Compasso de espera
O dólar fechou ontem com baixa moderada de 0,16%, vendido a R$ 2,354. Sem depoimentos às CPI dos Correios e do ''Mensalão'', o mercado operou em ''compasso de espera'', aguardando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sobre a taxa básica de juros (Selic). Segundo Mauro Araújo, da corretora Vision, o fluxo de recursos guiou o movimento do câmbio. Ao longo do dia, a divisa oscilou entre R$ 2,366 (alta de 0,33%) e R$ 2,339 (queda de 0,80%).

Juros futuros
Os juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) acompanham as previsões de manutenção da Selic em 19,75% a.a., com as taxas apresentando estabilidade. A projeção de juro para o vencimento mais próximo, de setembro, estava em 19,61% ao ano no final da tarde, levemente inferior ao fechamento de ontem (19,62% ao ano). Para Miriam Tavares, diretora da AGK, o único fator capaz de provocar uma alta muito brusca e forte do dólar em relação ao real é a comprovação do envolvimento direto do presidente Lula nas denúncias de corrupção.

Bovespa sobe 1,24%
A Bolsa de Valores de São Paulo operou durante praticamente todo o dia positiva e encerrou o pregão com alta de 1,24%, apesar das expectativas em torno da decisão do Copom. Segundo Luiz Toledo Filho, da Magliano Corretora, no período da tarde aumentaram as apostas de corte de pelo menos 0,25 ponto percentual no juro básico da economia (Selic). Entretanto, no fechamento dos negócios, o consenso entre os analisas era ainda de que o Copom manteria a taxa em 19,75% ao ano.

Destaques
As maiores altas do Ibovespa foram de Brasil Telecom Operadora PN (7,33%), Brasil Telecom Participações PN (5,64%) e NET PN (5,41%). As maiores quedas foram de Petrobrás PN (2,24%), Petrobrás ON (1,89%) e Souza Cruz ON (1,28%).

Influências
O desempenho positivo nas Bolsas dos EUA e a queda do petróleo também contribuíram com a alta da Bovespa ontem. O Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, subiu 0,35%. O índice Nasdaq, da Bolsa eletrônica dos EUA, teve alta de 0,38%. Já o barril de petróleo cru para entrega em setembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, caiu 4,39%, fechando a US$ 63,30, influenciado pela divulgação do relatório de estoques de petróleo e gasolina do Departamento de Energia dos EUA. Segundo o relatório, o estoque de gasolina caiu em 4,97 milhões de barris na semana encerrada em 12 de agosto, para 198,1 barris estocados no país. Foi o sétimo recuo consecutivo no estoque de gasolina nos EUA.


Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa otnem pelo quinto dia consecutivo, com os números sobre inflação nos últimos dias e a preocupação entre os investidores sobre as expectativas de resultados das empresas européias. A Bolsa de Londres encerrou o dia com baixa de 0,56% e 5.292 pontos. A Bolsa de Paris recuou 0,11%, fechando com 4.439 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve perda de 0,25% e ficou com 4.871 pontos. A Bolsa de Milão fechou com desvalorização de 0,42% e 25.634 pontos e a Bolsa de Madri caiu 0,45%, para 10.094 pontos.

Retração
Os mercados de ações europeus se retraíram com a divulgação do aumento de 1% nos preços no atacado nos EUA em julho - um dia após a divulgação do aumento de 0,5% na inflação ao consumidor, também nos EUA, no mês passado. Os índices causam pessimismo entre os investidores. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) vem elevando as taxas de juros nos EUA desde junho do ano passado para combater surtos inflacionários devido à retomada do fôlego da economia americana.

Alta de juros
Os resultados de julho sugerem que o ciclo de alta de juros (que fez os juros saírem de 1% ao ano em junho de 2004 para os atuais 3,5% ao ano) podem não estar perto do fim. Os analistas prevêem mais uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima reunião de política monetária do Fed, que deve acontecer no dia 20 de setembro. A inflação nos EUA, no entanto, se deve mais à disparada dos preços do petróleo nas últimas semanas (o barril chegou a US$ 67,10 na semana passada e se mantêm persistentes no patamar de US$ 66).

Nestlé e Adecco
As ações da Nestlé caíram 1,2%. A empresa anunciou um crescimento de 32% em seu lucro no primeiro semestre, mas ressaltou o ''ambiente difícil para os negócios'' na Europa Ocidental, o que ofuscou os números positivos. As ações da agência de empregos suíça Adecco (maior do mundo) caíram 5,9%, maior queda em mais de um ano. O lucro da empresa no segundo trimestre foi de US$ 122,7 milhões -abaixo das previsões dos investidores, que esperavam um lucro de cerca de US$ 127 milhões.

Ericsson
No setor de telecomunicações, as ações da Ericsson caíram 2,2%. Entre as mineradoras, os papéis da Rio Tinto (terceira maior do mundo) caíram 2,6%. No setor de seguradoras, os papéis das britânicas Aviva e Prudential caíram 0,9% e 0,8% respectivamente.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 5,96 pontos, ou 0,04%. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em queda de 3,68 pontos, ou 0,33%. O desempenho de Wall Street e os ganhos recentes estimularam a realização de lucros. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 0,48 ponto, ou 0,01%. Os investidores estão cautelosos por causa do preço alto do petróleo, mas as ações de tecnologia passaram por uma recuperação técnica. Na China, o índice Shangai Composto fechou em alta de 1,3% e o Shenzen Composto subiu 1,4%. Os investidores institucionais compraram ativamente blue chips no final do pregão em meio ao otimismo renovado com o programa de reforma de ações.

Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa com realização de lucros entre ações de tecnologia e de seguradoras, na esteira da queda de terça-feira em Nova York. Mas as expectativas de que os investidores estrangeiros continuarão montando posições, ajudaram a sustentar a bolsa durante a maior parte do pregão. O índice Nikkei fechou o dia em baixa de 42,55 pontos (0,4%), em 12.273,12 pontos.

Das agências Estado e Folhapress

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