MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha em alta
O dólar subiu 1,15% ontem e fechou o dia a R$ 2,358 na venda, acompanhando o movimento da divisa norte-americana no mercado internacional. Para Mário Battistel, da corretora Novação, a expectativa de que o aperto monetário nos Estados Unidos se prolongue fez com que o dólar avançasse em relação a diversas moedas do mundo. O euro, por exemplo, fechou ontem a US$ 1,2318, uma baixa de 0,35% em relação ao dia anterior. O dólar se valorizou também em relação a outras moedas, como o iene japonês, o franco suíço e a libra esterlina britânica.
Dados norte-americanos
O Departamento do Trabalho norte-americano divulgou que os preços ao consumidor subiram 0,5% em julho, registrando a maior alta dos últimos três meses, o que gerou especulações de que a Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) poderá prolongar o aperto monetário. A taxa daquele país vem aumentando gradualmente e está em 3,5% ao ano. A taxa mais alta nos EUA pode acabar atraindo investidores que hoje aplicam recursos em países emergentes, como o Brasil, onde os rendimentos são maiores por conta dos juros altos.
CPI e Copom
No cenário doméstico, as atenções continuam voltadas para os depoimentos à CPI dos Correios e há uma certa expectativa com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre o juro básico da economia brasileira, hoje em 19,75% ao ano. A decisão do Copom sai hoje, após o fechamento dos mercados.
Bovespa cai 1,08%
A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 1,08% ontem e fechou com 27.080 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,207 bilhão. O desempenho negativo das Bolsas dos EUA, o vencimento de contratos de índice futuro hoje e a cautela com o cenário político motivaram um movimento de realização de lucros na Bolsa paulista, após a alta de 2,78% acumulada nos dois pregões anteriores.
Reflexos
O Ibovespa - principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo - chegou a subir 1,18%. Entretanto, inverteu o movimento ''puxado'' pelas quedas das Bolsas norte-americanas. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 1,14%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq fechou com perda de 1,38%. Dados que mostraram aumento da inflação nos EUA e resultados corporativos abaixo do esperado desapontaram o mercado acionário norte-americano.
Petrobras
As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras caíram 1,78% e 1,99%, respectivamente, apesar do lucro robusto registrado pela empresa no primeiro semestre. A Petrobras obteve lucro líquido de R$ 9,9 bilhões no primeiro semestre do ano, um incremento de 40% em relação a igual período de 2004. No segundo trimestre, o lucro da estatal somou R$ 4,9 bilhões, uma expansão de 49% sobre a mesma época do ano passado, mas queda de 2% em relação aos primeiros três meses deste ano.
Projeções
Os resultados da Petrobras, embora tenham crescido, ficaram abaixo de estimativas feitas por analistas. Luiz Caetano, do banco Brascan, projetava um lucro líquido de R$ 6,221 bilhões para a Petrobras no segundo trimestre e de R$ 11,2 bilhões no acumulado do semestre. Outro fator que influenciou a queda das ações da Petrobras foi o recuo do preço do petróleo.
Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em baixa, seguindo as quedas registradas em Wall Street, devido às vendas trimestrais abaixo do esperado na rede varejista Wal-Mart e à inflação de julho no país, que subiu 0,5%, puxada pelos preços da energia. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,41%, fechando com 5.322 pontos. A Bolsa de Paris teve queda de 0,49% e ficou com 4.444 pontos. A Bolsa de Frankfurt caiu 0,78%, para 4.883 pontos. A Bolsa de Milão recuou 0,35%, para 25.741 pontos e a Bolsa de Madri teve desvalorização de 0,44% e ficou com 10.139 pontos no encerramento dos negócios.
Energia
Os preços da energia nos EUA subiram 3,8%, puxados pelos preços da gasolina que dispararam, com o aumento de 6,1% registrado no mês passado. A alta dos preços dos combustíveis afeta a confiança dos investidores na manutenção do bom desempenho dos gastos do consumidor. Com o petróleo rondando o patamar dos US$ 67, a expectativa é de que os preços da energia continuem altos. Ontem, o barril para entrega em setembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou o dia cotado a US$ 66,08, baixa de 0,29%.
Wal-Mart
A Wal-Mart anunciou ontem um ganho de 5,8% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo trimestre de 2004, mas as vendas do grupo, apesar de terem apresentado crescimento de 10,2%, para US$ 76,8 bilhões, ficaram abaixo dos US$ 77,4 bilhões esperados pelos analistas. Nos mercados de ações, o setor de mídia foi o destaque. As ações do grupo francês Vivendi Universal subiram 1%.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em queda de 22,44 pontos, ou 0,15%. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 13,29 pontos, ou 1,18%. Em Taiwan, o índice Weighted terminou em queda de 2,73 pontos, ou 0,04%. ''Os preços altos do petróleo continuam exercendo uma influência negativa sobre os investidores'', disse o diretor de vendas da Taiwan International Securities, Andrew Teng. Na China, o índice Shangai Composto caiu 0,8% e o Shenzen Composto perdeu 0,6%. ''O declínio acentuado das ações de grande capitalização hoje indica que alguns investidores estão realizando lucros, mas ainda é cedo demais para dizer se a alta recente do mercado chegou ao fim'', disse um analista.
Modesta alta
As ações fecharam em alta modesta na Bolsa de Tóquio, mas o suficiente para projetar o índice Nikkei para nova máxima em quatro anos. O movimento foi puxado por papéis considerados baratos, como Mitsubishi Electric, Advantest e outros papéis de tecnologia. Ações de produtoras de papel, como Oji Paper, avançaram, na esteira de ações que podem beneficiar-se da recuperação econômica no Japão. O índice Nikkei terminou a sessão em alta de 59,12 pontos (0,5%), em 12.315,67 pontos, maior nível desde o fechamento de 7 de agosto de 2001. O índice Nikkei caiu cerca de 20 pontos após informações do terremoto que atingiu o norte do Japão. O mercado recuperou-se em seguida, com papéis de alguns setores normalmente beneficiados por desastres naturais.
Das agências Estado e Folhapress





