Denúncia tumultua cenário
A denúncia de corrupção contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, agravou a crise política e gerou nervosismo no mercado ontem. O dólar subiu 2,94% e fechou a R$ 2,45 na venda - maior cotação do mês. Ao longo do dia, a moeda norte-americana atingiu alta de 4,32% e chegou a R$ 2,483.

Buratti acusa Palocci
O advogado e então assessor de Antonio Palocci quando ele ainda era prefeito de Ribeirão Preto (SP), Rogério Tadeu Buratti, afirmou ontem, segundo o Ministério Público Estadual, que o atual ministro da Fazenda recebia R$ 50 mil por mês das empresas de coleta de lixo da cidade. Em nota, o ministro Antonio Palocci negou as declarações dadas por seu ex-assessor. Ainda de acordo com a nota, Palocci afirmou que recebeu recursos da Leão&Leão como contribuição a sua campanha para prefeito e que isto consta da prestação de contas que está no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Redução de pena
Buratti - preso na última quarta-feira em Ribeirão Preto por crime de lavagem de dinheiro e tentativa de destruição de documentos - aceitou revelar tudo o que sabe sobre irregularidades em prefeituras paulistas em troca de redução de pena em caso de condenação. Até então, o mercado vinha mantendo uma distância da crise política, porque o nome do ministro da Fazenda ainda não estava envolvido em denúncias de corrupção. O mercado teme agora que a denúncias cheguem ao presidente Lula, o que agravaria ainda mais a crise e poderia contaminar a economia do país.

Sem provas
Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, considerou um ''absurdo'' a divulgação da denúncia contra Palocci sem a apresentação de provas. ''Eu acho uma irresponsabilidade muito grande esse tipo de notícia, pois ainda não há nada comprovado. Quem passou essa informação tem interesse político ou financeiro, pois sabe que ela ia mexer com os mercados. Deveriam investigar primeiro e depois divulgar'', afirmou.

Mais cautela
Angelo Larozi, da Souza Barros, disse que a possibilidade de envolvimento de Palocci em esquemas de corrupção aumenta a cautela do mercado acionário, mas ele não espera que haja uma ''fuga'' de investidores estrangeiros imediatamente. ''É lógico que a denúncia é preocupante, mas desde que surjam provas'', disse.

Risco-País
Com a denúncia, o risco-país subiu mais de 3% ontem e no final da tarde estava a 419 pontos. O risco-país é um termômetro da percepção dos estrangeiros. Quando ele sobe, indica que a desconfiança dos investidores
externos em relação ao Brasil aumentou.

Bovespa cai 0,95%
Depois de cair 2,86% por conta de denúncias de corrupção envolvendo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a Bolsa de Valores de São Paulo reduziu as perdas e fechou com baixa de 0,95%, aos 26.643 pontos. Na semana, acumulou queda de 1,13%. Segundo analistas, a alta de 2,94% no dólar ontem acabou tendo reflexo positivo nas ações de empresas exportadoras negociadas na Bovespa. Com a alta da moeda norte-americana em relação ao real, as empresas podem aumentar suas receitas de vendas externas.

Destaques
As ações preferenciais (sem direito a voto) e ordinárias (com direito a voto) da Petrobras subiram 1,39% e 1,47%, respectivamente. O papel preferencial da VCP (Votorantim Celulose e Papel) teve alta de 2,46%. Os ordinários e preferenciais da Embraer avançaram, na ordem, 2,16% e 0,95%. A ação ordinária da Companhia Vale do Rio Doce subiu 2,12% e o preferencial ''A'', 1,10%. Todos estes papéis ficaram entre as maiores altas do Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista

Petrobras
No caso da Petrobras, também ajudou no avanço das ações o reajuste do preço do gás. A Petrobras informou que vai reajustar os preços do gás natural produzido no Brasil em 6,5% a partir de 1º de setembro e em mais 5% a partir de 1º de novembro. Já o gás trazido da Bolívia terá um aumento de 13% a partir de 1º de setembro e em mais 10% a partir de 1º de novembro.
O volume financeiro da Bovespa somou hoje R$ 1,853 bilhão.

Indicadores nos EUA
As Bolsas de Nova York voltaram a fechar com tendências mistas ontem, puxadas para cima por uma série de recomendações de compra de ações feitas por firmas de investimento, mas prejudicadas pela forte queda da Merck e pela alta do petróleo. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,04%. O índice Standard & Poor's 500, fechou em alta de 0,06%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve recuo de 0,02%. Hoje a Merck, responsável pelo antiinflamatório Vioxx, foi condenada a pagar US$ 253,4 milhões à viúva do norte-americano Robert Ernst. A decisão, tomada por um júri de Angleton (Texas), indica que o uso do medicamento acarretou a morte do paciente. Após o veredicto contra a farmacêutica Merck, as ações da empresa despencaram 7,7%.

Petróleo
O dia foi marcado também pela retomada da alta do petróleo no mercado de Nova York. O petróleo voltou à casa dos US$ 65 hoje com a temores de escassez da commodity, após um incêndio na refinaria venezuelana Amuay e a greve na estatal Petroecuador no Equador. As tensões no Oriente Médio também pressionaram as cotações. O barril do petróleo cru fechou cotado a US$ 65,35 em Nova York, alta de 3,3%. No International Petroleum Exchange, em Londres, o barril do petróleo Brent fechou negociado a US$ 64,36, alta de 3,1%.

Bolsas na Europa
As Bolsas européias subiram ontem após sete dias de baixa. As altas foram impulsionadas, sobretudo, pelos os ganhos da petrolífera British Petroleum e da mineradora BHP Billiton. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,82% com 5.312 pontos. A Bolsa de Madri subiu 0,95%, para 10.132 pontos. A Bolsa de Frankfurt registrou alta de 1,62%, ficando com 4.929 pontos. A Bolsa de Paris subiu 1,3% para 4.487 pontos.

Das agências Estado e Folhapress

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