MERCADO FINANCEIRO
Dólar a R$ 2,28
O dólar caiu ontem pelo segundo dia consecutivo e fechou com a menor cotação desde 10 de abril de 2002, a R$ 2,280, o que representa uma baixa de 0,65% em relação ao encerramento dos negócios. Entretanto, o avanço do preço do petróleo no mercado internacional fez a moeda norte-americana reduzir o movimento de queda no período da tarde. Pela manhã, a divisa chegou a cair 1,17% e bater nos R$ 2,268 - também menor valor desde 10 de abril de 2002.
Sustentação
Segundo Francisco Carvalho, da corretora Liquidez, a entrada de recursos no país por meio das exportações e de captações de empresas no exterior têm sustentado a desvalorização da divisa dos EUA em relação ao real. A balança comercial brasileira apresentou um saldo positivo de US$ 904 milhões na primeira semana deste mês, acumulando superávit de US$ 25,582 bilhões no ano, um crescimento de 31,8% sobre o mesmo período de 2004.
Sem 'urgência'
A afirmação do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, na terça-feira, de que o governo não tem ''urgência'' em comprar dólares para honrar dívidas também reduziu a cautela no câmbio. Para Carvalho, o dólar caminha para os R$ 2,25 e deve voltar a esse patamar ainda no curto prazo, a não ser que surja alguma surpresa no cenário político.
Bovespa cai 0,64%
A alta do preço do petróleo no mercado internacional também acabou influenciando os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo e dos Estados Unidos. Depois de subir 1,15%, a Bovespa inverteu o movimento e fechou em queda de 0,64%, aos 27.116 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,855 bilhão. Nos EUA, as Bolsas também começaram o dia positivas, mas encerram em baixa. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,20%. A Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,75%.
Petróleo
O barril do produto para entrega em setembro, negociado em Nova York, fechou cotado a US$ 64,90, alta de 2,9%, depois de atingir a marca de US$ 65 durante o dia. O aumento do preço do petróleo pode gerar inflação e provocar uma redução no crescimento da economia global.
Combustíveis
A secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Foster, reconheceu ontem que o preço do barril (que ultrapassou os US$ 64) não deverá voltar ao patamar de US$ 40, e por isso um reajuste de preços dos combustíveis deverá ser necessário, mas ''no momento certo''. O combustível mais caro pressiona a inflação e impede o ''afrouxamento'' da política monetária. Os juros básicos da economia brasileira (Selic) estão em 19,75% ao ano e a expectativa é que eles caiam a partir de agosto ou setembro, mas se o petróleo continuar nesse ritmo de alta, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode retardar o início da queda dos juros.
Câmbio
O destaque do mercado internacional de câmbio ontem foi o iene, que teve uma alta forte frente ao dólar e ao euro. A alta do iene foi atribuída ao bom desempenho da Bola de Tóquio (onde o índice Nikkei-225 subiu 1,66%, para o nível mais alto do ano), à revisão para cima da projeção de crescimento da economia japonesa neste ano e a pesquisas mostrando que cresceu a popularidade do primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que convocou eleições parlamentares antecipadas. Frente ao euro, o dólar permaneceu relativamente estável. No fim da tarde em Nova York, o iene era cotado a 110,67 por dólar, o euro era cotado a US$ 1,2375 e a 136,96 ienes.
Bolsas na Europa
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em alta de 13,80 pontos, ou 0,26%, aos 5.377,50 pontos. A bolsa de Paris fechou com o índice CAC-40 em alta de 35,42 pontos, ou 0,79%, aos 4.527,11 pontos, ajudada pelas indicações do Fed de que não irá acelerar o ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos. O índice Xetra-DAX, da Bolsa de Frankfurt, fechou em alta de 81,09 pontos (1,65%), em 4.990,57 pontos. Na bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em alta de 274 pontos (0,81%), em 34.027 pontos.
Madri e Lisboa
A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em alta de 83,60 pontos (0,82%), em 10.229,20 pontos, nível mais alto desde novembro de 2000. A alta foi atribuída ao sentimento positivo dos mercados internacionais. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 fechou emn alta de 22,30 pontos (0,29%), em 7.714,98 pontos. Traders disseram que o mercado acompanhou a alta de outras bolsas européias, mas que os investidores mostraram cautela. As ações da Portugal Telecom fecharam no mesmo nível de ontem, assim como as do Banco Comercial Português, as do Banco Espírito Santo subiram 0,39% e as da Energias de Portugal avançaram 0,45%.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 298,57 pontos, ou 1,98%, aos 15.346,41 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 5,09 pontos, ou 0,46%, aos 1.104,86 pontos. Samsung ganhou 0,9%, recuperando parte da perda dos últimos pregões. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 23,16 pontos, ou 0,36%, aos 6.356,84 pontos. Os investidores estão mais cautelosos depois dos ganhos recentes.
China e Japão
A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em alta de 1,1% e o Shenzen Composto com valorização de 0,7%, com o aumento da confiança na reforma do mercado de ações. O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 197,76 pontos, ou 1,66%, em 12.098,08 pontos, o maior nível desde 26 de abril de 2004, impulsionado por boas perspectivas econômicas e por uma pesquisa que mostra que o apoio popular ao primeiro-ministro Junichiro Koizumi cresceu após ele ter dissolvido a Câmara Baixa do parlamento. O apoio ao partido de Koizumi, o PLD, é maior que o do rival, o Partido Democrático Japonês.
Das agências Estado e Folhapress





