Dólar segue tendência internacional
O dólar subiu 1,10% ontem e fechou a R$ 2,380 na venda. A moeda norte-americana iniciou o dia em baixa, repercutindo o restabelecimento do salário mínimo em R$ 300 e a manutenção dos juros em 19,75%. Mas no final da manhã inverteu o movimento e passou a subir, acompanhando tendência no mercado internacional.


Valorização
Mário Battistel, da corretora Novação, destaca que a alta ocorreu em relação a diversas moedas. O euro, por exemplo, tinha queda de 0,73%, para US$ 1,2181, no final da tarde. Júlio César Vogeler, da Didier Levy, ressalta que o volume de negócios no câmbio foi pequeno, portanto qualquer operação de compra, mesmo que pequena, pressionou a moeda. Na avaliação de Francisco Carvalho, da corretora Liquidez, o mercado mostrou também mais resistência em vender o dólar abaixo dos R$ 2,35, temendo uma atuação do Banco Central.

Repercussão
No período da manhã, o dólar chegou a recuar 0,50%, repercutindo fatos ocorridos na noite de ontem. O governo Lula conseguiu manter na Câmara dos Deputados o valor do salário mínimo em R$ 300. Na semana passada, aproveitando a desarticulação política do Planalto, o Senado mudou a proposta do governo e elevou o mínimo para R$ 384,29. O mínimo de R$ 300 está em vigor desde maio -antes do reajuste, o salário estava fixado em R$ 260.


Mínimo
Segundo o Ministério do Planejamento, se o mínimo fosse elevado para R$ 384,29, só as despesas federais teriam um crescimento de R$ 16 bilhões neste ano e de R$ 50 bilhões em 2006, inviabilizando as metas fiscais do governo, o que abalaria o mercado financeiro.

Copom
A decisão do Copom de deixar os juros altos também repercutiu bem no mercado de câmbio pela manhã, pois colabora com a entrada de recursos no país, por meio de investidores que buscam maiores rendimentos. Analistas afirmaram ainda que, em dias de depoimentos à CPI, seja dos Correios ou do ''Mensalão'', o mercado fica mais cauteloso.


Bovespa cai quase 2%
A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 1,88% ontem e fechou com 26.899 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,269 bilhão. A decisão do Copom de manter os juros em 19,75%, embora não tenha causado surpresa, desanimou o mercado acionário. Com a Selic alta as aplicações em renda fixa -que apresenta menor risco e rentabilidade atrelada aos juros- ficam mais atraentes do que os investimentos em ações, que são mais voláteis e de maior risco.

Luiz Antônio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner, considera que a alta de 1,28% registrada quarta-feira na Bovespa foi ''muito artificial'' e motivou uma correção ontem. Analistas afirmaram ainda que, em dias de depoimentos à CPI, seja dos Correios ou do ''Mensalão'', os investidores ficam mais cautelosos.


Nos EUA
As Bolsas americanas fecharam com tendência mista. Os investidores foram influenciados por resultados considerados medíocres da economia e pelo temor com a volatilidade dos preços do petróleo. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,04%. O índice Standard & Poor's 500, fechou em baixa de 0,10%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve recuo de 0,42%. O barril do petróleo cru para entrega em setembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou ontem cotado a US$ 63,25, com baixa de 0,05%.


Influências
Os dados sobre o mercado de trabalho divulgados ontem também não serviram para animar os negócios. O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou um aumento de 6 mil novos pedidos de auxílio-desemprego no país na semana encerrada em 13 de agosto, totalizando 316 mil novos pedidos do benefício. Uma das poucas boas notícias do dia foi o anúncio de que o site de buscas na internet Google pediu autorização à SEC (o órgão regulador do mercado de capitais norte-americano) para realizar nova oferta pública de cerca de US$ 4 bilhões em ações.


Bolsas na Europa
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em baixa de 23,40 pontos, ou 0,44%, aos 5.269,30 pontos. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em queda de 9,56 pontos, ou 0,22%. A bolsa de valores de Frankfurt fechou com o índice Dax em baixa de 20,19 pontos, ou 0,41%. A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em queda de 261 pontos, ou 0,78%, aos 33.234 pontos, com baixo volume, apesar da valorização do dólar e da queda dos preços do petróleo. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 56,20 pontos (0,56%), em 10.037,90 pontos, em linha com as perdas dos demais mercados europeus. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em queda de 40,12 pontos (0,52%), em 7.712,57 pontos. Traders disseram que o mercado foi pressionado pela contínua fraqueza das ações da Portugal Telecom, que caíram 2,10%. As ações do Banco Comercial Português subiram 0,95%, enquanto as da Energias de Portugal fecharam em queda de 0,45%.

Na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 301,49 pontos, ou 1,95%, aos 15.148,09 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 20,54 pontos, ou 1,85%, aos 1.092,71 pontos. Pelo décimo pregão consecutivo, o índice Weighted, da bolsa de Taiwan, caiu 36,83 pontos, ou 0,59%, para 6.205,09 pontos. Os investidores ficaram de lado, à espera da divulgação do PIB, após o fechamento. No período de abril a junho, o PIB cresceu 3,03% em comparação com igual período do ano passado, acima do esperado por analistas consultados pela Dow Jones (2,82%) e da expansão de 2,54% registrada no primeiro trimestre. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em baixa de 3,8% e o Shenzen Composto em queda de 3,4%, com realização de lucros.
Tecnologia e montadoras
As ações subiram em Tóquio, com os setores de tecnologia, transportes e de automóveis entre os destaques de alta. No fim do dia, o índice Nikkei registrava alta de 34,25 pontos (0,3%), em 12.307,37 pontos. A migração de papéis voltados à demanda doméstica para de exportadoras que encontram-se baratos ajudou a impulsionar ações também no setor de tecnologia e de automóveis. As exportadoras foram beneficiadas pelos ganhos do dólar, pela alta das ações em Wall Street e pela queda do petróleo na quarta-feira. A retração do petróleo também sustentou as ações de empresas do setor de transportes. As ações da Matsushita Electric Industrial fecharam em alta de 2,6% e as da Nissan ganharam 1,2%.

Das agências Estado e Folhapress

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