MERCADO FINANCEIRO
Dólar abre semana com queda
O dólar reduziu a volatilidade no período da tarde de ontem e fechou em baixa de 0,46%, a R$ 2,369, depois de encostar nos R$ 2,40. Essa é a quinta queda seguida da moeda no fechamento dos negócios. Na avaliação de Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, com a subida do dólar pela manhã, quem tinha divisa na carteira aproveitou para vender um pouco mais caro. Com isso, a moeda norte-americana voltou a cair à tarde.
Efeito Valdemar
A principal notícia do dia para o mercado foi a renúncia do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de envolvimento no suposto esquema do ''mensalão''. Entretanto, a renúncia de Valdemar ocorreu perto do fechamento do câmbio. Em seu discurso, o presidente do PL confirmou que recebeu dinheiro irregular do PT e disse que foi usado em despesas de campanha - seguindo discurso semelhante adotado pelo PT. ''Fui induzido ao erro quando aceitei receber recursos destinados à campanha sem a devida documentação que oficializasse essa documentação.''
'Fato bom'
Para Mário Battistel, a saída de Valdemar da presidência do partido, ''é um fato bom''. Entretanto, pode gerar um pouco de estresse no mercado porque indica que realmente houve o esquema de ''mensalão''.
Bovespa fecha em alta
A saída de Valdemar Costa Neto da presidência do PL agradou o mercado acionário doméstico. A Bolsa de Valores de São Paulo, que operava com variação positiva em torno de 0,50%, deu um salto e chegou a subir 1,57% logo após o anúncio de renúncia. No fechamento dos negócios, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - registrava alta de 0,98%, com 26.298 pontos, depois de ficar em baixa praticamente toda a manhã, atingido queda de 0,50% na mínima do dia.
Boatos
''Sem dúvida nenhuma a Bolsa deu um pulo na hora da renúncia do presidente do PL'', disse Luiz Antonio Vaz das Neves, da corretora Planner. Segundo ele, circularam boatos no mercado de que o deputado José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) também renunciaria. ''Se o Dirceu renunciar, a Bolsa sobe forte, porque sinalizaria uma solução rápida para a crise política'', afirmou.
Nos Estados Unidos
As Bolsas americanas fecharam ontem o dia com tendência mista. O resultado se explica em parte pelo novo recorde da cotação do petróleo que, por outro lado, foi amenizado pelo otimismo de investidores com o índice de atividade industrial e com as fortes vendas do Wal-Mart. O índice Standard & Poor's 500 subiu 0,09%. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve queda de 0,17%. A Bolsa eletrônica Nasdaq apresentou alta de 0,48%.
Bolsas na Europa
A divulgação dos sólidos resultados semestrais do gigante do setor bancário HSBC impulsionou os negócios nas Bolsas européias ontem. A alta nos preços do petróleo favoreceu os papéis das empresas do setor petrolífero. A Bolsa de Londres encerrou o dia com alta de 0,16% e 5.290 pontos. A Bolsa de Paris fechou em alta de 0,12%, com 4.456 pontos. A Bolsa de Frankfurt registrou ligeira variação positiva de 0,09% e ficou com 4.890 pontos. As Bolsas de Milão e Madri, no entanto, fecharam com perdas de 0,16% (com 25.732 pontos) e de 0,46% (com 10.068 pontos) respectivamente.
HSBC e ABN Amro
O HSBC - maior banco da Europa e segundo maior do mundo - anunciou um crescimento de 9,1% em seu lucro líquido no primeiro semestre deste ano, com o desempenho positivo na América do Norte e em países asiáticos excluindo-se Hong Kong. Os papéis do banco subiram 0,8%. Já as ações do holandês ABN Amro caíram 1,4% com o anúncio de que espera uma queda nos lucros no segundo semestre deste ano em relação aos do primeiro. As ações do suíço UBS também caíram.
Petróleo
O petróleo voltou a subir ontem e atingiu o recorde de US$ 62,30 durante as negociações na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex). A morte nesta segunda-feira do rei Fahd, da Arábia Saudita, chegou a pressionar as cotações pela manhã, com o temor dos investidores de que as políticas do país para o petróleo pudessem mudar. O que afetou os preços, no entanto, foi o temor de que venha a haver escassez de combustíveis nos EUA no segundo semestre. As empresas do setor registraram alta em seus papéis, com destaque para o ganho de 1,7% nas ações da Royal Dutch/Shell.
Contratos futuros
Na Nymex, os contratos de petróleo para setembro fecharam em US$ 61,57 o barril, em alta de US$ 1,00 (+1,65%); a mínima foi de US$ 60,51 e a máxima de US$ 62,30. No sistema eletrônico da International Petroleum Exchange (IPE), em Londres, os contratos de petróleo Brent para setembro fecharam em US$ 60,44 o barril, em alta de US$ 1,07; a mínima foi de US$ 59,58 e a máxima de US$ 60,98.
Bolsas na Ásia
A bolsa de Hong Kong fechou com o índice Hang Seng em alta de 97,90 pontos, ou 0,66%, aos 14.978,88 pontos, com expectativas positivas em torno do balanço do HSBC. Após o fechamento do mercado, o banco informou que obteve lucro líquido de US$ 7,596 bilhões, 9,45% maior que o obtido em igual período do ano passado. Na Coréia do Sul, o índice Kospi subiu 4,69 pontos, ou 0,42%, para 1.115,98 pontos. Em Taiwan, o índice Weighted fechou em queda de 4,05 pontos, ou 0,06%, para 6.307,93 pontos. Na China, o índice Shangai Composto subiu 0,6% e o Shenzen Composto, 0,5%. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta pela quarta sessão consecutiva e encerrou a segunda-feira em alta de 47,32 pontos, ou 0,4%, em 11.946,92 pontos. O Nikkei chegou a ficar acima da pontuação recorde do ano, de 11.966,99 pontos, impulsionado por bons resultados corporativos.
Das agências Estado e Folhapress





