Dólar abaixo dos R$ 2,30
O dólar rompeu uma nova barreira ontem e fechou abaixo dos R$ 2,30, o que não acontecia desde 12 de abril de 2002, quando a moeda norte-americana encerrou os negócios a R$ 2,294. A divisa caiu 1,5% e terminou o dia valendo R$ 2,295. O mercado de câmbio iniciou o dia cauteloso, por conta das expectativas com a decisão do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) sobre os juros norte-americanos, do cenário político e de uma possível atuação do Banco Central. No período da manhã, chegou a subir 0,55%. Entretanto, inverteu o movimento no final da manhã, após afirmações do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, de que não há ''urgência'' para compra de dólares.

'Estratégia de prudência'
Em evento em São Paulo, Levy disse que o programa de compra de dólares no mercado com o Banco Central está relativamente adiantado. Segundo ele, o Tesouro é um comprador como qualquer outro e a volatilidade pode retardar decisões de compra. ''Sem dúvida, estamos adiantados dentro da nossa estratégia de prudência. Nós procuramos nos certificar de que temos o que é necessário, sem açodamento, sem exagerar no passo'', afirmou.


Bovespa sobe 2,17%
Os bons resultados das empresas no segundo trimestre continuam impulsionando os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo, que subiu 2,17% ontem e fechou com 27.291 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,462 bilhão.

Sem surpresas
No cenário externo, a principal expectativa foi em relação à decisão do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) sobre os juros norte-americanos, que aumentou a taxa de 3,25% para 3,5% ao ano, conforme o previsto. Sem surpresas na decisão do Fed, o mercado acionário interno ganhou fôlego no período da tarde, principalmente com a expectativa de analistas de um bom resultado para a Companhia Vale do Rio Doce no segundo trimestre, por conta do avanço do preço do minério de ferro. A Vale divulga seu balanço hoje. Ontem, as ações preferenciais ''A'' da empresa subiram 1,93%.

Análise
Das 55 ações que fazem parte do Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista -, apenas três caíram ontem, com destaque para o ordinário da Light, que fechou em baixa de 2,40%. Luiz Antônio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner, avalia que muitos investidores internos passaram a repor posições na Bolsa, o que colaborou com a alta do índice. Segundo ele, com a crise política, os investidores domésticos começaram a deixar a Bolsa, mas como os fundamentos da economia não foram afetados, muitos começam a refazer posições.

Sob controle
Segundo operadores, o andamento da crise política por enquanto mantém o mercado sob controle. Se os efeitos se restringirem à cassação de deputados, inclusive de José Dirceu, a tendência é de que aumente o alívio com a tensão política. O Conselho de Ética da Câmara já recebeu do presidente da Casa, Severino Cavalcanti, os pedidos de cassação dos mandatos de Dirceu e de Sandro Mabel (PL-GO), entre outros.


Wall Street
Em Wall Street, a decisão do Fed também provocou uma repercussão positiva. As bolsas fecharam em alta em Nova York. O Dow Jones fechou em alta de 0,75% e o Nasdaq subiu 0,45%. O risco Brasil, por sua vez, caiu 7 pontos para 380 pontos base.

Volatilidade
O dólar caiu frente as principais moedas em Nova York, depois que o Federal Reserve anunciou a esperada elevação em sua taxa de juro básica. Depois de alguma volatilidade inicial, os investidores venderam a moeda norte-americana, depois de chegarem a conclusão de que o comunicado do Fed não era agressivo o suficiente para reverter a tendência de queda de duas semanas do dólar. No fim da tarde em Nova York, o iene era negociado a 111,92 por dólar, de 112,11 por dólar ontem; o euro era negociado a US$ 1,2367, de US$ 1,2354 ontem.


Petróleo
Os contratos futuros de petróleo também caíram na New York Mercantile Exchange (Nymex), pressionados por uma realização de lucro depois de terem registrado novas máximas recordes. O recuo dos preços foi desencadeado pela redução das preocupações relacionadas com a produção das refinarias norte-americanas e a divulgação de um relatório mais pessimista dos EUA sobre a demanda mundial pela commodity. Na Nymex, os contratos de petróleo para setembro fecharam em US$ 63,07 por barril, em queda de US$ 0,87 (-1,36%). No sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), em Londres, os contratos de petróleo Brent para setembro fecharam em US$ 61,98 o barril, em queda de US$ 0,72.

Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta ontem, com o avanço nos preços do petróleo favorecendo as ações do setor de energia. Os papéis da gigante francesa de saneamento básico Suez subiram com a proposta de compra feita à fornecedora de energia belga Electrabel. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,36%, com 5.363 pontos. A Bolsa de Paris encerrou o dia com ganho de 1,14% e 4.491 pontos. A Bolsa de Frankfurt avançou 1,48%, para 4.909 pontos. A Bolsa de Milão teve valorização de 0,54%, fechando com 25.846 pontos e a Bolsa de Madri subiu 0,3%, para 10.145 pontos.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 61,10 pontos, ou 0,40%, aos 15.047,84 pontos. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em alta de 13,13 pontos, ou 1,21%, aos 1.099,77 pontos, recuperando-se depois de quatro pregões consecutivos de perdas. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted estável, em queda de apenas 0,03 ponto, para 6.380,00 pontos. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em alta de 1,2% e o Shenzen Composto com ganho de 1,0%. O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 121,34 pontos, ou 1,03%, em 11.900,32 pontos.

Das agências Estado e Folhapress

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