Dólar reduz alta
A crise política voltou a ser o foco de atenção no câmbio ontem. O resultado foi uma alta de 1,19% no dólar, que terminou o dia valendo R$ 2,374. Na semana, a moeda norte-americana acumulou valorização de 2,8%. A alta do dólar só não foi maior no fechamento do câmbio porque alguns exportadores aproveitaram para vender divisas. Pela manhã, a moeda norte-americana atingiu R$ 2,406 -avanço de 2,55%-, em razão da apreensão com o pronunciamento do presidente Lula. Na quinta-feira, a divisa já havia subido 2,89% - maior alta desde 31 de maio do ano passado -, por conta de um leilão de compra de dólares realizado pelo Banco Central.

Expectativa
A atuação do BC e o depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios, na quinta-feira, adicionaram volatilidade aos mercados, que começaram o dia na expectativa de um pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Duda confirmou que recebeu R$ 15,5 milhões de caixa dois do empresário Marcos Valério, apontado como um dos operadores do ''mensalão''. A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entretanto, não trouxe nenhum esclarecimento sobre as denúncias de corrupção.

Pronunciamento
No pronunciamento, o presidente Lula pediu desculpas à população e disse que se sente traído. Visivelmente abatido, Lula fez um discurso contido, sem gesticular muito ou fazer improvisações. ''O presidente insistiu em dizer que o partido é honesto e reafirmou dados positivos da economia brasileira. Era melhor ele não ter se pronunciado'', afirmou Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros. Para Ricardo Martins, da corretora Concórdia, o pronunciamento de Lula não trouxe surpresas e só serviu para provocar volatilidade nos negócios. Mário Battistel, da corretora Novação, ressalta que o mercado mantém cautela por conta das expectativas com o noticiário do final de semana.

Arrecadação
Em meio à forte volatilidade do dólar, os investidores nem reagiram aos dados favoráveis de arrecadação em julho divulgados pela Receita. A arrecadação dos impostos e contribuições atingiu em julho R$ 31,649 bilhões, um crescimento real de 5,48% em relação a julho de 2004 e o melhor resultado para o mês já registrado pela Receita Federal. No acumulado de janeiro a julho, a arrecadação foi de R$ 207,375 bilhões, um crescimento real de 6,09% ante o mesmo período do ano passado.

Carga tributária
De outro lado, a carga tributária do País em 2004 atingiu 35,91% do PIB ante 34,90% do PIB em 2003, um aumento de 1,01 ponto porcentual. A carga tributária em 2004 também é maior que a registrada em 2002, de 35,61% do PIB. Segundo a Receita, a carga trib utária da União, que exclui Estados e municípios, foi de 25,04% do PIB em 2004 ante 24,23% do PIB em 2003 e 24,92% do PIB em 2002.


Na Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo inverteu a tendência no final da tarde e fechou em alta de 1,19%, depois de ficar praticamente todo o dia em baixa e de cair mais de 3% pela manhã. Na semana, acumulou ganho de 1,63%. Durante a manhã a apreensão tomou conta dos negócios, por conta da expectativa com o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, analistas avaliam que como o presidente Lula não disse nada de comprometedor, o mercado iniciou um movimento de recuperação.

Estrangeiros
De acordo com analistas, os estrangeiros entraram com força na Bolsa paulista. O principal alvo de investidores estrangeiros ontem foi a ação preferencial da Petrobras, impulsionada pelo avanço do petróleo no mercado internacional e com a expectativa positiva em relação ao balanço da empresa, que sai na próxima segunda-feira.

Petrobras
O barril de petróleo para entrega em setembro, na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 66,86, com alta de 1,61%. Durante o dia, atingiu US$ 67,10. A ação preferencial da Petrobras subiu 1,83% e liderou os negócios na Bolsa paulista. O papel foi responsável por 14% do giro do mercado acionário paulista, que somou R$ 1,663 bilhão. O papel PN da estatal é o que tem o maior peso na composição do Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista-, de 10,036%. Portanto, exerce influência expressiva na formação do índice.

Nasdaq e Dow Jones
O mercado norte-americano de ações fechou com os principais índices em queda, embora acima das mínimas do dia. O mercado reagiu à nova alta dos preços do petróleo e ao informe de resultados da indústria de computadores Dell Inc., que decepcionou os investidores. As ações da Dell caíram 7,43% e afetaram outras ações do setor, como Intel (-1,90%). As ações da Apple Computer, porém, subiram 4,77%, com alguns investidores que venderam ações da Dell comprando as da rival.

Quedas
O índice Dow Jones fechou em queda de 85,58 pontos (0,80%). O Nasdaq fechou em queda de 17,65 pontos (0,81%). O Standard & Poor's-500 caiu 7,42 pontos (0,60%), para 1.230,39 pontos. O NYSE Composite recuou 32,50 pontos (0,43%), para 7.558,33 pontos. O volume negociado na NYSE ficou em 1,310 bilhão de ações, de 1,470 bilhão ontem; 1.254 ações subiram, 2.029 caíram e 151 fecharam nos mesmos níveis de ontem.


Bolsas na Europa
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em queda de 12,80 pontos (0,24%), em 5.345,80 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 32,62 pontos (0,72%), em 4.476,48 pontos. A bolsa de valores de Frankfurt fechou com o índice Dax em baixa de 16,60 pontos, ou 0,34%, aos 4.937,33 pontos. A bolsa de Milão fechou com o índice S&P/Mib em queda de 139 pontos, ou 0,41%, aos 33.783 pontos. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 34,90 pontos, ou 0,34%, aos 10.187,20 pontos, num ambiente de volatilidade por causa do petróleo. A bolsa de Lisboa fechou com o índice PSI-20 em alta de 7,77 pontos, ou 0,10%, aos 7.723,00 pontos.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 5,75 pontos, ou 0,04%, aos 15.450,95 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 6,45 pontos, ou 0,57%, aos 1.130,22 pontos. Em Taiwan, o índice Weighted caiu 2,81 pontos, ou 0,04%, para 6.350,90 pontos. Na China, o índice Shangai Composto caiu 1,3% e o Shenzen Composto cedeu 1,9%. A Bolsa japonesa fechou praticamente estável com realização de lucros antes das férias de verão no Japão, depois da divulgação do PIB do país - que cresceu 0,3% - em linha ao previsto. No fim do dia, o índice Nikkei registrava queda de 1,64 ponto (0,01%), para 12.261,68 pontos.


Das agências Estado e Folhapress

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