Dólar avança 0,86%
A alta do preço do petróleo pressionou os negócios no câmbio no período da tarde e o resultado foi uma alta de 0,86% no valor da moeda norte-americana, que fechou a R$ 2,330 na venda. Pela manhã, a divisa chegou a recuar 0,64%, vendida a R$ 2,295, influenciada pelo desempenho da balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 904 milhões na primeira semana de agosto, acumulando saldo positivo de US$ 25,582 bilhões no ano - crescimento de 31,8% sobre o mesmo período do ano passado.

Petróleo
Entretanto, com o avanço do preço do petróleo, o mercado passou a ficar mais cauteloso. O barril de petróleo registrou uma sequência de recordes ontem e encerrou o dia com o maior valor já registrado em um fechamento na Bolsa Mercantil de Nova York, a US$ 63,85 - uma alta de 2,47%. Entre os fatores que afetam o preço do petróleo estão os temores de novos atentados a representações diplomáticas dos EUA na Arábia Saudita, a mudança na condução do governo no país após a morte, na semana passada, do rei Fahd, e o temor de escassez de combustível nos EUA, em razão de novos riscos de furacões.


Bovespa em alta
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,73%, apesar do desempenho negativo em Wall Street, da preocupação com a trajetória de alta do petróleo e da crise política doméstica. Segundo analistas, o movimento positivo na Bovespa foi sustentado pelos resultados financeiros divulgados por empresas que têm ações na Bolsa. O volume de negócios somou R$ 1,243 bilhão.

Lucros do Bradesco
O Bradesco anunciou que lucrou R$ 2,621 bilhão no primeiro semestre do ano, um avanço de 109,7% em relação ao resultado do banco em igual período do ano passado. No final dos negócios, as ações preferencias do Bradesco subiam 2,84% e estavam entre as dez maiores altas do Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista. Na avaliação do presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, a crise política doméstica, com as denúncias de corrupção no Congresso e nos Correios, ''com certeza'' não afetou os negócios no segundo trimestre deste ano. ''A área econômica talvez possa contaminar positivamente a parte política, o que é um grande trunfo'', disse Cypriano, durante teleconferência sobre os resultados do banco.

Outros destaques
Ações de outras empresas que apontaram bons resultados no primeiro semestre também tiveram valorização no Ibovespa. O papel preferencial da Gerdau subiu 3,9% e teve a segunda maior alta do índice. O papel preferencial ''B'' da Aracruz e o preferencial do Itaú apresentaram alta de 2,02% e 1,87%, respectivamente. Nos primeiros seis meses deste ano, a Gerdau registrou lucro líquido de R$ 1,7 bilhão, um crescimento de 30,7% em relação ao mesmo período de 2004. O Itaú lucrou R$ 2,475 bilhões, expansão de 35,6% na mesma comparação. O lucro da Aracruz cresceu 150% no período e chegou a R$ 693,7 milhões. As ações preferenciais da Petrobras subiram 1,88% e ficaram entre as mais negociadas, com a sinalização de executivos da empresa de que o preço do combustível poderá subir no mercado interno caso o petróleo continue em alta.

Nasdaq e Dow Jones
A preocupação com o petróleo aliada à expectativa com a decisão do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) sobre os juros fez o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, cair 0,21%. A Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,64%. Os juros norte-americanos estão atualmente em 3,25% ao ano e devem aumentar para 3,5% hoje.

Bolsas na Europa
As Bolsas européias fecharam em alta, com os rumores de que a americana Cisco Systems possa vir a fazer uma oferta pela fabricante finlandesa de telefones celulares Nokia. O petróleo a US$ 64 prejudica a economia de um modo geral, mas favorece as ações do setor petrolífero, o que também impulsionou os negócios ontem. A Bolsa de Londres subiu 0,56%, para 5.344 pontos. A Bolsa de Paris teve ganho de 0,44%, indo para 4.441 pontos. A Bolsa de Frankfurt teve valorização de 0,22% e ficou com 4.837 pontos. A Bolsa de Milão avançou 0,62%, fechando com 25.708 pontos e a Bolsa de Madri teve alta de 0,7%, ficando com 10.115 pontos.

Ganhos
Com o petróleo tendo atingido o valor de US$ 64, as empresas petrolíferas registraram ganhos. As ações da francesa Total subiram 1,3% e as da British Petroleum, 1,9%. Ainda no mercado de ações, os papéis da Air France-KLM subiram 3,6% com o anúncio de um aumento de 9,2% no tráfego de passageiros em julho, enquanto a Lufthansa registrou um aumento de 2,2%. Os papéis da empresa alemã subiram 2,1%.

Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 57,62 pontos, ou 0,38%, aos 15.108,94 pontos, o maior nível de fechamento desde 22 de fevereiro de 2001. Os ganhos foram liderados pelas ações da petrolífera CNOOC. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em queda de 2,72 pontos, ou 0,25%, aos 1.086,64 pontos, o quarto pregão consecutivo de perdas. O mercado foi prejudicado pelo desempenho de Wall Street na sexta-feira, em meio ao clima de expectativa pelo Fomc. Em Taiwan, o índice Weighted caiu 65,98 pontos, ou 1,02%, para 6.380,03 pontos, com realização de lucros e a queda em Wall Street. As ações de fabricantes de chips, que lideraram os ganhos do mercado nas últimas semanas, apresentaram os piores de sempenhos, depois que o Nasdaq caiu 0,6%.

China e Japão
Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,9% e o Shenzen Composto fechou em alta de 1,0%. O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, encerrou em alta de 12,50 pontos, ou 0,1%, em 11.778,98 pontos, apesar da Câmara Alta do parlamento japonês ter rejeitado, por 125 votos contra 108, o projeto de reforma do sistema postal defendido pel o primeiro-ministro Junichiro Koizumi. ''Não foi exatamente algo inesperado. Muitas pessoas acreditavam que o projeto não passaria, por isso a bolsa subiu'', disse Garry Evans, estrategista de ações do HSBC Securities. A decisão do parlamento continuará repercutindo nos próximos dias. ''É um choque de duas fases para as ações japonesas; a primeira foi a rejeição da lei postal - que foi largamente precificada pelo mercado. A segunda fase é a eleição, e ainda é muito cedo para perceber o tipo de impacto que teremos'', disse Shinichi Ichikawa, estrategista do Credit Suisse First Boston.

Das agências Estado e Folhapress

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