95%. Para um operador, somente se houver uma melhora mais significativa no cenário político esse contrato terá sua taxa abaixo dos 18% novamente.

Limitadores
Um fator técnico também limitou a queda do DI. O Tesouro Nacional anunciou o leilão de papéis prefixados (um total de 4,5 milhões de LTNs de três vencimentos). Um volume considerável, em um momento em que o apetite por esses papéis não está tão gra nde. Além das incertezas com a crise política e suas consequências sobre a economia, o mercado amargou um prejuízo no leilão da semana passada. Afinal, foi na quinta-feira que o Tesouro vendeu 5,710 milhões de LTNs, justamente na véspera do dia em que Buratti faria a denúncia contra Palocci e colocaria o mercado em polvorosa. ''Desta vez, o mercado vai ser mais cuidadoso no leilão. Isso significa que as taxas podem 'espirrar' um pouco mais'', afirma um operador.

Nos EUA
O mercado norte-americano de ações fechou com os principais índices em alta modesta. As Bolsas abriram em alta, buscando recuperar terreno depois das quedas da semana passada, mas o avanço perdeu impulso no fim da manhã, diante de nova alta dos preços do petróleo. O contrato de petróleo para setembro chegou a subir a US$ 66,25 por barril na Nymex, mas perdeu terreno e fechou a US$ 65,45, em alta de 0,15%. O índice Dow Jones fechou em alta de 10,66 pontos (0,10%), em 10.569,89 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 5,95 pontos (0,27%), em 2.141,41 pontos, com mínima em 2.129,46 pontos e máxima em 2.151,84 pontos. O Standard & Poor's-500 subiu 2,02 pontos (0,17%), para 1.221,73 pontos.

Destaques
Entre as componentes do índice Dow Jones, o destaque foi Intel, com alta de 1,60%; a empresa deverá anunciar uma nova arquitetura de chips para computadores durante uma conferência sobre tecnologia nesta terça-feira. As ações da Procter & Gamble avançaram 1,14%, em reação a artigo na Barron's segundo o qual são exageradas as preocupações quanto ao preço que a empresa está pagando pela Gillette. No setor farmacêutico, as ações da Merck, que haviam caído 7,7% na sexta-feira, perderam mais 0,61% hoje; a em presa foi condenada a pagar uma indenização de US$ 254 milhões pela morte de um usuário do antiinflamatório Vioxx.

Bolsas na Europa
O índice FT-100 da bolsa de valores de Londres fechou em alta de 5,80 pontos, ou 0,11%, aos 5.318,40 pontos. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em queda de 1,96 ponto, ou 0,04%, aos 4.485,94 pontos, em pregão tranquilo, sem balanços corporativos ou indicadores macroeconômicos importantes. O índice Xetra-DAX da bolsa de valores de Frankfurt fechou em alta de 11,78 pontos (0,24%), em 4.941,69 pontos. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de nove pontos (0,03%), em 33.733 pontos. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 22,53 pontos (0,29%), em 7.799,22 pontos, em linha com os ganhos das demais bolsas européias e dos EUA.


Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 180,02 pontos, ou 1,20%, aos 15.218,63 pontos. China Mobile ganhou 3,7% e a petrolífera CNOOC, beneficiada pela escalada dos preços do petróleo, ganhou 3,6%. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 26,80 pontos, ou 2,46%, aos 1.116,68 pontos. Houve muitas compras programadas e as valorizações se espalharam por papéis de todos os setores. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Compost o em alta de 0,7% e o Shenzen Composto com ganho de 1,1%, também em movimento de correção.

Em Tóquio
As ações fecharam em alta forte em Tóquio, com o índice Nikkei no maior nível em quatro anos, diante de compras por investidores japoneses de papéis de bancos, corretoras e outros, que devem beneficiar-se da recuperação da economia doméstica . No fim da sessão, o índice Nikkei encontrava-se em 12.452,51 pontos, nível mais elevado desde 5 de julho de 2001, depois de subir 160,78 pontos (1,3%).

Tecnologia em alta
As ações do setor de tecnologia fecharam em alta. As encomendas feitas pelos produtores norte-americanos de semicondutores caíram em julho ante junho e ante julho do ano passado, apesar da melhora na média book-to-bill, que avalia o nível de encomendas com a condição imediata de entrega. Mas os investidores não consideraram que o relato traz indicação de tendência na indústria. As ações da Toshiba fecharam em alta de 0,9% e as da Sharp, com ganho de 1,7%.


Das agências Estado e Folhapress

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