Roberto Jefferson
O dia ontem foi de atuação de Roberto Jefferson. Mas o denunciador do suposto esquema de mensalão repetiu basicamente o repertório de outras vezes. E, o mais importante para o mercado, manteve a blindagem do presidente Lula de qualquer denúncia de corrupção. O dólar caiu ainda mais um pouco, refletindo a queda do risco Brasil e a avaliação positiva da S&P sobre a economia brasileira. Lá fora, no entanto, o cenário não foi tão favorável e derrubou a Bovespa no período da tarde.

Dólar fecha a R$ 2,30
O dólar cravou a oitava queda seguida em relação ao real ontem. A moeda norte-americana caiu 0,25% e fechou a R$ 2,305 na venda - menor cotação desde abril de 2002. Na mínima do dia, rompeu o piso dos R$ 2,30, ao ser negociada a R$ 2,293 -uma baixa de 0,77%. Segundo analistas, o fluxo positivo de recursos no câmbio, por conta das exportações e captações, continua dando o tom dos negócios.

Votorantim
Ontem, o banco Votorantim concluiu uma captação de US$ 100 milhões por meio da emissão de eurobônus. Inicialmente, o banco planejava captar US$ 50 milhões, mas, devido à demanda, aumentou o valor da operação. A queda da cotação do dólar em relação ao real foi influenciada também pelo movimento da divisa no mercado internacional. Perto do fechamento dos negócios na Europa, a moeda norte-americana perdia valor em relação a diversas moedas, como o euro, o franco suíço e o dólar canadense. Segundo Alexandre Vasarhely, chefe da mesa de câmbio do banco ING, a redução no ritmo de queda do dólar à tarde ocorreu por causa do avanço nos juros pagos pelos títulos de dez anos dos Estados Unidos.

Bovespa recua 0,91%
A Bolsa de Valores de São Paulo tentou subir ontem mas não sustentou o movimento positivo e encerrou os negócios com queda de 0,91%, aos 26.469 pontos, depois de registrar valorização de quase 1% durante o pregão. Segundo analistas, com o desempenho negativo das Bolsas dos Estados Unidos, os investidores continuaram realizando lucros na Bovespa, ou seja, embolsando os ganhos acumulados. Em julho, o Ibovespa -principal índice da Bolsa paulista, composto por 55 ações- acumulou ganhos de 3,95%.

Puxando a queda
O movimento de queda na Bovespa foi ''puxado'' por ações do setor de energia elétrica. Os papéis ordinários da Light caíram 6,14%, seguidos pelos preferenciais da Eletropaulo (-4,17%) e preferenciais da Transmissão Paulista (-3,89%). No dia, a Bovespa movimentou R$ 1,274 bilhão e registou a realização de 62.975 negócios.

Nos Estados Unidos
O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, recuou 0,82%. A Bolsa eletrônica Nasdaq caiu 1,15%. A alta do preço do petróleo também serviu de motivação para a realização de lucros. O preço do barril do produto fechou em alta de 0,95% ontem, a US$ 61,38. Há uma preocupação entre os investidores do setor petrolífero de que o mercado de combustível nos EUA venha a sofrer com a escassez da commodity. As refinarias americanas têm operado perto do limite de sua capacidade e em pouco tempo terão que começar a se preocupar em abastecer os estoques com combustível para calefação, para atravessar o inverno.

Bolsas européias
A bolsa de valores de Londres fechou com o índice FT-100 em queda de 16,80 pontos (0,32%), em 5.315,50 pontos, em linha com o declínio dos demais mercados europeu. O volume somou 2,786 bilhões de ações negociadas. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 36,51 pontos (0,81%), em 4.458,97 pontos, pressionado por uma realização de lucro e pela fraqueza de algumas blue chips. O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, fechou em queda de 49,06 pontos, ou 1%, em 4.874,06 pontos, em dia de consolidação de preços. Em Milão, o S&P/Mib recuou 395 pontos, ou 1,17%, a 33.501 pontos. Traders afirmaram ser provável que os investidores estejam fechando posições antes das férias de verão, mas destacaram que a queda foi grande diante do fraco volume negociado. A bolsa de valores de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 75,40 pontos (0,74%), em 10.074,30 pontos. Em Lisboa, o índice PSI-20 fechou em alta de 4,91 pontos (0,06%), em 7.699,15 pontos, com as principais blue chips registrando desempenhos desiguais.


Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em baixa de 6,96 pontos, ou 0,05%, aos 15.111,54 pontos, com realização de lucros. A bolsa da Coréia do Sul fechou com o índice Kospi em baixa de 5,72 pontos, ou 0,51%, aos 1.111,39 pontos. O mercado foi prejudicado pelo desempenho em Wall Street e pela valorização do won frente ao dólar. A bolsa de Taiwan fechou com o índice Weighted em queda de 9,56 pontos, ou 0,15%, aos 6.446,01 pontos, também com realização de lucros, depois de ter fechado quarta-feira no maior nível em 15 meses. A bolsa da China fechou com o índice Shangai Composto em baixa de 0,5% e o Shenzen Composto em queda de 0,7%. As ações de grande capitalização caíram, depois de terem subido fortemente nas duas últimas semanas com a valorização do yuan.


No Japão
Em Tóquio, o índice Nikkei-225 fechou em queda de 98,49 pontos, ou 0,8%, em 11.883,31 pontos. O balanço trimestral desapontador da Toyota fez as ações da montadora caírem 0,7% e puxou outras automobilísticas para baixo. Ações de exportadoras ligadas ao setor de tecnologia também caíram, como as da Kyocera, que cederam 1%, e as da Tokyo Electron, que fecharam em queda de 1,3%. Alguns traders disseram que o declínio do dólar frente ao iene também levou à venda de ações de exportadoras. Já as ações da Konica Minolta subiram 6,6%, com o anúncio de que o lucro líquido da companhia subiu 1% no trimestre. Os papéis da Kubolta subiram 2,4% devido às expectativas de fortes números trimestrais e à elevação, promovida pela Merrill Lynch, do pre ço alvo para as ações da companhia.


Das agências Estado e Folhapress

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