Calmaria
Bastou um dia relativamente calmo na política para os mercados se estabilizarem. Como predomina a impressão de que o momento não é favorável ao pedido de impeachment de Lula, o dólar caiu, o risco país voltou a ficar abaixo dos 400 pontos, em queda de 2,96%, para 393 pontos; o Ibovespa avançou, o A-Bond (título da dívida externa) valorizou-se 0,40%, vendido com ágio de 2,40%, e os juros futuros projetaram queda.


Dólar a R$ 2,33
O dólar voltou a cair ontem após dois fechamentos seguidos com altas expressivas. A moeda norte-americana recuou 1,81% e fechou a R$ 2,331 na venda. Paulo Fujisaki, da corretora Socopa, explica que a entrada de recursos no país, principalmente por meio de exportações e captações, colaborou com o movimento de queda da divisa ontem.

Balança
A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 840 milhões na segunda semana de agosto (entre os dias 8 e 14) e, agora, já acumula um saldo positivo de US$ 26,422 bilhões neste ano. Os resultados mostram que, até o momento, a queda do dólar ainda não foi suficiente para tirar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. As exportações acumulam neste ano um crescimento de 23,2%, enquanto as importações avançaram 19%.

Efeito CPI
Fujisaki ressalta que em dias de depoimento à CPI dos Correios ou do ''Mensalão'' o mercado costuma ficar mais cauteloso. Na quinta-feira passada, o dólar subiu 2,89% e, na sexta-feira, 1,19%, principalmente por conta da piora do cenário político. Estão previstos para hoje, na CPI dos Correios, depoimentos dos ex-tesoureiros do PL, Jacinto Lamas, e do PTB, Emerson Palmieri. Além disso, a CPI pretende ouvir o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, que está preso em Avaré (SP). O doleiro diz ter informações sobre as remessas de recursos para o exterior para supostamente financiar campanhas petistas.


Bovespa tem alta de 1,57%
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com alta de 1,57% embalada pelo desempenho positivo do mercado acionário norte-americano e pela queda do preço do petróleo. O volume financeiro da Bolsa paulista somou R$ 2,578 bilhões hoje, inflado pelo vencimento de contratos de opções, que gerou um pouco de volatilidade no mercado no período da manhã.


Noticiário fraco
Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestões, avalia também que o noticiário político foi fraco no final de semana, o que abriu espaço para recuperação na Bovespa. Além disso, segundo ele, embora não haja um consenso, há uma certa expectativa no mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a taxa básica de juros (Selic) -atualmente em 19,75% ao ano- na reunião desta semana, principalmente com as quedas nas previsões de inflação.

Focus
O boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, apontou queda nas expectativas de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, do IBGE pela 13 semana consecutiva. A previsão de taxa para 2005 passou de 5,5% para 5,4%. A meta ajustada perseguida pela autoridade monetária é de 5,1%.

Indicadores americanos
O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,32%. A Bolsa eletrônica Nasdaq fechou com valorização de 0,47%. O barril de petróleo para entrega em setembro fechou cotado a US$ 66,27, com baixa de 0,88% na Bolsa Mercantil de Nova York.


Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam praticamente estáveis ontem com baixo volume de negócios. Em Londres, o índice FTSE-100 caiu 0,03%. A Bolsa de Paris também fechou com leve queda, influenciada pela abertura em queda de Wall Street. O índice CAC 40 recuou 0,22% e fechou aos 4.466,58 pontos. O índice DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, caiu 0,30% e fechou em 4.922,34 pontos. O índice Ibex 35, da Bolsa de Madri, caiu 0,02% e fechou em 10.184 pontos. Na Itália, a Bolsa não funcionou em razão do feriado do Dia da Assunção.

Destaques
Entre os papéis mais negociados na Bolsa de Londres estiveram as ações do grupo minerador Xstrata, que chegaram a subir 6,2% após o grupo ter anunciado um investimento para adicionar níquel a sua lista de commodities. As ações da rede Carrefour subiram 0,2% depois que uma reportagem durante o fim de semana trouxe novamente especulações de que a rival americana Wal-Mart pode estar considerando uma oferta sobre a concorrente. Segundo a reportagem, o Wal-Mart poderia estar discutindo a compra de algumas lojas do Carrefour, ou mesmo a aquisição integral da companhia. A bolsa de Lisboa fechou com o índice PSI-20 em alta de 32,48 pontos, ou 0,42%, sustentada pelo desempenho positivo de blue chips. Portugal Telecom subiu 1,1%, Banco Comercial Português avançou 0,5% e Brisa ganhou 0,4%.


Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 15,11 pontos, ou 0,10%, com os investidores deixando de lado preocupações com os preços elevados do petróleo para se concentrarem sobre as blue chips. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 105,77 pontos, ou 1,67%. As ações do setor de tecnologia recuaram, depois de a Dell ter apresentado balanço abaixo do esperado e ter feito uma previsão desalentadora para seus resultados no terceiro trimestre. O preço alto do petróleo também prejudicou o mercado. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em alta de 1,6% e o Shenzen Composto com ganho de 2,5%. Os ganhos foram liderados por empresas de pequeno e médio porte, beneficiadas por notícias de que irão propor planos de reforma de ações até o final de outubro.

Tóquio em queda
A Bolsa de Tóquio fechou em leve baixa pelo segundo pregão consecutivo, devolvendo parte dos ganhos da semana passada e diante da ausência de vários investidores, por causa das férias de verão. As ações de grandes exportadoras, particularmente nos setores de automóveis e tecnologia, operaram pressionadas por conta do fortalecimento do iene. As ações de tecnologia também foram alvo de vendas. Os papéis de empresas relacionadas à economia doméstica, por sua vez, seguiram fazendo o contraponto . Ao fim da sessão, o índice Nikkei registrava queda de 5,13 pontos (0,04%).


Das agências Estado e Folhapress

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